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Conteúdo principal

Como se medem mudanças no custo de vida

Como é medida a inflação? O que é o índice de preços ao consumidor?

Pontos Principais

  • O Índice de Preços ao Consumidor, ou IPC é uma medida da inflação calculada por estatísticos do governo dos Estados Unidos com base no nível dos preços de uma cesta fixa de bens e serviços que representa as compras do consumidor médio.
  • O índice de núcleo da inflação é uma medida de inflação normalmente calculada tomando por base o IPC e excluindo variáveis econômicas voláteis, como os preços de alimentos e energia, para melhor medir a tendência subjacente e persistente dos preços a longo prazo.
  • O viés qualidade/ novos produtos faz com que a inflação calculada usando-se uma cesta fixa de produtos ao longo do tempo exagere o aumento real do custo de vida, tendo em vista que melhoras na qualidade dos produtos existentes e o surgimento de novos produtos não são considerados nesse cálculo.
  • O viés da substituição faz com que uma taxa de inflação calculada usando-se uma cesta fixa de produtos ao longo do tempo exagere o aumento real do custo de vida, tendo em vista que não considera que as pessoas podem substituir os produtos que tiveram seus preços aumentados desproporcionalmente.
  • Vários índices de preços não são baseados em cestas de bens de consumo. O deflator do PIB é baseado em todos os componentes do PIB. O índice de preços ao produtor baseia-se nos preços de suprimentos e insumos comprados pelos produtores de bens e serviços. O índice de custo de emprego mede inflação salarial no mercado de trabalho. O índice de preços internacional baseia-se nos preços das mercadorias exportadas ou importadas.

Como mudanças no custo de vida são medidas

A mais comumente citada medida de inflação nos Estados Unidos é o Índice de Preços ao Consumidor, ou IPC. O IPC é calculado por estatísticos do governo no Departamento de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos com base nos preços de uma cesta fixa de bens e serviços que representa as compras de uma família média de quatro pessoas.
Nos últimos anos, estes estatísticos atentaram consideravelmente para um problema sutil: a mudança no custo total de compra de uma cesta fixa de bens e serviços ao longo do tempo não é conceitualmente exatamente o mesmo que uma mudança no custo de vida, tendo em vista que o custo de vida representa quanto custa para uma pessoa sentir que o seu consumo fornece um nível igual de satisfação ou utilidade.
Para entender a distinção, imagine que nos últimos 10 anos o custo de aquisição de uma cesta fixa de bens aumentou 25% e seu salário também aumentou 25%. O seu padrão de vida pessoal foi mantido constante?
Se você não comprar necessariamente uma cesta fixa de bens idêntica todos os anos, então um cálculo de inflação com base no custo de uma cesta fixa de bens pode ser uma medida enganosa de como o seu custo de vida tem mudado. Dois problemas surgem aqui: viés da substituição e viés de qualidade/novos bens.
Quando o preço de um bem sobe, os consumidores tendem a comprar menos e a procurar substitutos. Por outro lado, à medida que o preço de um bem cai, as pessoas tendem a comprar mais dele. Este padrão implica que mercadorias com preços geralmente em ascensão devem tender ao longo do tempo a tornarem-se menos importantes na cesta global de bens utilizada para calcular a inflação, enquanto bens com preços em queda devem tender a tornarem-se mais importantes.
Considere, por exemplo, um aumento no preço dos pêssegos em $100 por quilo. Se os consumidores forem totalmente inflexíveis em sua demanda por pêssegos, isso levaria a um grande aumento no preço dos alimentos para os consumidores. Alternativamente, imagine que as pessoas são completamente indiferentes a terem pêssegos ou outros tipos de frutas. Nesse caso, se o preço do pêssego subir, as pessoas mudarão completamente para outras opções de frutas e o preço médio dos alimentos não irá mudar em nada.
Uma cesta de mercadorias fixa, inalterável considera que os consumidores estão presos a comprar exatamente os mesmos bens, independentemente de variações de preços, o que não é uma suposição muito provável. O viés da substituição tende a exagerar o aumento do custo de vida verdadeiro do consumidor porque ele não leva em conta que a pessoa pode substituir mercadorias cujos preços relativos tenham aumentado.
Outro grande problema de se utilizar uma cesta fixa de bens como base para o cálculo da inflação é como lidar com a chegada de versões melhoradas de antigos bens, ou mercadorias completamente novas. Considere o problema que surge se um cereal é melhorado pela adição de 12 vitaminas essenciais e minerais, mas custam 5% a mais por caixa. Seria enganoso considerar o aumento total do preço como inflação porque o novo preço está sendo cobrado por um produto de maior—ou pelo menos diferente—qualidade. Idealmente, nós gostaríamos de saber quanto do preço mais alto é devido à mudança de qualidade e quanto disso é apenas um preço mais elevado. O Departamento de Estatísticas Trabalhistas, ou DET, que é o responsável pela computação do Índice de Preços ao Consumidor, ou IPC—uma medida de inflação calculada com base no nível dos preços de uma cesta fixa de bens e serviços que representa as compras do consumidor médio—deve lidar com essas dificuldades de ajuste para as alterações de qualidade.
Um novo produto pode ser pensado como uma melhoria radical na qualidade, desde algo que não existia até algo já disponível. No entanto, a cesta de bens que foi fixada no passado obviamente não inclui novos bens criados desde então. A cesta de bens e serviços utilizada no IPC é revista e atualizada ao longo do tempo, então novos produtos são incluídos gradualmente. Mas esse processo leva algum tempo.
Por exemplo, ares-condicionados para cômodos foram amplamente vendidos no início dos anos 1950, mas não foram incluídos na cesta de bens do IPC até 1964. Aparelhos de reprodução de videos e computadores pessoais foram disponibilizados no final dos anos 1970 e amplamente vendidos no início dos anos 1980, mas eles não entraram na cesta de bens do IPC até 1987. Por volta de 1996, havia mais de 40 milhões de assinantes de telefones celulares nos Estados Unidos, mas os telefones celulares não faziam ainda parte da cesta de bens do IPC. O desfile de invenções continua e o IPC, inevitavelmente, permanece alguns anos atrasado.
A chegada de novos bens também cria problemas em relação à precisão de medição da inflação. A razão pela qual as pessoas compram bens novos, supostamente, é porque os novos bens oferecem um melhor retorno em relação ao valor pago do que os bens já existentes. Assim, se o IPC deixa de fora novos bens, ele negligencia uma das formas em que o custo de vida está melhorando. Além disso, o preço de um novo bem é muitas vezes maior quando ele é introduzido pela primeira vez e em então diminui ao longo do tempo. Se o novo bem não é incluído no IPC por alguns anos—até que seu preço já esteja mais baixo—o IPC pode perder essa diminuição dos preços por completo.
Considerando esses argumentos, o viés de qualidade/novos bens significa que o aumento do preço de uma cesta fixa de bens ao longo do tempo tende a exagerar o aumento no verdadeiro custo de vida do consumidor, tendo em vista que não leva em consideração como as melhorias na qualidade de bens existentes e a invenção de novos bens melhoram o padrão de vida.

O Índice de Preços ao Consumidor e Índice de Núcleo da Inflação

Imagine que você está dirigindo um caminhão da empresa por todo o país — você provavelmente se importaria com coisas como os preços dos alimentos disponíveis na estrada e dos quartos de hotéis, bem como com as condições de funcionamento do caminhão. No entanto, o gerente da empresa pode ter prioridades diferentes. Eles se importariam mais com a pontualidade do caminhão e muito menos com a comida e hotel do motorista. Em outras palavras, o gerente da empresa presta atenção para a produção da empresa, enquanto ignora elementos transitórios que impactam o motorista, mas não afetam o resultado financeiro da empresa.
Em certo sentido, uma situação semelhante ocorre no que diz respeito às medidas da inflação. Como nós aprendemos, o IPC mede preços que afetam os gastos domésticos diários. O Índice de núcleo da Inflação é um pouco diferente — é geralmente calculado considerando o IPC e excluindo variáveis econômicas voláteis. Desta forma, os economistas têm uma melhor noção das tendências subjacentes nos preços que afetam o custo de vida.
Exemplos de variáveis excluídas incluem energia e preços de alimentos que podem variar mês a mês devido ao clima. Segundo um artigo de Kent Bernhard, durante o furacão Katrina em 2005, um ponto chave de fornecimento de gasolina para a nação estava praticamente bloqueado. Os preços da gasolina rapidamente aumentaram no país, em alguns lugares em mais de 40 centavos por litro em um dia. Isso não foi decorrente de políticas econômicas, mas resultado de um evento de curta duração. Nesse caso, o Índice de Preços ao Consumidor neste mês registraria a mudança como um evento de custo de vida para os moradores, mas o índice de núcleo da inflação permaneceria igual. Como resultado, as decisões do Banco Central americano sobre taxas de juros não seriam influenciadas. Da mesma forma, as secas podem causar picos nos preços de comida ao redor do mundo que, se temporários, não afetam a capacidade econômica do país.
Como observou Ben Bernanke, antigo presidente do Banco Central americano (FED - Federal Reserve Bank), em 1999, sobre o índice que mede o núcleo da inflação: "Ele proporciona um guia melhor para a política monetária do que os outros índices, já que ele mede a inflação estrutural mais persistente em vez de as influências transitórias sobre o nível de preços.” Bernanke também observou que o índice de núcleo da inflação ajuda a informar que nem todo choque inflacionário precisa obter resposta do Banco Central americano uma vez que algumas mudanças de preços são transitórias e não são parte de uma mudança estrutural da economia.
Em suma, tanto o Índice de Preços ao Consumidor quanto o Índice de Núcleo da Inflação são importantes, mas eles servem a públicos diferentes. O IPC ajuda as famílias a entenderem seu custo de vida geral mês a mês, enquanto o Índice de Núcleo da Inflação é a medida preferida para se basear importantes mudanças de políticas governamentais.

Soluções práticas para os vieses de substituição e qualidade/novos produtos

No início dos anos 2000, o Departamento de Estatísticas Trabalhistas americano (DET) estava usando métodos matemáticos alternativos para calcular o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que eram mais complicados do que apenas somar o custo de uma cesta fixa de bens de modo a permitir alguma substituição entre as mercadorias. O DET também estava atualizando mais frequentemente a cesta de bens que compõe o IPC para que produtos novos e melhorados pudessem ser incluídos mais rapidamente.
Para alguns produtos, o DET estava realizando estudos que tentavam medir a qualidade das melhoras. Por exemplo, os computadores. Um estudo econômico pode tentar realizar ajustes por mudanças de velocidade, memória, tamanho da tela e outras características do produto, e então calcular a mudança no preço depois que essas mudanças no produto forem consideradas. Porém estes ajustes são inevitavelmente imperfeitos, e como exatamente fazer tais ajustes é frequentemente uma fonte de controvérsia entre economistas profissionais.
No início dos anos 2000, o viés da substituição e o viés da qualidade/novos bens foram de certo modo se reduzindo. Desde então, o aumento do IPC provavelmente superestima o aumento real da inflação em apenas 0,5% ao ano. Após um ou alguns anos isso não é muito: por uma ou duas décadas, no entanto, mesmo metade deste percentual anual compõe um valor significativamente maior. Além disso, o IPC mostra a trajetória dos preços de lojas físicas e não de sites de compras, como a Amazon, onde os preços podem ser menores.
Ao medir a inflação—e outras estatísticas econômicas também —surge uma troca entre simplicidade e interpretação. Se a taxa de inflação for calculada com uma cesta de bens que é fixa e imutável, então o cálculo da taxa de inflação é simples e direto, mas os problemas de viés da substituição e viés da qualidade/novos produtos aparecem. No entanto, quando a cesta de bens pode mudar e evoluir para refletir a substituição por preços relativos menores, melhorias na qualidade e novos produtos, os detalhes técnicos para calcular a taxa de inflação se tornam mais complexos.

Outros índices de preços

A cesta de produtos que serve de base para o Índice de Preços ao Consumidor representa uma média hipotética das famílias dos Estados Unidos, ou seja, ela não captura exatamente a experiência pessoal de uma pessoa. Quando a tarefa é calcular uma média do nível de inflação, essa abordagem é suficiente. Mas e se estivermos preocupados com a inflação sentida por um certo grupo, como pessoas mais velhas, pessoas vivendo na pobreza, famílias com um único pai ou latinos? Em situações específicas, um índice de preço baseado no poder de compra de um consumidor médio pode não ser o mais adequado.
Esse problema tem uma solução simples. Se o IPC não serve ao propósito desejado, então crie um novo índice, baseado em uma cesta de bens apropriada ao grupo em questão. De fato, o DET publica uma série de índices de preço experimentais—alguns para um grupo em particular, como pessoas vivendo na pobreza; alguns para diferentes regiões geográficas e alguns para certas categorias de produtos mais amplas, como comida ou casa.
O DET também calcula diversos índices de preços que não são baseados em cestas de bens. Por exemplo, o Índice de Preços ao Produtor, ou IPP, é baseado em preços pagos por insumos e suprimentos pelos produtores de bens e serviços. Esse índice pode ser dividido em índices de preços para diferentes indústrias, commodities e estágios de processamento—como produtos acabados, produtos intermediários e materiais crus para processamento adicional.
Há um Índice de Preços Internacionais baseado nos preços de mercadorias que são exportadas ou importadas. Um Índice de Custo de Emprego mede a inflação salarial no mercado de trabalho. O deflator do PIB—medido pelo Departamento de Análises Econômica—é um índice de preços que inclui todos os componentes do PIB. O projeto do Instituto de Tecnologia de Massachusetts Billion Prices Project (Projeto de Bilhões de Preços) é uma alternativa mais recente para tentar medir os preços: dados dos varejistas são coletados online e então compostos em um índice que é comparado ao IPC.
Qual é a melhor medida da inflação? Se você está preocupado com a medida mais exata de inflação, use o deflator do PIB, uma vez que ele pega os preços de bens e serviços produzidos. Lembre-se, porém, que o deflator do PIB não é uma boa medida do custo de vida pois inclui preços de muitos produtos não consumidos por famílias—aviões, motores, construções fabris, complexos de escritórios, escavadeiras, entre outros.
Se você quiser a medida de inflação mais exata que impacta as famílias, use o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), uma vez que ele coleta apenas preços de produtos comprados por famílias—e é por este motivo que o IPC é às vezes chamado de índice de custo de vida. Como o DET afirma no seu website: “A 'melhor'medida da inflação para uma determinada aplicação depende do uso pretendido dos dados.”

Resumo

  • O Índice de Preços ao Consumidor, ou IPC é uma medida da inflação calculada por estatísticos do governo dos Estados Unidos com base no nível dos preços de uma cesta fixa de bens e serviços que representa as compras do consumidor médio.
  • O Índice de Núcleo da Inflação é uma medida de inflação normalmente calculada tomando por base o IPC e excluindo variáveis econômicas voláteis, como alimentos e preços de energia, para melhor medir a tendência subjacente e persistente nos preços de longo prazo.
  • O viés da qualidade/bens novos faz com que inflação calculada usando uma cesta de bens fixa ao longo do tempo exagere o aumento real do custo de vida, pois melhorias na qualidade dos bens existentes e a invenção de novos produtos não são consideradas.
  • O viés da substituição faz com que uma taxa de inflação calculada usando uma cesta fixa de bens ao longo do tempo superestime o aumento real do custo de vida, porque ela não leva em conta que as pessoas podem substituir mercadorias cujos preços subam desproporcionalmente.
  • Vários índices de preços não são baseados em cestas de bens de consumo. O deflator do PIB é baseado em todos os componentes do PIB. O índice de preços ao produtor baseia-se nos preços de suprimentos e insumos comprados pelos produtores de bens e serviços. O índice de custo de emprego mede inflação salarial no mercado de trabalho. O índice de preços internacional baseia-se nos preços das mercadorias exportadas ou importadas.

Questões de autoavaliação

Qual dos índices de preços introduzidos neste artigo seria mais útil para regular o seu salário pela inflação?
O Índice de Preços ao Consumidor está sujeito ao viés da substituição e ao viés da qualidade/novos bens. O Índice de Preços ao Produtor e o Deflator do PIB também estão sujeitos a esses vieses? Por que ou por que não?

Perguntas de revisão

  • Por que o viés de substituição surge se a taxa de inflação é calculada com base em uma cesta fixa de bens?
  • Por que surge o viés de qualidade/novos bens se a taxa de inflação é calculada com base em uma cesta fixa de bens?

Questões de pensamento-crítico

  • Dado o déficit do orçamento federal nos anos recentes, alguns economistas argumentam que ao ajustar os pagamentos da Previdência Social pela inflação medida pelo IPC, a Previdência pagará um valor a maior aos beneficiários. Qual é o argumento usado e você concorda ou não concorda com ele?
  • Por que o deflator do PIB não é uma medida exata da inflação uma vez que ele impacta as famílias?
  • Imagine que os estatísticos do governo que calculam a taxa de inflação têm atualizado a cesta básica de bens uma vez a cada 10 anos, mas agora eles decidiram atualizá-la a cada cinco anos. Como essa alteração afetará a quantidade de viés de substituição e viés de qualidade/novas mercadorias?