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Introdução à arte antiga Grega

por Dr. Renee M. Gondek
Ictinos e Calícrates, Partenon, Acrópole, Atenas, 447-432 a.C.
Ictinos e Calícrates, Partenon, Acrópole, Atenas, 447-432 a.C.

Uma língua, uma religião e uma cultura compartilhadas

A Grécia Antiga pode parecer estranhamente familiar. Das façanhas de Aquiles (o herói do antigo poema épico de Homero, A Ilíada), sobre a Guerra de Troia, e de Ulisses (o herói de Homero em A Odisseia), aos tratados de Aristóteles, das medidas rigorosas do Partenon (acima) ao caos rítmico de Laocoonte (abaixo), a cultura Grega antiga moldou nosso mundo. Graças ao notáveis sítios arqueológicos, às bem conhecidas fontes literárias, e ao impacto de Hollywood (Fúria de Titãs, por exemplo), esta civilização é incorporada em nossa consciência coletiva — sugerindo visões de batalhas épicas, filósofos eruditos, templos brancos brilhantes e nus sem membros (agora sabemos que as esculturas — mesmo aquelas que decoravam os templos como o Partenon — foram brilhantemente pintadas e, é claro, o fato de muitas vezes estarem sem os membros é resultado dos estragos do tempo)
Atenodoro, Agesandro e Polidoro de Rodes, Laocoonte e seus filhos, início do primeiro século d.C., mármore, 2,4 metros de altura (Museu do Vaticano)
Atenodoro, Agesandro e Polidoro de Rodes, Laocoonte e seus Filhos, início do primeiro século d.C., mármore, 2,4 metros de altura (Museu do Vaticano)
Dispersos ao redor do Mediterrâneo e divididos em unidades autônomas chamadas pólis ou cidades-estado, os Gregos antigos eram unidos por uma língua, uma religião e uma cultura comuns. Fortalecendo ainda mais estes laços havia os chamados santuários "pan-helênicos" e os festivais dos quais participavam "todos os Gregos" e que incentivavam a interação, a competição e o intercâmbio (por exemplo, os Jogos Olímpicos, que eram realizados no santuário Pan-helênico em Olímpia). Embora a compreensão popular moderna sobre o mundo Grego antigo seja baseada na arte clássica da Atenas do século V a.C., é importante reconhecer que a civilização Grega era vasta e não se desenvolveu do dia para a noite.

Da Idade das Trevas (c. 1100 - c. 800 a.C.) ao Período Orientalizante (c. 700 - 600 a.C.)

Após o colapso da Civilização Micênica no fim da Idade do Bronze, tradicionalmente se entendeu que o continente Grego entrou na "Idade das Trevas", que durou de c. 1100 até c. 800 a.C. Não apenas o complexo sistema sociocultural dos Micenas desapareceu, como também suas grandes realizações (isto é, a metalurgia, as construções em larga escala, a escrita). No entanto, a descoberta e a escavação continuada do sítio conhecido como Lefcandi alteraram drasticamente essa impressão. Se descobriu em Lefcandi, localizado logo ao norte de Atenas, uma imensa estrutura orbital (de quase 50 metros de comprimento), uma série enorme de túmulos, e dois jazigos de heróis repletos de objetos de ouro e de valiosos cavalos sacrificados. Um dos artefatos mais interessantes, ritualmente enterrado em duas covas separadas, é uma estatueta de centauro (veja fotos abaixo). Com 35 centímetros de altura, a criatura de terracota é composta por um torso de equino (cavalo) feito numa roda de oleiro com membros e características humanos feitos a mão. Aludindo à mitológica e talvez a uma história particular, esse centauro personifica a riqueza cultural desse período.
Centauro, c. 900 a.C. (período protogeométrico), terracota, 36 cm de altura, a cabeça foi encontrada no túmulo 1 e o corpo, no túmulo 3 no cemitério de Toumba, Lefcandi, Grécia (foto em detalhe da cabeça: Dan Diffendale CC BY-NY-NC-SA 2)
Centauro, c. 900 a.C. (período protogeométrico), terracota, 36 cm de altura, a cabeça foi encontrada no túmulo 1 e o corpo, no túmulo 3 no cemitério de Toumba, Lefcandi, Grécia (foto em detalhe da cabeça: Dan Diffendale CC BY-NC-SA 2)
Semelhante em sua adoção de elementos narrativos é uma pintura de um vaso, provavelmente de Tebas, datando de c. 730 a.C. (veja imagem abaixo). Totalmente integrada ao Período Geométrico (c. 800-700 a.C.), as imagens nesse vaso refletem outros artefatos do século VIII, como a Ânfora de Dípylon, com seus padrões geométricos e formas humanas em silhueta. Apesar de simplista, a cena geral nesse vaso parece registrar uma estória. Um homem e uma mulher estão de pé ao lado de um barco equipado com fileiras de remadores. Segurando na popa e erguendo uma perna para entrar no casco, o homem se volta para olhar a mulher e a toma pelo pulso. Seria o casal Teseu e Ariadne (na mitologia Grega, o herói Teseu matou o Minotauro — uma criatura com a cabeça de touro e o corpo de um homem — com a ajuda de Ariadne, e depois velejou com ela para a ilha de Naxos)? Isso é um rapto? Talvez Paris e Helena (Paris foi o filho do Rei de Troia — ele raptou Helena, esposa do Rei Menelau, desencadeando a Guerra de Troia)? Ou, estaria o homem se despedindo da mulher e embarcando em uma jornada, como fez Ulisses com Penélope (Ulisses deixou sua mulher Penélope por vinte anos para ir lutar na Guerra de Troia)? A resposta é impossível.
Cratera malhada do Geométrico Ático Posterior (vaso para misturar água e vinho), possivelmente de Tebas, c. 730 a.C., 30,5 cm de altura (Museu Britânico, Londres), foto: Egisto Sani CC BY-NC-SA 2.0
Cratera malhada do Geométrico Ático Posterior (vaso para misturar água e vinho), possivelmente de Tebas, c. 730 a.C., 30,5 cm de altura (Museu Britânico, Londres), foto: Egisto Sani CC BY-NC-SA 2.0
No Período Orientalizante (700-600 a.C.), ao lado de temas do Oriente Médio e desfiles de animais, os artesãos produziram formas figurativas mais variadas e ilustrações mais inteligíveis. Por exemplo, as placas pintadas de terracota do Templo de Apolo em Termo (c. 625 a.C.) são algumas das mais antigas evidências da arquitetura decorativa da Grécia na Idade do Ferro. Outrora ornamentando a superfície desse templo Dórico (provavelmente como métopas), os painéis existentes preservaram imagens variadas (assista a esse video para aprender sobre a ordem Dórica). Em uma placa (veja a imagem abaixo), um jovem caminha em direção à direita e leva um objeto significativo sob seu braço direito — a cabeça cortada da Górgona Medusa (sua face é visível entre a mão direita e o lado direito do quadril da figura que caminha; na mitologia Grega uma Górgona é uma criatura monstruosa feminina cuja aparição transformaria qualquer um que olhasse para ela em pedra). Não apenas o pintor é bem sucedido aqui em transmitir uma estória particular, mas também a figura de Perseu mostra um grande avanço em relação ao século anterior. Os membros são carnudos, os traços faciais são reconhecíveis, e o chapéu e as botas aladas equipam apropriadamente o herói para viajar velozmente.
Fragmento mostrando Perseu com a cabeça da Medusa, provavelmente de uma métopa do Templo de Apolo em Termo, c. 630 a.C., terracota pintada, 87,8 cm de altura (Museu Arqueológico Nacional de Atenas)
Fragmento mostrando Perseu com a cabeça da Medusa, provavelmente de uma métopa do Templo de Apolo em Termo, c. 630 a.C., terracota pintada, 87,8 cm de altura (Museu Arqueológico Nacional de Atenas)

Período Arcaico (c. 600-480/479 a.C.)

Enquanto artesãos Gregos continuavam a desenvolver suas artes individuais, suas habilidades narrativas, e retratos mais realísticos de figuras humanas ao longo do Período Arcaico, a cidade de Atenas testemunhou a ascensão e queda de tiranos e a introdução da democracia pelo estadista Clístenes nos anos 508 e 507 a.C.
Visualmente, o período é conhecido pelas esculturas de mármore em larga escala de kouros (jovens homens) e koreas (jovens mulheres) (ver abaixo). Mostrando a influência da escultura do antigo Egito (como este exemplo do Faraó Miquerinos e sua esposa no Museu de Belas Artes de Boston), o kouros está rigidamente erguido com ambos os braços estendidos ao seu lado e uma perna avançada. Frequentemente utilizados como indicadores de sepulturas, este tipos esculturais apresentavam nudez despudorada, realçando complexos penteados e apresentando uma musculatura abstrata (abaixo, à esquerda). A korea, por outro lado, nunca estava nua. Não só sua forma estava coberta por camadas de tecido, como ela também era ornamentada com jóias e adornada com uma coroa. Embora algumas tenham sido descobertas em contextos funerários, como a Phrasikleia (abaixo, à direita), a grande maioria foi encontrada na Acrópole em Atenas (leia mais sobre as koreas da Acrópole). Ritualmente enterradas após a profanação deste santuário pelos persas em 480 e 479 a.C., dúzias de koreas foram escavadas ao lado de outros artefatos dedicatórios. Embora as identidades destas figuras tenham sido objeto de calorosos debates recentemente, a maioria concorda que elas foram originalmente projetadas como oferendas votivas à deusa Atena.
À esquerda: Anavissos (Kroisos) Kouros, por volta do ano 530 a.C., mármore, 195,1 cm (Museu Nacional de Arqueologia, Atenas), foto: Steven Zucker. À direita: Aristion de Paros, Korea Phrasikleia, c. 550 – 540 a.C. Mármore de Paros com sinais de tinta, 211 cm de altura (Museu Arqueológico Nacional de Atenas) foto: Asaf Braverman CC BY-NC-SA 2.0
À esquerda: Anavissos (Kroisos) Kouros, por volta do ano 530 a.C., mármore, 195,1 cm (Museu Nacional de Arqueologia, Atenas), foto: Steven Zucker. À direita: Aristion de Paros, Korea Phrasikleia, c. 550 – 540 a.C. Mármore de Paros com sinais de tinta, 211 cm de altura (Museu Arqueológico Nacional de Atenas) (foto: Asaf Braverman, CC BY-NC-SA 2.0)

Período Clássico (480/479-323 a.C.)

Apesar da experimentação no movimento realista ter começado antes do fim do Período Arcaico, foi só no Período Clássico que as formas bidimensionais e tridimensionais atingiram proporções e posturas que eram naturalistas. O Período Clássico Inicial (480/479 – 450 a.C.) foi um período de transição quando algumas esculturas exibiam remanescentes arcaicos ao lado do chamado “Estilo Severo”. Como pode ser visto no Jovem de Crítio, c. 480 a.C, o "Estilo Severo" apresenta anatomia realista , expressões sérias, lábios carnudos e pálpebras grossas. Para os pintores, o desenvolvimento da perspectiva e de múltiplas linhas de fundo enriqueceram as composições, como pode ser visto no vaso do Pintor Niobid no Louvre (imagem abaixo).
Pintor Niobid, Cratera de Niobid, cálice-cratera de figuras vermelhas Áticas, c. 460-50 a.C., 54 x 56 cm (Museu do Louvre, Paris)
Pintor Niobid, Cratera de Niobid, cálice-cratera de figuras vermelhas Áticas, c. 460-50 a.C., 54 x 56 cm (Museu do Louvre, Paris)
Durante o "Período Clássico Avançado" (450-400 a.C.), houve grande sucesso artístico: das inovadoras estruturas da Acrópole à manifestação visual e cerebral da idealização na escultura de Policleto de um jovem segurando uma lança, o Doríforo ou "Cânone" (imagem abaixo). Simultaneamente, no entanto, Atenas, Esparta e seus aliados mútuos se envolveram na Guerra do Peloponeso, num confronto que durou várias décadas e terminou em 404 a.C. Apesar da atividade militar continuar por todo o "Período Clássico Posterior" (400-323 a.C.), a produção e o desenvolvimento artísticos continuaram aceleradamente. Em adição à nova figuração estética do século IV, conhecida por seus longos torsos e membros, e cabeças menores (por exemplo, o Apoxyomenos), foi produzido também o primeiro nu feminino. Conhecido como a Afrodite de Cnido, c. 350 a.C., a escultura gira nos ombros e nos quadris em uma Curva em S e fica com a mão direita sobre as genitais em uma pose pudica (a Vênus discreta) (veja a cópia romana no Museu do Capitólio em Roma aqui). Exibida em um templo circular e visível por todos os lados, a Afrodite de Cnidos tornou-se uma das esculturas mais celebradas de toda a antiguidade.
Policleto, Dorífero (Lanceiro) ou O Canône, c. 450-40 a.C., cópia em mármore da Roma antiga encontrada em Pompéia da original em bronze perdida, 211 cm (Museo Archeologico Nazionale di Napoli)
Policleto, Dorífero (Lanceiro) ou O Cânone, c. de 450-40 a.C., cópia em mármore da Roma antiga encontrada em Pompéia da original em bronze perdida, 211 cm (Museu Arqueológico Nacional de Nápoles)

O Período Helenístico e após (323 a.C. - 31 a.C.)

Seguindo a morte de Alexandre o Grande em 323 a.C. (um dos mais bem sucedidos conquistadores na história — seu império se estendeu da Grécia e do Egito ao Vale do Indo e ao Afeganistão) os Gregos ampliaram sua influência para o leste chegando até a India moderna. Enquanto algumas peças intencionalmente copiavam o estilo Clássico do período anterior, como a Tique da Antioquia de Eutiquides (Louvre), outros artistas estavam mais interessados em capturar movimento e emoção. Por exemplo, no Grande Altar de Zeus de Pérgamo (abaixo) expressões de agonia e uma confusa massa de membros expressa um recém-descoberto interesse pelo drama.
Atena derrota Alcino (detalhe), O Altar de Pérgamo, c. 200-150 a.C. (Período Helenístico), 35.64 x 33.4 metros, mármore (Museu de Pérgamo, Berlim)
Atena derrota Alcino (detalhe), O Altar de Pérgamo, c. 200-150 a.C. (Período Helenístico), 35.64 x 33.4 metros, mármore (Museu de Pérgamo, Berlim)
Arquitetonicamente, a escala das estruturas aumentou enormemente, como pode ser visto no Templo de Apolo em Dídimos, e alguns complexos até mesmo avarandaram a paisagem circundante para criar vistas espetaculares, como pode ser visto no Santuário de Asclépio em Kós. Após a derrota de Cleópatra na Batalha do Áccio, em 31 a.C., a dinastia Ptolemaica que governava o Egito e, simultaneamente, o Período Helenístico, chegaram ao fim. Com a admiração e a predileção Romanas pela arte e cultura Gregas, entretanto, a estética Clássica e seus ensinamentos continuaram a prevalecer da antiguidade até a era moderna.
Ensaio por Dr. Renee M. Gondek

Recursos adicionais
Richard T. Neer, Greek Art and Archaeology: A New History, c. 2500-c. 150 B.C.E. (Thames and Hudson, 2011)
Robin Osborne, Archaic and Classical Greek Art (Oxford University Press, 1988)
John G. Pedley, Greek Art and Archaeology (Pearson, 2011)
J.J. Pollitt, Art and Experience in Classical Greece (Cambridge University Press, 1972)
Nigel Jonathan Spivey, Greek Art (Phaeton Press, 1997)

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