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Eutimides, três foliões

Competição

Eutimides, Três Foliões (ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 cm de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique)
Eutimides, Três Foliões (ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 cm de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique)
“Como nunca Eufrônio [poderia fazer]”, escreveu o pintor Eutimides depois de pintar sua nova ânfora (uma ânfora é um tipo de vaso grego neste formato). Eutimides tinha um claro senso de realização e estava realmente orgulhoso de seu trabalho, desafiando orgulhosamente seu amigo e rival Eufrônio. Ele iria ver Eufrônio com frequência, bem como outros pintores no Cerâmico—o bairro de ceramistas em Atenas. Eles ficariam curiosos para ver o novo trabalho um do outro, às vezes com apreço, às vezes com um pouco de inveja. Nas noites eles muitas vezes se divertiam juntos em um simpósio (uma espécie de festa Grega antiga com homens bebendo). Eles iriam beber vinho misturado com água, ficavam tagarelas, barulhentos e, se a bebedeira continuasse por muito tempo, poderiam até começar a cantar e mesmo dançar. Talvez o que está retratado nesta ânfora seja uma cena semelhante àquela que Eutimides testemunhou em uma destas longas festas. Eufrônio realmente era um mestre oleiro e pintor, e Eutimides sabia disso e tinha muito apreço pelo seu trabalho. Ele achava no entanto que suas figuras pareciam muito mais vivas, capturadas em um momento preciso, em um movimento de dança

As origens da pintura com figuras em vermelho

Eutimides trabalhou principalmente entre 515 e 500 a.C., em uma época em que os artistas estavam explorando as possibilidades da técnica de figuras em vermelho, inventada em Atenas em torno de 530 a.C. Eutimides e Eufrônio pertenceram ambos a uma espécie de grupo de artistas, muitas vezes apelidada de "Grupo Pioneiro" por historiadores de arte, referindo-se a seus esforços inovadores na nova técnica. Na técnica de figura em vermelho, um artista esboça figuras sobre a argila vermelha de um vaso recém moldado, em seguida cobre todo o fundo com uma capa (uma argila líquida), que fica preta após a queima final. Detalhes, como elementos de anatomia, dobras de cortinas, etc, podem ser adicionados livremente com um pincel fino; a capa pode ser mais escura, às vezes mais diluída, acastanhada, acrescentando ainda mais variedade. Na técnica de figura em preto que foi usada anteriormente, um artista tinha que preencher as figuras com a capa e, então, entalhar os detalhes com um cinzel afiado, que era muito mais difícil de manusear. Na época dos "Pioneiros", há uma tendência geral na arte grega de observar a realidade e representar o corpo humano de forma mais realista, deixando para trás os modelos arcaicos mais rígidos.
Eutimides, Três Foliões (ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 cm de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique)
Heitor recebendo o capacete de Hécuba (detalhe), Eutimides, Três Foliões (ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 cm de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique)

Heitor parte para a guerra

Voltando novamente ao vaso "Três Foliões", em um lado dessa ânfora, o artista decidiu decorar com uma cena mitológica, um momento solene de Heitor partindo para a guerra de Troia, recebendo o capacete de sua mãe Hécuba.
Heitor recebendo o capacete de Hécuba (detalhe), Eutimides, Três Foliões (ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 cm de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique)
Bebendo e dançando (detalhe), Eutimides, Três Foliões (ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 cm de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique) foto: Richard Mortel, CC BY-NC-SA 2.0
No outro lado do vaso, que é provavelmente mais conhecido, o artista deu vazão ao seu aguçado senso de observação, nos dando um vislumbre do cotidiano. Três homens um tanto embriagados dançam, aproveitando seu momento durante um longo simpósio. O da esquerda ainda mantém em sua mão um cântaro, uma taça de vinho com alças longas. Eutimides se esforçou para não mostrá-los inteiramente de frente, nem inteiramente de perfil, mais em uma perspectiva dita três quartos, em esboço, tentando transmitir uma imagem vívida e realista. As posturas são muito diversificadas, o homem no centro é representado num ângulo rotacionado. O artista trouxe seu  aguçado senso de observação para descrever a anatomia humana e o movimento. Os pintores de vasos Gregos muitas vezes nos fornecem percepções claras da vida cotidiana, permitindo entender hábitos diários, detalhes de roupas e  costumes. É claro que esses vasos pintados não podem ser tratados como documentos, pois não podemos esperar que homens estivessem nus em um simpósio. No entanto, o apreço pelo corpo humano e a nudez foi uma característica comum da cultura da Grécia antiga, e proporcionou uma maneira do artista mostrar sua habilidade.
Eutimides, Três Foliões (ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 cm de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique)
Euthymides, Três Foliões (Ânfora Ateniense com figuras em vermelho), c. 510 a.C., 61 centímetros de altura (Coleções Estatais de Antiguidades, Munique) 
foto: Richard Mortel, CC BY-NC-SA 2.0
O vaso mostra equilíbrio e harmonia de proporções, com sua forma elegante e graciosa, e decoração pictórica cuidadosamente planejada, As cenas principais de ambos os lados da ânfora são complementadas por um delicado adorno. Apesar da beleza do vaso, os ceramistas e pintores da Grécia antiga não possuíam o status que um artista tem em nossa sociedade moderna. Seu trabalho era visto como meramente físico, não uma atividade inspirada pelas musas. Na verdade não havia uma musa da pintura. Os vasos decorados eram produzidos em grande quantidade para atender à demanda crescente dos mercados, tanto na Grécia como no exterior (especialmente na Etruria e nas colônias Gregas). O vaso de Eutímides foi na verdade encontrado em uma tumba Etrusca em Vulci na Itália. Muitos vasos Gregos sobreviveram intactos porque os Etruscos sepultavam seus mortos em grandes tumbas subterrâneas com muitos objetos cotidianos.
A maioria dos vasos eram simplesmente itens do dia-a-dia, apesar de que uma ânfora grande, belamente pintada, como a que estamos discutindo aqui, era também um item de luxo, atestando o bom gosto e nível social de seu dono. Apesar de seu status como artesãos, os artistas da época de Eutimides tinham um senso de valor pessoal e conquista, daí a inscrição “Como nunca Eufrônio [poderia fazer]”.  Por causa da inscrição “Eutímides egraphsen” (“Eutímides me pintou”) temos certeza de que ele foi o pintor, e hoje definitivamente nós pensamos nele como um artista.
Ensaio de Katarzyna Minollari

Recursos adicionais
J. Boardman, Athenian Red Figure Vases, The Archaic Period, a Handbook, 1975.

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