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Persépolis: salão de audiência de Dario e Xerxes

Ensaio do Dr. Jeffrey Becker
Crescimento do império Aquemênida sob reis diferentes (fonte)
No início do século V a.C., o Império Aquemênida (Persa) governava cerca de 44% da população humana no planeta Terra. Através de administradores regionais, os reis Persas controlavam um vasto território que eles buscavam constantemente expandir. Famosos pela arquitetura monumental, os reis Persas estabeleceram diversos centros monumentais, entre os quais está Persépolis (hoje, no Irã). O grande auditório dos reis Persas Dario e Xerxes apresenta um microcosmo visual do Império Aquemênida, deixando claro, através da decoração escultural, que o rei Persa reinava sobre todos os embaixadores e vassalos subjugados (que são mostrados trazendo tributos em uma procissão eterna sem fim).

Visão geral do Império Aquemênida

O Império Aquemênida (Primeiro Império Persa) foi um estado imperial da Ásia Ocidental fundado por Ciro o Grande, e que prosperou de cerca de 550 a 330 a.C.. O território do império era vasto, indo da península Balcânica no oeste ao vale do Rio Indo no leste. O Império Aquemênida é marcante em função da sua forte e centralizada estrutura administrativa, que tinha como líder um rei e contava com sátrapas regionais (governadores regionais).
Cílice retratando um hoplita Grego matando um Persa, do pintor Triptólemo, século V a.C. (Museu Nacional da Escócia)
Diversos estados anteriormente independentes foram subjugados pelo Império Persa. Esses estados cobriam um vasto território desde a Ásia central e Afeganistão no leste até a Ásia Menor, Egito, Líbia e Macedônia no oeste. Sabe-se que os persas tentaram expandir ainda mais seu império para incluir a Grécia continental, mas acabaram sendo derrotados nessa tentativa. Os reis Persas são conhecidos por seu pendor para a arte e a arquitetura monumental. Ao criar centros monumentais, incluindo Persépolis, os reis Persas empregaram a arte e a arquitetura para elaborar mensagens que ajudaram a reforçar suas reivindicações de poder e representar, iconograficamente, o governo Persa.

Visão geral de Persépolis

Persépolis, a capital cerimonial do império Persa Aquemênida (c. 550-330 a.C.), fica cerca de 60 km a nordeste de Xiraz, Irã. As ruínas arqueológicas mais antigas da cidade datam de c. 515 a.C.. Persépolis, um topônimo grego que significa "cidade dos Persas", era conhecida pelos Persas como Pārsa e era uma cidade importante no mundo antigo, renomada por sua arte e arquitetura monumental. O sítio foi escavado pelos arqueólogos Alemães Ernst Herzfeld, Friedrich Krefter e Erich Schmidt entre 1931 e 1939. Suas ruínas são surpreendentes ainda hoje, o que levou a UNESCO a registrar o local como Patrimônio da Humanidade em 1979.
Persépolis foi intencionalmente fundada na Planície de Marvdasht durante o final do século VI a.C.. Ela foi marcada como um local especial por Dario o Grande (que reinou entre 522 e 486 a.C.) em 518 a.C., quando ele definiu a localização de uma "Colina Real" que serviria como centro cerimonial e fortaleza para a cidade. Essa ação de Dario foi similar à do rei anterior, Ciro o Grande, que fundou a cidade de Pasárgada. Dario o Grande conduziu um enorme programa de construção em Persépolis, que continuaria sob seus sucessores Xerxes (r. 486-466 a.C.) e Artaxerxes I (r. 466-424 a.C.). Persépolis continuaria sendo um local importante até ser saqueada, pilhada e queimada por Alexandre o Grande da Macedônia, em 330 A.C.
Planta de Persépolis fonte
O Projeto de Dario em Persépolis incluía a construção de uma imensa plataforma disposta em terraços, cobrindo 125.000 metros quadrados do promontório. Essa plataforma sustentava quatro grupos de estruturas: alojamentos residenciais, uma tesouraria, palácios cerimoniais e fortificações. Estudiosos continuam a debater sobre o propósito e a natureza do local. Fontes primárias indicam que Dario se via construindo uma importante fortaleza. Alguns estudiosos sugerem que o local tem uma conexão sagrada com o deus Mitra (Mehr) e também se relaciona com o Nowruz, o festival do ano novo persa. Textos mais gerais veem Persépolis como um importante centro administrativo e econômico do Império Persa.

Apadana

Capitel de Touro de Persépolis, Apadana, Persépolis (Fars, Irã), c. 520-465 a.C. (foto: Alan Cordova, CC BY-NC-ND 2.0) (Fars, Iran) (Museu Nacional do Irã) (foto: [s1ingshot]
O palácio Apadana é uma ampla construção cerimonial, provavelmente um auditório com um pórtico associado. O auditório em si é um hipostilo, o que significa que a estrutura do teto é sustentada por colunas. Apadana é o termo persa equivalente ao hipostilo grego (grego antigo: ὑπόστυλος hypóstȳlos). A área do Apadana é de cerca de 1.000 metros quadrados; originalmente 72 colunas, cada uma com uma altura de 24 metros, sustentavam o teto (apenas 14 colunas continuam de pé hoje). Os capitéis das colunas assumiam a forma de touros (acima), águias ou leões, todos animais que representavam a autoridade real e a monarquia.
Apādana, Persépolis (Fars, Irã), c. 520-465 a.C. (foto: Alan Cordova, CC BY-NC-ND 2.0)
Reconstrução de Apādana no século XIX, Persépolis (Fars, Irã) por Charles Chipiez
Presume-se que o rei do Império Persa Aquemênida tenha recebido visitantes e tributos em seu espaço alto e imponente. Com esse objetivo uma sequencia de esculturas decoram escadarias monumentais no norte e no leste. O tema dessas esculturas é a prestação de tributo ao próprio rei Persa, ao mostrar representantes de 23 nações subjugadas levando presentes para ele.

As escadas de Apadana e seu projeto escultural

As escadarias monumentais que levam ao Apadana pelo norte e o leste eram adornadas com escultura em relevo, que retratavam os representantes de vinte e três nações subjugadas pelo império Persa levando presentes valiosos como tributo ao rei. As esculturas formam um cenário de procissão, levando alguns estudiosos a concluír que os relevos capturam uma cena real, de procissão anual de tributos, talvez na ocasião do Ano Novo Persa, que acontecia em Persépolis. O projeto do relevo da escadaria norte talvez tenha sido terminado em cerca de 500-490 a.C.. Os dois conjuntos de relevos das escadarias se refletem e se complementam. Cada projeto tem uma cena central do rei no trono ladeado por seus assistentes e guardas.
Escadaria leste, Apadana, Persépolis (Fars, Irã), c. 520-465 A.C.
Nobres vestindo trajes da elite e vestimentas militares também estão presentes. Os representantes das vinte e três nações, cada um guiado por um servo, prestavam tributo vestidos com roupas indicativas de sua terra de origem. Margaret Root interpreta as cenas centrais do rei no trono como o ponto focal de toda a composição, talvez até mesmo refletindo eventos que ocorreram dentro do próprio Apadana.
Um portador de tributo Armênio carregando um vaso de metal com alças de Homa (grifo), relevo da escada leste do Apadana em Persépolis: (Fars. Irã), c. 520-465 a.C. (foto: Aryamahasattva, CC BY-SA 3.0)
O projeto de relevo do Apadana serve para reforçar e ressaltar o poder do rei Persa e a amplitude do seu domínio. O tema dos povos subjugados oferecendo sua riqueza para a autoridade central do império serve para solidificar visualmente seu domínio político. Essas cenas de procissão podem ter exercido influência além do território Persa, e alguns estudiosos discutem a possibilidade de que a escultura Persa em relevo de Persépolis tenha influenciado escultores atenienses do século V a.C. que tinham a tarefa de criar um friso jônico do Partenon em Atenas. De qualquer forma, o Apadana, tanto como construção quanto como um painel ideológico, faz uma afirmação clara e forte da autoridade do rei Persa, e apresenta uma ideia visual unificada do imenso império Aquemênida.
Ensaio do Dr. Jeffrey A. Becker

Recursos adicionais:

John Boardman, Persia and the West: an archaeological investigation of the genesis of Achaemenid art (New York: Thames & Hudson, 2000).
John Curtis, Nigel Tallis, and Béatrice André-Salvini, Forgotten Empire: The World of Ancient Persia (Berkeley : University of California Press, 2005).
John Curtis, The world of Achaemenid Persia: history, art and society in Iran and the ancient Near East: proceedings of a conference at the British Museum, 29th September-1st October 2005 (London: I. B. Tauris, 2010).
Wolfram Kleiss, “Zur Entwicklung der achaemenidischen Palastarchitektur,” AMI 14 (1981) pp. 199-211.
Margaret Cool Root, "The king and kingship in Achaemenid art: essays on the creation of an iconography of empire" (Acta Iranica; 19) (Leiden: E. J. Brill, 1979).
Margaret Cool Root, "The Parthenon Frieze and the Apadana Reliefs at Persepolis: Reassessing a Programmatic Relationship," American Journal of Archaeology 89.1 (1985) pp. 103–122.
Erich Friedrich Schmidt, Persepolis 3 v. (Chicago: University of Chicago Press, 1953-1970).
A. S. Shahbazi, “The Persepolis "Treasury Reliefs’ Once More,” AMI 9 (1976) pp. 151-56.
Robert E. Mortimer Wheeler, Flames over Persepolis: Turning Point in History (London, 1968).

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