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Resgate 7: Banco vai à falência

O que acontece quando não há infusão de capital, e o banco vai à falência. Versão original criada por Sal Khan.

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Transcrição de vídeo

RKA4JL - Olá! Tudo bem com você? Você vai assistir agora a mais uma aula de economia. Nesta aula vamos conversar sobre o que acontece quando um banco vai à falência. Para começar a compreender isso, vamos dizer que inicialmente temos um banco que possui ativos e um passivo, ou seja, um empréstimo a ser pago. Para pagar esse empréstimo, o banco recebeu um resgate financeiro de um fundo soberano. Isso ocorreu porque, quando o empréstimo venceu, ele não poderia vender suas CDOs e ter dinheiro suficiente para pagar essa dívida. Então o banco meio que se manteve firme e não vendeu suas CDOs, mas mesmo assim ele não conseguiu qualquer outro empréstimo para saldar esse empréstimo. Porém, o que ele conseguiu foi convencer alguns estrangeiros que estavam apaixonados pela marca dessa instituição do capitalismo americano. Então, devido a isso, eles estavam dispostos a comprar algumas ações dessa empresa e, essencialmente, resgatá-la. Antes desse resgate, a empresa tinha 500 milhões de ações, porém ela emitiu mais dois bilhões de ações e vendeu cada ação por um dólar e meio. Com isso, o banco conseguiu três bilhões de dólares. E foram três bilhões em dinheiro. Inicialmente a empresa tinha um bilhão em dinheiro, mas agora tem quatro bilhões. Com isso, o banco conseguiu pagar o empréstimo com três bilhões em dinheiro e ainda ficou com um bilhão. No final do dia a empresa ficou com um bilhão em dinheiro e quatro bilhões em CDOs, ou seja, ela ficou com cinco bilhões em ativos. Isso, claro, considerando que essas CDOs realmente valem quatro bilhões. Observe que agora o banco não tem mais nenhum passivo, e por isso tem cinco bilhões de patrimônio líquido. Quando pegarmos aqui alguns dos ativos, vendê-los pelo valor que achamos que valem, claro, e aí pagarmos os nossos passivos, o valor do patrimônio não vai mudar. Vai continuar tendo o mesmo valor líquido. Quando pegamos alguns dos nossos ativos, os vendemos pelo valor que achamos que valem e aí pagamos os nossos passivos, o valor do patrimônio não muda. continua tendo o mesmo valor líquido. Porém, agora, mudou. Então o que aconteceu? Só para você ficar um pouco confortável com um pouco de terminologia, essa empresa aqui agora está completamente "desalavancada" porque não tem passivos, não tem dívidas, e seus ativos são iguais ao seu patrimônio. Você vai encontrar muitas empresas que são startups, empresas de tecnologia, e muitas delas têm pouca dívida ou nenhuma. Elas são empresas completamente desalavancadas. Enfim, o que foi apenas um exemplo de como uma empresa poderia ser resgatada. Mais uma pergunta que deve ser feita aqui: quem perdeu nessa história? Bem, os acionistas perderam, porque antes havia apenas 500 milhões de ações que dividiam o patrimônio. Agora há 2,5 bilhões de ações para dividir esse patrimônio. Portanto, o valor contábil das ações, se você acreditar que essas CDOs realmente valem quatro bilhões, passou de quatro dólares para dois dólares. Eu acho que esse é um ponto importante, porque eu mencionei antes que o preço de mercado é estabelecido quando você compra ou quando vende uma ação, mas isso normalmente é feito entre duas pessoas não relacionadas com a empresa. Então como isso afeta a empresa? Bem, isso afeta a empresa quando ela precisa arrecadar mais dinheiro, e foi o que aconteceu nesse exemplo. A empresa teve que arrecadar mais dinheiro. Com isso, teve que ir a alguns governos. Talvez fosse o governo de Cingapura. No caso é o fundo soberano de riqueza desse país, e aí disse a eles: "Por favor, invista em nossa empresa. Compre algumas de nossas ações." Quando o governo de Cingapura, ou qualquer outro investidor, quer comprar novas ações, eles usam o valor de mercado, ou seja, por quanto as ações estão sendo negociadas, como um bom ponto de referência para o que ele pode ter que pagar para essas ações. Muitas vezes, se essa é uma situação desesperada, e essa pessoa é meio que uma salvadora para você, ela vai pagar abaixo do preço de mercado. Mas às vezes, se ela acha que um ótimo negócio, uma oportunidade de obter um grande número de ações e, essencialmente, assumir o controle da empresa, ou seja, que acaba sendo um prêmio para essa pessoa, ela acaba pagando um pouco mais, ou seja, pagando dois dólares por ação, que é um valor um pouco maior do que o valor de mercado, que no momento é apenas um dólar. Mas de qualquer forma, é por isso que o preço de mercado de algo nos mercados secundários, ou seja, onde uma ação é apenas negociada entre pessoas que não estão relacionadas com a empresa, acaba sendo importante, porque quando a empresa precisa arrecadar dinheiro, é usado um tipo de valor justo de mercado: o preço das ações de uma empresa. Mas de qualquer forma isso aqui foi uma situação em que a empresa foi resgatada. O que eu quero conversar com você, agora, é sobre o que acontece em uma situação em que não chega um resgate. Vamos ver isso aqui agora. Vamos dizer que o resgate do fundo de riqueza soberano nunca aconteceu. Vamos relembrar o que a gente tinha em ativos e passivos. Em relação aos ativos, a gente tinha um bilhão em dinheiro e quatro bilhões em CDOs residenciais. Com isso, tínhamos um total de cinco bilhões em ativos. Em relação aos passivos, a gente tinha aqui o empréstimo C, tendo um total de três bilhões de dólares. Aí o banco tinha um patrimônio próprio, ou um equity, que é essencialmente o total em ativos menos o total em passivos, de dois bilhões de dólares. Dividindo isso entre 500 milhões de ações, encontramos o valor contábil de cada ação. Dessa forma, temos que o valor contábil de cada ação é de quatro dólares. Não vamos nos preocupar muito, agora, com qual é o valor de mercado das ações, ok? Mas vamos dizer que fundos compraram tudo ao redor. Todos os fundos de riqueza soberanos queimaram muito dinheiro investindo no Citibank, Marril Lynch, e em diversos outros bancos em que os valores de mercado caíram muito ou acabaram falindo, ou seja, todo o dinheiro foi queimado e, com isso, eles não querem mais ser os últimos segurando a "batata quente". Sendo assim, não há mais ninguém que esteja disposto a investir em patrimônio, e isso, claro, apenas vai forçar o problema. Afinal, os credores de empréstimo C já falaram que não vão dar um novo empréstimo, e você não pode pagar esse empréstimo, porque mesmo se vender essas CDOs, você vai receber apenas um bilhão de dólares por elas. Isso vai acabar forçando a empresa a falência. E é assim que a falência acontece. Quando você quebra um dos convênios, ou seja, com uma das pessoas que lhe emprestou o dinheiro, os convênios dizem que se você não pagar um empréstimo dentro de um certo período de tempo, ou alguma outra coisa acontecer com as suas finanças, você é declarado insolvente. E aí vai à falência. E o que acontece na falência? Bem, na falência os tribunais de falência basicamente vão tomar conta de todos os seus ativos. Eles apenas dizem para você o seguinte: "Olha, isso aqui é tudo o que você possui, certo?" Ah, mas não vamos entrar nos detalhes disso agora. Talvez eu faça uma série inteira de vídeos sobre os detalhes de uma falência, mas esse não é o foco principal aqui nesse momento. Mas vamos dizer que os tribunais vão olhar para você e, ao longo desse processo, tentar ver se existe algum tipo de empréstimo que ajude você a continuar fazendo negócios, porque é preciso ainda descobrir se você, como empresa, será reestruturado pagando os seus passivos, ou se vão apenas dissolver você, justamente pelo fato de você não ser mais uma entidade viável. Mas, de qualquer maneira, o tribunal de falências vai tomar conta de você, e vamos supor que nessa situação aqui você vai ser dissolvido. Dessa forma, o tribunal vai dividir tudo o que você tem entre as partes interessadas, ou seja, as pessoas a quem você deve dinheiro. Na verdade, vamos supor o contrário: vamos dizer que o tribunal decidiu não dissolver você. Vamos dizer que todo mundo concorda que sua marca vale muito. O Goldman Lynch ou o Lehman Sachs são marcas que valem muito. Em um caso como esse, ninguém quer ver essas marcas desaparecerem. Então o que acontece quando você entrar em falência? Bem, os credores recebem os primeiros direitos em tudo. Uma maneira de pensar sobre isso é que os credores do empréstimo, do empréstimo C, recebem os primeiros direitos sobre os ativos. Aí qualquer coisa que sobrar vai para os acionistas. Nesse caso, vamos dizer que os caras do empréstimo C digam que querem manter o banco como uma entidade, mas querem descartar essas CDOs. Diante desse cenário, o tribunal de falências vai dizer: "Ok, vamos liquidar essas CDOs, só porque todos concordam que elas são realmente sombrias." As CDOs são vendidas, mas consegue-se apenas um bilhão de dólares por elas. Dessa forma, teremos aqui dois bilhões em ativos, em que, essencialmente, são dois bilhões de dólares em dinheiro. E isso é tudo o que existe. Além disso, provavelmente existem alguns edifícios que não estamos listando aqui. Também tem a marca e tudo isso. Porém, a esse cara é devido três bilhões. Então ele diz: "Ok, você sabe o que eu vou fazer: eu vou ficar com isso e manter a empresa em execução. Vou manter esses dois bilhões de dólares nela, mas eu quero tudo das novas ações da empresa." Diante disso, o tribunal de falências vai fazê-los criarem uma nova entidade corporativa, e com isso todos esses ativos serão colocados nessa nova entidade e serão emitidas outras 100 milhões de ações, ou seja, será criada uma nova entidade, em que a nova entidade tem dois bilhões de dólares em ativos. Dois bilhões em dinheiro. E digamos que não tenha nenhuma outra dívida. Mas existe também a possibilidade desses credores falarem que precisamos realmente dar algum dinheiro. Só que eu não vou entrar nesse ponto aqui agora porque eu não quero confundir as coisas aqui, e também vamos dizer que esse banco não tenha outras dívidas. Com isso, essa nova empresa terá dois bilhões de patrimônio e terá 100 milhões de ações. Portanto, o novo valor contábil de cada ação é 20 dólares por ação. É aí que você vai me dizer o seguinte: "Olha, isso é ótimo! E eu bem que poderia ter comprado ações dessa empresa antes, quando custava um dólar, porque agora cada ação está valendo 20 dólares." Mas não, não é esse o caso. Na verdade, é horrível. Essas ações, ações da velha empresa, valem zero, porque quando a empresa foi liquidada... Na verdade, ela não foi liquidada, né? Os novos donos apenas liquidaram as CDOs e ficaram com dois bilhões de dólares em caixa. A empresa devia três bilhões de dólares ao credor, mas o credor disse: "Quer saber? Eu vou pegar toda a empresa para mim, e nem com isso eu vou conseguir tudo o que eu mereço, mas eu vou conseguir toda a empresa." Então, essencialmente, quem realizou o empréstimo C possui, agora, todas as ações da empresa. Os acionistas antigos foram eliminados, ou seja, eles não são mais acionistas da empresa. Então todas essas ações antigas agora valem zero. Esse é o ponto interessante nesse exemplo, porque eu vi pessoas dizendo que poderiam ter comprado ações do Lehman Brothers por um dólar, e que isso seria um ótimo negócio. Mas não é esse o caso. Essas pessoas vão dizer que o Lehman Brothers tem todos esses ativos e que isso nunca vai completamente desaparecer. Pode ser verdade até certo ponto, até porque os ativos do Lehman Brothers podem ser maiores do que os seus passivos, mas durante a crise de 2008, o patrimônio dessa instituição acabou ficando negativo. Portanto, um dólar por ação não é um grande negócio. Se você realmente pensou que o Lehman Brothers no longo prazo ia voltar, o que você deveria fazer é, de alguma forma, tentar se tornar um de seus detentores de títulos. Aí, quando a instituição passasse pela falência, do outro lado da falência você poderia acabar tendo algumas ações do novo banco, ou seja lá como for chamado. Enfim, eu espero que você tenha compreendido a ideia, mas uma coisa que ainda vamos conversar em outro momento é que diante de todas essas discussões que realizamos vamos mostrar porque o sistema financeiro ficou congelado na crise de 2008 e o que o resgate financeiro do governo buscou fazer. Então um forte abraço e até a próxima!