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Hércules Farnese de Lísipo

Lísipo, Hércules Farnese, século IV a.C. (cópia romana ulterior de Glycon)(Museu Arqueológico, Nápoles). Oradores: Dra. Beth Harris e Dr. Steven Zucker. Criado por Beth Harris e Steven Zucker.

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Transcrição de vídeo

[música] Estamos no Museu Arqueológico de Nápolis observando uma das mais famosas esculturas da antiguidade. Ela foi descoberta durante a Renascença, durante uma escavação arqueológica nas Termas de Caracalla, em Roma. Este é o Hércules de Farnese, que recebeu este nome porque foi escavado pela família Farnese. Eles estavam procurando por materiais de construção em locais antigos para construir um novo palácio, mas o que encontraram nas Termas foi uma quantidade extraordinária de esculturas antigas. Nós podemos reconstruir o local original onde essa escultura colossal estava. O piso era mosaical e as paredes, feitas de mármore de diversas cores. As Termas eram um complexo incrivelmente luxuoso, usado por milhares de romanos todos os dias e era decorado com centenas de esculturas, muitas delas colossais, como esta. Essas instalações termais eram estruturas realmente complexas. Existiam os banhos propriamente ditos; alguns eram frios, outros quentes. Existiam cômodos para transição de uma temperatura para outra. Também existiam locais em que era possível se exercitar e, nesse ambiente, esta escultura faz perfeito sentido. Este era um lugar onde você ia para treinar, onde você ia para se exercitar. Você poderia ver esse corpo extremamente muscular e ter um objetivo. Muitas das esculturas encontradas nas Termas de Caracalla não seguiam o padrão ideal, atlético, copiado das esculturas gregas, mas eram figuras corpulentas, como o Hércules que vemos aqui. Sabemos que alguns atletas gregos bem sucedidos às vezes dedicavam esculturas à Hércules, como forma de agradecimento pelo sucesso. Ele era um símbolo de força e heroísmo. Nós podemos ver isso, mas também há uma certa ironia no trabalho de Lysippos, porque mesmo vendo essa figura poderosa, essa musculatura incrível, também vemos exaustão. Ele realmente está exausto. Ele apoia quase todo seu peso em uma clava que está escorada sob seu braço direito. Então, sim, você está correto existe uma ironia entre a força bruta de seus músculos e a languidez da sua pose. Observe o modo que seu abdômen está articulado. Observe a força de seu ombro direito, da parte superior do braço. É realmente grande. Ele posiciona seu quadril para a direita, para que consiga escorar todo seu peso na esquerda. Há esse contrapposto maravilhoso, apesar das pernas parecerem um tanto invertidas mas eu adoro o modo que o torso se curva enquanto ele se apoia e há também a torção super enfatizada do torso. Mas a clava não parece um apoio muito seguro. Não, todo o conjunto é precário. É como se Lysippos e Glycon, que copiou a escultura de Lysippos-- e há mais de 80 cópias do Hércules exausto que sobreviveram-- estivessem chamando nossa atenção às mãos de Hércules. Hércules é famoso por ser um herói que se tornou um deus e por seus excepcionais feitos, os 12 trabalhos de Hércules. Eu vejo a mão esquerda aberta e o modo que a mão direita está escondida por trás, o que nos leva a circular a escultura afim de ver o que há na mão direita. Isso mesmo. O artista nos coloca em uma posição em que queremos dar a volta. A mão esquerda não é original, esta se perdeu. Então estamos vendo uma reconstrução de gesso, mas a mão direita é original e se der a volta na escultura, podemos ver que ele está segurando as maçãs que adquiriu em um dos trabalhos, a coleta das maçãs no jardim das Hespérides. Tudo isso é parte da lenda de Héracles. Héracles é o nome grego da figura que os romanos chamam de Hércules. Durante um acesso de loucura, esse homem extremamente forte matou seus filhos. Os deuses do Monte Olimpo o puniram, tornando Héracles, filho de um deus e uma humana, portanto um herói, subserviente a um rei e deveria realizar qualquer tarefa a ele designada por 12 anos. Esta seria a sua punição. O rei solicitou tarefas extraordinariamente dificeis. A primeira seria matar o leão da Nemeia. Se observar cuidadosamente, é possível ver pendurado na clava a pele do leão que ele matou. A escultura está se referindo, portanto, a dois dos trabalhos. Uma das coisas que parece um tanto estranha quando vemos este Hércules é como a sua cabeça é pequena. Isso é algo pelo qual Lysippos, o escultor grego -- o escultor original -- ficou conhecido. Ele iniciou a mudança no padrão de proporções que existiam durante o período Clássico na Grécia no século V, quando havia um maior senso de harmonia e equilíbrio entre as partes do corpo. Lysippos criou um novo conjunto de proporções, a figura era mais alta, a cabeça menor, e isso deu aos corpos um novo conceito de elegância. Um novo conceito de elegância e altura. Aqui, claro, isso está ligado com a corpulência da obra. A outra coisa pela qual Lysippos é famoso, que você mencionou anteriormente, é o modo com que ele começa a sair do espaço restrito que as obras clássicas normalmente ocupavam, por exemplo, estendendo a mão esquerda, e movendo para trás a mão direita, ele realmente está nos convidando a entender a escultura como um todo, ao invés de vê-la como um objeto unicamente frontal. O que mais me encanta nessa escultura é o modo que podemos entender sua exaustão e como isso contrasta com todo o potencial e força daquele corpo. As coisas que estamos conversando, o novo conjunto de proporções, a forma que somos convidados a nos mover ao redor da escultura, não só por trás para ver o que está na mão direita, mas também para o ponto em que ele está olhando para conseguirmos olhar para cima e observar seu rosto e sua expressão, a empatia que sentimos por ele. Todas essas coisas são típicas do período Helenístico da arte antiga grega que esta cópia foi baseada. Claramente, algo que os romanos realmente apreciavam. [música] Traduzido por Lucas Nabesima