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Origens da linguagem escrita

Versão original criada por Brit Cruise.

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Transcrição de vídeo

RKA13C Imagine que Alice voltou no tempo mais de 50 mil anos para encontrar seu ancestral distante, Bob. Até esse momento, a cultura humana era relativamente simples, utilizando-se dos mesmos instrumentos de pedra primitivos que permaneceram inalterados por milhares de anos. Mas, em algum lugar, cerca de 50 mil anos atrás, algo interessante aconteceu. Ninguém sabe ao certo por quê. Houve uma súbita explosão de diversos artefatos culturais, incluindo instrumentos para fazer música, novas ferramentas e outras formas de expressão criativa. Humanos desenvolveram a capacidade de externalizar seus pensamentos internos. Eles começaram a se comunicar usando linguagem. Alice começa sua busca procurando por água. Ela sabe que populações de humanos e animais tendem a migrar para perto de rios, que são a força vital dos ecossistemas. Eventualmente, ela se depara com uma mancha interessante: é uma mancha da mão de Bob. Essa mancha contém bem pouca informação, apenas que ele esteve aqui e talvez volte. Alice sabe que Bob é igualmente inteligente. Ele pode se comunicar oralmente, embora sua cultura ainda não tenha desenvolvido a capacidade de ler ou escrever em sua língua nativa. Na época, a língua universal era a arte. Ela, então, decide procurar materiais da natureza para pintar uma figura caso ele retorne. Ela pinta um animal que está seguindo, esperando que isso dê uma pista da direção para onde ela vai no futuro. Nossos ancestrais usaram materiais da natureza para criar representações pictóricas de sua realidade. Aqui está uma pintura de caverna real, de cerca de 30 mil anos atrás, que foi encontrada preservada no fundo da Caverna de Chauvet, na França. Representações similares são encontradas nas cavernas da Espanha também. Um tema comum entre as pinturas antigas são formas de animais, bem como a mão humana. Talvez seja uma assinatura, uma história ou um chamado para um ritual. Quando Bob retorna para cachoeira, ele encontra a pintura dela e segue em direção ao rio, onde ele acha que ela pode estar. Quando ele chega, não a encontra. Mas encontra um sinal de que ela esteve aqui antes e decide fazer uma pintura para ela, explicando para onde ele está indo em seguida, que é metade do caminho até o rio, em direção ao sol poente. Ele tem pouco tempo para pintar uma figura, já que está anoitecendo. Dessa forma, ele precisa de um jeito rápido para visualizar a mensagem. Ele pensa a respeito por um tempo e percebe que sua mensagem só contém três objetos mentais distintos: metade, rio, oeste. Então ele decide usar figuras simplificadas para representá-los. Para o rio, ele desenha um símbolo que parece a forma natural do rio, conhecido como pictograma, que é um desenho que se assemelha ao objeto físico que ele representa. Pictogramas são um importante passo na evolução da escrita. Aqui está uma paleta de ardósia cerimonial encontrada no Egito, datada de 3 mil anos a.C. A cena circundante mostra a luta entre os seres humanos civilizados e os animais selvagens ferozes. No entanto, é difícil desenhar figuras para conceitos abstratos como calmo, velho, perigoso ou, no caso de Bob, metade. Para isso, ele desenha uma linha com um quadrado no meio, que representa metade do caminho. Isso é conhecido como ideograma ou figura conceitual de uma ideia abstrata. Aqui está um exemplo do mesmo símbolo em uma antiga escritura de bronze chinesa. Para a ideia de oeste, ele decide fazer uma figura de sol poente. Agora, ele faz algo interessante: ele combina esses símbolos individuais em termos de significados para criar uma mensagem. Significado mais significado é igual a um novo significado. Ele deixo isso na esperança de Alice encontrá-lo. Alguns dos primeiros artefatos com essa mistura simbólica são encontrados na Antiga Mesopotâmia, agora Iraque moderno, casa dos sumérios. Esse é o local de nascimento de muitas das primeiras civilizações do mundo. Aqui, nós encontramos barras de argila, que são um dos mais antigos documentos escritos já encontrados. Alguns são anteriores a 3.000 anos a.C. As barras retangulares registram os pagamentos em gado, carregamento de gados para pastores de engorda e presentes de gado como uma oferenda. Perceba que, em vez de desenhar uma figura de dez ovelhas, eles desenham um símbolo representando "dez", usando pequenos entalhes, e outro símbolo representando "ovelha" ou "burro", significando simplesmente "dez ovelhas". Chamamos isso de proto-escrita. Finalmente, Alice retorna para a base do rio e encontra a mensagem de Bob. Ela interpreta o significado corretamente: "metade do caminho a oeste do rio abaixo". Então ela caminha rio abaixo em direção ao sol poente, e eles finalmente se encontram. Ao longo do tempo, Bob aprende a falar a língua de Alice, permitindo que usem a mesma linguagem oral para comunicar conceitos compartilhados e ideias. Isso dá a eles uma ideia: a raiz para uma linguagem escrita mais poderosa. Começa com algo muito simples, escrevendo o nome dela. Ela, então, começa a dissociar o som da figura para o nome dela. Alice, Alice... "Al" e "ice". Alice possui como língua materna a língua inglesa. "All", em inglês, significa "todos" e "ice" lê-se "aice", que significa gelo. Ela, então, resolve utilizar o símbolo matemático que significa "qualquer que seja", ou seja, "todos", para "All", e a figura de gelo para "ice", então ficaria assim: All-ice, Alice. Note que o nome dela não tem relação com símbolos individuais. Som mais som é igual a um novo significado. Isso é conhecido como princípio de rebus. Um grande exemplo disso foi encontrado no Egito, ao longo do rio Nilo. Datado de cerca de 3.100 a.C, ele contém uma das primeiras inscrições hieroglíficas já encontradas. A Paleta de Narmer mostra o faraó egípcio Narmer. Atrás, o vemos à esquerda de um prisioneiro ajoelhado, que está prestes a ser atingido por Narmer, que vemos de pé, usando uma coroa. O que procuramos está do outro lado. Entre as duas cabeças bovinas no topo, vemos a inscrição do nome dele, escrito com um peixe e um cinzel, que é traduzido para "Narmer". Os dois sons separados das figuras, juntos, dão um novo significado, e isso representa um desenvolvimento-chave na história da linguagem escrita. Mas, antes que eles pudessem avançar para o que conhecemos como alfabeto, algo tinha que acontecer. Eles precisavam economizar tempo.