Pontos Principais

  • O modelo de oferta e demanda agregadas é um modelo que mostra o que determina a oferta total ou a demanda total da economia e como a demanda e oferta totais interagem a nível macroeconômico.
  • A curva de demanda agregada, ou curva DA, desloca-se para a direita à medida que os componentes da demanda agregada—gastos de consumo, despesas de investimento, gastos do governo e gastos de exportações menos importações—aumentam. A curva DA se deslocará de volta para a esquerda à medida que esses componentes caiam.
  • Componentes de AD podem mudar por causa de escolhas pessoais diferentes—como aquelas resultantes da confiança do consumidor ou de negócios—ou de escolhas políticas, como as mudanças nos gastos do governo e impostos.
  • Se a curva de DA se desloca para a direita, então a quantidade de equilíbrio de produção e o nível de preços aumentará. Se a curva de DA se desloca para a esquerda, então, a quantidade de equilíbrio de produção e o nível de preços cairão.
  • Se a produção em equilíbrio muda relativamente mais do que o nível de preços ou se o nível de preços muda relativamente mais do que a produção, depende do local onde a curva DA intersecta a curva de oferta agregada, ou curva OA.

Introdução

Nós aprendemos anteriormente—no artigo das curvas de demanda agregada e de oferta agregada—que a demanda agregada é composta por quatro componentes: gastos de consumo, gastos de investimento, gastos do governo e gastos com exportação menos importação.
Nós podemos expressar a demanda agregada usando a seguinte fórmula, onde C\text{C}, I\text{I}, G\text{G}, X\text{X} e M\text{M} representam gastos de consumo, gastos de investimento, gastos do governo, gastos com exportação e gastos com importação, respectivamente:
DA=C+I+G+XM\text{DA} = \text{C} + \text{I} + \text{G} + \text{X} - \text{M}
Mas por que há um sinal de menos na frente das importações? Isso significa que mais importações resultarão em um menor nível de demanda agregada?
Pense nisto desta forma—quando um americano compra um produto estrangeiro, ele é contado com todos os outros consumos. Mas a renda gerada não vai para os produtores americanos; ela vai para os produtores em outro país. Seria errado contá-lo como parte da demanda interna. Para justificar esta situação, as importações adicionadas ao consumo, C\text{C}, são subtraídas de volta M\text{M} no termo da equação acima.
Devido à forma como a equação de demanda é escrita, é fácil cometer o erro de achar que as importações são ruins para a economia. Apenas tenha em mente que todo número negativo no termo M\text{M} tem um número positivo correspondente no termo C\text{C}, I\text{I} ou G\text{G}, e eles sempre se cancelam.
Aumentar qualquer um desses componentes desloca a curva DA para a direita, levando a um maior PIB real e a uma pressão ascendente sobre o nível de preços. Diminuir qualquer um desses componentes desloca a curva DA para a esquerda, levando a um menor PIB real e a um menor nível de preços.
Se essas mudanças no nível de produção e de preços são relativamente grandes ou relativamente pequenas, e como a mudança de equilíbrio se relaciona com o PIB potencial, depende se a mudança na curva DA ocorre na porção relativamente plana ou relativamente íngreme da curva de oferta agregada de curto prazo, ou curva OACP.
Neste artigo, iremos discutir duas grandes categorias que podem fazer com que a curva DA mude—mudanças no comportamento dos consumidores ou empresas e mudanças nas políticas de impostos e de gastos do Governo.

Como mudanças dos consumidores e empresas afetam a DA?

Quando os consumidores se sentem mais confiantes sobre o futuro da economia, eles tendem a consumir mais. Se a confiança das empresas é alta, então as empresas tendem a gastar mais com o investimento, acreditando que o retorno futuro desse investimento será substancial. Por outro lado, se a confiança dos consumidores ou das empresas cair, o consumo e os gastos de investimento diminuem.
A Universidade de Michigan publica mensalmente uma pesquisa sobre a confiança do consumidor e constrói um índice de confiança do consumidor. De acordo com o índice, a confiança do consumidor era em torno de 90 antes da Grande Recessão, e depois caiu para menos de 60 no final de 2008—a menor desde 1980. Desde então, a confiança subiu de 55,8 em 2011 para um nível pouco acima de 80, que é considerado perto de um estado saudável.
Uma medida de confiança empresarial é publicada pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE: as pesquisas de tendência de negócios. Dados de pesquisas de opinião de negócios são coletados para 21 países sobre preços de venda futuros e emprego, entre outros elementos do clima de negócios. Depois de uma forte queda durante a Grande Recessão, a medida da OCDE voltou a ficar acima de zero—o indicador cai abaixo de zero quando as perspectivas de negócios são mais fracas do que o normal—e está de volta às médias de longo prazo.
Na realidade, nenhuma destas medidas de pesquisa é muito precisa. No entanto, elas podem sugerir quando a confiança está subindo ou caindo, bem como quando ela é relativamente alta ou baixa em comparação com o passado.
Tendo em vista que um aumento na confiança está associado com maior consumo e demanda de investimento, isto leva a um deslocamento para a direita na curva DA. Se você olhar o gráfico A abaixo à esquerda, você verá que esse deslocamento move o equilíbrio de E0\text{E0} para E1\text{E1}—uma quantidade maior de produção e um nível de preço mais elevado.
Mudanças na demanda agregada
Os dois gráficos mostram como a demanda agregada se movimenta. O gráfico da esquerda mostra a demanda agregada se deslocando para a direita em direção à linha vertical do PIB potencial. O gráfico da direita mostra a demanda agregada se deslocando para a esquerda, distanciando-se da linha vertical do PIB.
Crédito da imagem: Figura 1 em "Shifts in Aggregate Demand" por OpenStaxCollege, CC BY 4.0
A confiança dos consumidores e das empresas frequentemente reflete as realidades macroeconômicas. Por exemplo, a confiança geralmente é alta quando a economia está crescendo vigorosamente e baixa durante uma recessão. No entanto, a confiança econômica às vezes pode subir ou cair devido a fatores que não têm uma conexão próxima com a economia imediata, como um risco de guerra, resultados eleitorais, eventos de política externa ou uma previsão pessimista sobre o futuro por uma figura pública proeminente.
Os presidentes dos EUA, por exemplo, devem ser cuidadosos em seus pronunciamentos públicos sobre a economia. Se um presidente faz declarações pessimistas sobre a economia, ele corre o risco de provocar um declínio na confiança, o que reduz o consumo e investimento, deslocando a DA para a esquerda e causando a recessão contra a qual o presidente havia inicialmente advertido. Você pode ver graficamente como seria esse cenário no gráfico B, acima à direita. Um deslocamento de DA para a esquerda move o equilíbrio de E0\text{E0} para E1\text{E1}, uma menor quantidade de produção e um nível de preço mais baixo.

Escolhas de política macroeconômica do governo podem deslocar a DA.

Porque o governo tem influência sobre diversos componentes da demanda agregada, ele tem o poder de mudar a DA por meio de suas escolhas de políticas.
Tomemos, por exemplo, os gastos do governo—um componente da DA. Uma despesa maior do governo faz com que a DA se desloque para a direita—veja o gráfico A, acima à esquerda—enquanto os gastos governamentais mais baixos levarão a DA a se deslocar para a esquerda—veja o gráfico B, acima à direita.
A política tributária também pode afetar o consumo e os gastos de investimento. Reduções de impostos para as pessoas físicas tendem a aumentar a demanda de consumo, enquanto aumentos de impostos tendem a diminuí-la. A política tributária também pode impulsionar a demanda de investimento, oferecendo taxas de impostos mais baixas para empresas ou reduções de impostos que beneficiem tipos específicos de investimento. Uma vez que tanto o consumo como o investimento são componentes da demanda agregada, a mudança de qualquer um deles deslocará a curva DA como um todo.
Durante uma recessão, quando o desemprego é alto e muitos negócios estão sofrendo com lucros baixos ou mesmo perdas, o Congresso dos EUA muitas vezes aprova cortes de impostos. Durante a recessão de 2001, por exemplo, um corte de impostos foi promulgado em lei. Em tais momentos, muitas vezes a retórica política se concentra em como as pessoas que estão passando por tempos difíceis precisam de um alívio nos impostos. O quadro de oferta agregada e de demanda agregada, no entanto, oferece uma justificativa complementar.
Vamos examinar a situação graficamente usando o modelo DA/OA abaixo. O equilíbrio original durante a recessão está no ponto E0\text{E0}, relativamente longe do nível de pleno emprego de produção. O corte de impostos, aumentando o consumo, desloca a curva DA para a direita. No novo equilíbrio, E1\text{E1}, o PIB real aumenta e o desemprego cai e—porque neste gráfico a economia ainda não atingiu o seu nível potencial ou de pleno emprego do PIB—qualquer aumento no nível de preço permanece fraco.
Uma das divisões mais fundamentais na política americana ao longo das últimas décadas tem sido entre aqueles que acreditam que o governo deve cortar substancialmente os impostos e aqueles que discordam.
Ronald Reagan chegou à presidência em 1980, em parte por causa de sua promessa, logo realizada, de decretar um corte substancial de impostos. George Bush perdeu sua tentativa de reeleição contra Bill Clinton em 1992, em parte porque ele havia quebrado sua promessa de 1988: "Leia meus lábios! Sem novos impostos!". Na eleição presidencial de 2000, tanto George W. Bush como Al Gore defenderam cortes substanciais de impostos, e Bush conseguiu empurrar um pacote de cortes de impostos pelo Congresso no início de 2001. As disputas sobre os cortes de impostos muitas vezes também pegam fogo em níveis estadual e local.
De que lado estão os economistas? Será que eles apoiam amplos cortes de impostos ou se opõem a eles? A resposta, insatisfatória para fanáticos de ambos os lados, é que depende. Uma questão é se os cortes de impostos são acompanhados por cortes de gastos do governo igualmente grandes. Os economistas têm opiniões divergentes sobre quão grandes devem ser os gastos do governo e quais programas podem ser reduzidos.
Uma segunda questão, mais relevante para a discussão neste capítulo, diz respeito a quanto a economia está em relação ao nível de produção no pleno emprego. Em uma recessão, quando a interseção entre as curvas DA e OACP está muito abaixo do nível do pleno emprego, cortes de impostos podem fazer sentido como forma de deslocamento da DA para a direita. No entanto, quando a economia já está indo muito bem, cortes de impostos podem deslocar substancialmente a DA para a direita, gerando pressões inflacionárias, com pequeno ganho ao PIB.
Com a estrutura OA/DA em mente, muitos economistas podem facilmente acreditar que as reduções de impostos de Reagan de 1981, que entraram em vigor logo após duas recessões graves, foram políticas econômicas benéficas. Da mesma forma, os cortes de impostos de Bush de 2001 e os cortes de impostos de Obama de 2009 foram decretados durante recessões. No entanto, alguns dos mesmos economistas que preferem cortes de impostos em tempos de recessão teriam dúvidas em relação a cortes de impostos idênticos em um momento em que a economia estivesse se saindo bem e o desemprego cíclico fosse baixo.
Recessão e pleno emprego no modelo OA/DA
O gráfico mostra um exemplo de um deslocamento da demanda agregada. A mais elevada das duas curvas de demanda agregada está mais próxima da linha vertical do PIB potencial e, portanto, representa uma economia com baixo desemprego. Em contrapartida, a curva de demanda agregada mais abaixo está muito mais distante da linha do PIB potencial e, portanto, representa uma economia que pode estar sofrendo uma recessão.
Créditos da Imagem: Figure 2, em "Shifts in Aggregate Demand", de OpenStaxCollege, CC BY 4.0
Outras ferramentas de política também podem deslocar a curva de demanda agregada. Por exemplo, a Reserva Federal pode afetar as taxas de juros e a disponibilidade de crédito. Taxas de juros mais altas tendem a desencorajar o endividamento e, assim, reduzir tanto os gastos domésticos em itens de valores altos, como casas e carros como os gastos de investimento das empresas. Por outro lado, taxas de juros mais baixas estimularão a demanda por consumo e investimento. As taxas de juros também podem afetar as taxas de câmbio, o que, por sua vez, terá efeitos sobre os componentes de exportação e importação da demanda agregada.

Resumo

  • O modelo de oferta e demanda agregadas é um modelo que mostra o que determina a oferta total ou a demanda total da economia e como a demanda total e a oferta total interagem em um nível macroeconômico.
  • A curva de demanda agregada desloca-se para a direita à medida que os componentes da demanda agregada—gastos de consumo, despesas de investimento, gastos do governo e gastos de exportações menos importações—aumentam. A curva DA se deslocará de volta para a esquerda à medida que esses componentes caiam.
  • Componentes de AD podem mudar por causa de escolhas pessoais diferentes—como aquelas resultantes da confiança do consumidor ou de negócios—ou de escolhas políticas, como as mudanças nos gastos do governo e impostos.
  • Se a curva de DA se desloca para a direita, então a quantidade de equilíbrio de produção e o nível de preços aumentará. Se a curva de DA se desloca para a esquerda, então, a quantidade de equilíbrio de produção e o nível de preços cairão.
  • Se a produção em equilíbrio muda relativamente mais do que o nível de preços ou se o nível de preços muda relativamente mais do que a produção, depende do local onde a curva DA intersecta a curva OA.

Questões de autoavaliação

Como um aumento dramático no valor do mercado de ações deslocaria a curva DA? Que efeito teria a mudança no nível de equilíbrio do PIB e no nível de preços?
Um aumento no valor do mercado acionário faria os indivíduos se sentirem mais ricos e, portanto, mais confiantes sobre sua situação econômica. Isso provavelmente causaria um aumento na confiança dos consumidores, levando a um aumento no consumo, gastos, deslocando a curva de DA para a direita. O resultado seria um aumento do nível de equilíbrio do PIB e um aumento no nível de preços.
Suponha que o México, um dos nossos maiores parceiros comerciais e comprador de uma grande quantidade de nossas exportações, entre em recessão. Use o modelo OA/DA para determinar o provável impacto sobre nosso PIB de equilíbrio e nível de preços.
Uma vez que as importações dependem do PIB, se o México entrar em recessão, seu PIB diminui, assim como suas importações. Esse declínio em nossas exportações pode ser mostrado como um deslocamento para a esquerda na DA, levando a uma queda em nosso PIB e no nível de preços.
Um formulador de políticas afirma que os cortes de impostos tiraram a economia de uma recessão. Podemos usar o gráfico de DA/OA para mostrar isso?
Os cortes de impostos aumentam o consumo e gastos de investimentos, dependendo de para onde eles são direcionados. Isso deslocaria DA para a direita. Se os cortes de impostos ocorressem quando a economia estivesse em recessão—e o PIB fosse menor do que o potencial—os cortes de impostos aumentariam o PIB e "tirariam a economia da recessão."
Muitos analistas financeiros e economistas aguardam ansiosamente por relatórios sobre o índice de preços domésticos e índice de confiança do consumidor. Quais seriam os efeitos de relatórios negativos sobre ambos? E quanto a relatórios positivos?
Um relatório negativo sobre os preços de moradias faria com que os consumidores sentissem que o valor de suas casas—que para a maioria dos americanos é uma parte importante da sua riqueza—diminuiu. Um relatório negativo na confiança dos consumidores faria com que os consumidores se sentissem pessimistas sobre o futuro. Esses dois casos provavelmente reduziriam o gasto dos consumidores, deslocando a DA para a esquerda, reduzindo o PIB e o nível de preços.
Um relatório positivo sobre o índice de preços das moradias ou a confiança dos consumidores faria o oposto.

Perguntas de revisão

  • Nomeie alguns dos fatores que poderiam causar o deslocamento da DA e explique se deslocariam a DA para a direita ou para a esquerda.
  • Um deslocamento da DA para a direita tenderia a aumentar ou diminuir a quantidade de equilíbrio e o nível de preço? E se fosse um deslocamento da DA para a esquerda?

Perguntas de pensamento crítico

  • Se as famílias decidissem poupar uma parcela maior de sua renda, qual efeito isso teria sobre a produção, o emprego e o nível de preços no curto prazo? E quanto ao longo prazo?
  • Se as empresas se tornassem mais otimistas sobre o futuro da economia e, ao mesmo tempo, inovação em impressão 3D fizesse a maioria dos trabalhadores se tornarem mais produtivos, qual seria o efeito combinado na produção, no emprego e no nível de preços?
  • Se o Congresso dos EUA cortasse impostos ao mesmo tempo em que as empresas se tornassem mais pessimistas sobre a economia, qual seria o efeito combinado sobre a produção, o nível de preços e emprego, com base no diagrama OA/DA?

Créditos

Este artigo é uma versão modificada derivada de "Shifts in Aggregate Demand" por OpenStaxCollege, CC BY 4.0.
O artigo adaptado está autorizado sob a licença CC BY-NC-SA 4.0
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