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Como e por que a Grécia deixaria o euro (parte 3)

Transcrição de vídeo

Agora que nós temos uma compreensão razoável do por que é tão difícil se chegar a austeridade. 1) Provavelmente não há a vontade política de chegar lá. E, ainda por cima, isso poderia conduzir a Grécia a uma recessão de proporções ainda maiores. E nós também compreendemos porque o calote nâo é uma opção viável para a Grécia. e nós estamos cientes do que uma Grécia monetariamente independente teria feito. Nós agora podemos ter uma boa idéia do que a Grécia é susceptível de fazer, fora qualquer outra intervenção, além de qualquer auxílio vindo de outros membros da Zona Euro. Em próximos vídeos nós falaremos sobre as razões que levam outros países membros da Zona Euro a tentar impedir a Grécia de fazer o que vou a seguir descrever. Assim, em um mundo ideal, a Grécia, se tivesse sua própria moeda, poderia simplesmente imprimi-la o quanto quisesse, dessa forma afastando o espectro de seus compromissos. Da mesma forma, se tivesse sua própria moeda, o que não seria necessariamente uma boa alternativa, porque minaria a confiança de futuros investidores, mas mesmo o calote poderia ser uma alternativa, porque eles ainda teriam controle sobre sua própria moeda e poderiam assim continuar a emití-la e emprestá- la a aquele governo, e então o governo poderia continuar a honrar suas obrigações nominais, mas como eles estão forçando a inflação da moeda, em termos reais a dívida se tornará cada vez menor Então a Grécia, se não receber ajuda dos outros países membros da Zona Euro, se não conseguir sair de seus apuros de alguma forma, o que é mais provável que aconteça é que a Grécia abandone o Euro. E os atuais mecanismos vigentes, e provavelmente reverterá a uma nova versão do dracma. E a maneira pela qual tudo isso realmente se implementaria automaticamante seria pela promulgação de um feriado bancário. E soaria tão atraente como todo evento que inclua a palavra "feriado" embutida mas um feriado bancário é essencialmente um encerramento forçado de todas as atividades bancárias por um certo período de tempo, durante o qual os bancos podem fazer a transição para a nova moeda. Assim, ao início do feriado bancário o Euro era a moeda vigente, e os fundos de que você dispunha em seu banco eram denominados em Euro, mas ao fim desse feriado o dracma seria a nova moeda, e todo o dinheiro disponível em seu banco seria na forma de dracmas. E o que o governo faria essencialmente seria efetuar algum tipo de conversão cambial durante aquele feriado bancário. Eles talvez dirão que cada um Euro que você detenha será convertido em um dracma. E então ficará a cargo dos mercados cambiais de decidir qual será o real valor do câmbio entre o euro e o dracma que será decidido. E a partir daí todas as operações de compra e venda se efetuarão em dracmas. E o governo também decretaria que todas as nossa obrigações seriam expressas em dracmas. O que se constituiria essencialemente em um calote porque se eles disserem a seus credores que "nós não devemos mais a vocês... [onde está o valor?] 356 bilhões de euros", ou na realidade perto de 400 bilhões ou seja que montante for, "nós não devemos mais a vocês 400 bilhões de euros", eles agora dirão "nós devemos a vocês 400 bilhões de dracmas." Ou eles podem mesmo dizer, nós só pagaremos a vocês 200 bilhões de dracmas, ou 100 bilhões de dracmas. Mas independentemente do que eles digam, mesmo se eles disserem que vão lhes pagar um trilhão de dracmas, isso ainda se constituiria em um calote da dívida porque esses credores, para poder fazer face a seus compromissos, estavam à espera de ser pagos em euro. E se você lhes der qualquer outra coisa que não seja euro, Se você lhes pagar em morangos, bananas ou dracmas, isso seria um calote. Assim, pouco importa quantos dracmas eles se comprometeram a dar, isso se constituiria em um não cumprimento da dívida. Mas o povo grego poderia de fato prosseguir com um estilo de vida normal. E uma série de coisas imprevisíveis ocorreriam, mas ao menos o governo seria capaz de imprimir e fazer uso de sua própria moeda para resgatar a dívida governamental e continuar a bancar os gastos do governo e terminar por desvalorizar seus compromissos. Imaginemos um cenário em que, neste momento, seu PIB real, fosse digamos o equivalente a 100 dracmas. E que, continuando a emitir dracmas, a produtividade real da economia não sofresse mudança. A situação poderia mesmo melhorar se, mesmo com a impressão de mais dinheiro não chegarmos a uma hiper inflação. Digamos que ao longo dos próximos 10 anos o PIB real não se altere, mas que o PIB nominal, devido à inflação dos 10 próximos anos, chegue a 500. Os preços, de maneira geral,...inflação, você tinha 5x inflação. Artigos passam a valer 5 vezes mais, você produz os mesmos bens e serviços, eles agora valem 5 vezes mais. Mas agora, aquela dívida que você tem, seus impostos vão aumentar com a inflação porque eles são uma porcentagem de seu PIB mas as suas obrigações de dívida não mudarão. Assim, em termos reais, elas passam a valer 1/5 do valor nominal, o que de repente as torna admissíveis. Agora, como eu disse, isso não é uma operação simples de se efetuar. E não é indolor. E nós nem começamos ainda a falar sobre as repercussões sobre o resto da Europa, e porque isso seria assustador, e faria outra pessoas suspeitosas de países como a Espanha, a Itália etc. E mesmo na Grécia issp seria doloroso. Porque você pode conceber, você pode conceber, nós já começamos a perceber isso em maio de 2012. O governo dirá que cada euro depositado em sua conta bancária agora passa a ser um dracma, mas o povo sabe muito bem que um dracma não valerá tanto quanto um euro. Eles se darão conta de que tão logo o dracma começar a ser trocado em mercados de câmbio estrangeiros, na realidade 1 dracma passará a valer perto de talvez .6 de euro. Ou .7 de euro. Digamos que seja .7 de euro. Então essencialmente devido a esse fato, a poupança e os depósitos de toda a gente, em termos reais, em termos de seu poder global de compra cairá de 30% da noite para o dia. E o povo grego já está prevendo isso. Eles vêem a possibilidade da instauração de um feriado bancário onde se efetuaria a conversão para o dracma. É por isso que se vê gente fazendo fila em frente aos bancos para tentar sacar seus euros. Assim o povo está começando a retirar seus euros, e se eles tiverem uma conta bancária suíça é aí que eles farão depósito ou então eles podem simplesmente sacar os euros e colocá-los sob seus colchões. E isso por si só já é assustador. Os depósitos em banco estão exauridos. Mas lembremos que eles tem um sistema bancário de reservas fracionárias. Eles não esperam que toda a gente apareça em um mesmo dia contando ter acesso a todos os seus depósiots. Então isto vai levar essencialmente a uma corrida aos bancos. E já se começa a ver isso na Grécia, e isso é na realidade um comportamento racional. Se você crê que 30% de sua poupança vai desaparecer por causa deste evento, Eu vou lhe dar .7 de euro para cada euro que você possua, você racionalmente iria ao banco para tomar de volta o valor de seu depósito. Mas como toda a gente começará a fazer isso, os bancos não terão reservas suficientes. Os gregos não tem seu próprio banco central que possa garantir seu sistema bancário. Então isso levaria a enormes falências bancárias. E essencialmente, todo o setor bancário grego entraria em colapso por causa disso. E eles não possuem um banco central independente, independente do Banco Central Europeu, para apagar o fogo da maneira que a Reserva Federal, o Fed, faria nos EUA. Então este não é um cenário límpido; não é um cenário indolor. Mas, fora qualquer outro tipo de assistência, parece ser a única opção de que a Grécia dispõe neste momento.