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Introdução à arte da Roma antiga

Vista do fórum, olhando em direção ao Coliseu, foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
Vista do forum Romano, olhando em direção ao Coliseu, foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)

Arte Romana: Quando e Onde

A Arte Romana Antiga é um tema muito amplo, abrangendo quase 1.000 anos e três continentes, da Europa até a África e a Ásia. A primeira arte Romana pode ser datada de 509 a.C., com a lendária fundação da República Romana, e durou até 330 d.C. (ou muito mais, se você incluir a arte Bizantina). A arte Romana também abrange um amplo espectro de meios, incluindo mármore, pintura, mosaico, joias, prata e trabalho de bronze, e terracotas, só para citar alguns. A cidade de Roma era um caldeirão cultural, e os Romanos não tinham escrúpulos em adaptar as influências artísticas das outras culturas Mediterrâneas que os cercavam e os antecederam. Por esta razão, é comum ver influências Gregas, Etruscas e Egípcias em toda a arte Romana. Isso no entanto não quer dizer que toda a arte Romana é derivada, e um dos desafios para os especialistas é definir o que é "Romano" a respeito da arte Romana.
Doríforo (Lanceiro) ou Cânone. Cópia romana a partir de um original do escultor grego Policleto de c. 450-440 a.C., mármore, 1,98m (Museu Arqueológico, Nápoles).
Doríforo (Lanceiro), cópia Romana a partir de um original do escultor Grego Policleto de c. 450-440 a.C., mármore, 1,98m (Museu Arqueológico, Nápoles), foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
A arte Grega certamente teve uma influência poderosa na prática Romana; o poeta romano Horácio disse a frase célebre que “a Grécia, a cativa, aprisionou o seu vencedor selvagem,” o que significa que Roma (embora tenha conquistado a Grécia) adaptou grande parte do patrimônio cultural e artístico da Grécia (bem como importou muitos de seus trabalhos mais famosos). Também é verdade que muitos Romanos encomendaram versões de obras Gregas famosas de séculos passados; é por isso que muitas vezes temos versões de mármore de bronzes Gregos perdidos, como o Doríforo de Policleto.
Os Romanos não acreditavam, como acreditamos hoje, que ter uma cópia de uma obra de arte valesse menos que ter o original. As cópias, no entanto, eram mais frequentemente variações em vez de cópias exatas, e elas tinham pequenas alterações feitas para eles. As variações podiam ser feitas com humor, pegando o elemento sério e sombrio da arte Grega e modificando-o completamente. Assim, por exemplo, uma escultura Helenística reconhecidamente macabra do sátiro Marsias sendo esfolado foi transformada em um cabo de faca numa sala de jantar Romana (atualmente no Museu Arqueológico Nacional em Perugia). Uma faca era precisamente o elemento que teria sido usado para esfolar o pobre sátiro, demonstrando não só o conhecimento pelo dono da mitologia Grega e da esculturas importantes, mas também um negro senso de humor. Do relato direto dos Gregos ao item utilitário e de luxúria bem humorada de um entusiasta Romano, Marsias percorreu um longo caminho. Mas o artista Romano não estava simplesmente copiando. Ele também estava adaptando de forma consciente e brilhante. É precisamente esta capacidade de adaptar, converter, combinar elementos e adicionar um toque de humor que torna a Arte Romana Romana.

Roma Republicana

A fundação mítica da República Romana supostamente surgiu em 509 a.C., quando o último rei Etrusco, Tarquínio o Soberbo, foi deposto. Durante o período republicano, os Romanos eram governadas por magistrados eleitos anualmente, sendo os dois cônsules os mais importantes entre eles, e o Senado, que era o órgão legislativo do estado. Em certo momento o sistema entrou em colapso e guerras civis se seguiram entre 100 e 42 a.C. As guerras finalmente se encerraram quando Otaviano (mais tarde chamado de Augusto) derrotou Marco Antônio na batalha de Áccio em 31 a.C.
Busto em mármore de um homem, meados do século I, mármore, 36,5 cm (Museu Metropolitano de Arte)
Busto em mármore de um homem, meados do século 1, mármore, 36,5 cm (Museu Metropolitano de Arte)
No período Republicano, a arte era produzida a serviço do estado, retratando sacrifícios públicos ou celebrando campanhas militares vitoriosas (como o Monumento de Emílio Paulo em Delfos). O retrato exaltava os objetivos comuns da República; trabalho árduo, idade, sabedoria, ser um líder da comunidade e soldado. Os Patronos escolhiam ser representados com cabeças calvas, grandes narizes e rugas extras, demonstrando que eles passaram suas vidas trabalhando para a República como cidadãos exemplares, ostentando sua sabedoria adquirida com cada sulco da testa. Hoje chamamos este estilo de retrato de verista, em referência às características hiper realistas que enfatizam cada imperfeição, criando retratos de indivíduos com personalidade e essência.

Roma Imperial

A ascensão de Augusto ao poder em Roma indicava o fim da República Romana e a formação do regime Imperial. A arte Romana era agora posta a serviço do engrandecimento do soberano e de sua família. Tinha a intenção também de indicar mudanças na liderança. Os principais períodos da arte Imperial Romana têm os nomes dos próprios governantes ou das principais dinastias, que são:
Augusta (27 a.C.-14 d.C.) 
Júlio Claudiana (14-68 d.C.)
Flaviana (69-98 d.C.)
Trajana (98-117 d.C.)
Adriana (117-138 d.C.)
Antonina (138-193 d.C.)
Severana (193-235 d.C.)
Imperador Soldado (235-284 d.C.)
Tetrárquica (284-312 d.C.) 
Constantiniana (307-337 d.C.)
Relevo do Ara Pacis Augustae (Altar da Paz Augusta), monumento dedicatório do ano 9 a.C. , mármore (Museo dell'Ara Pacis, Rome)
Relevo do Ara Pacis Augustae (Altar da Paz Augusta), monumento dedicatório do ano 9 a.C., mármore (Museu da Ara Pacis, Roma), foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
A arte Imperial muitas vezes remetia à arte Clássica do passado.  “Clássico”, ou “Imitativo do Clássico,” quando usado em referência à arte Romana, se refere em geral às influências da arte Grega dos períodos Clássico e Helenístico (480-31 a.C.). Elementos Imitativos do Clássico incluem linhas suaves, roupagem elegante, corpos nus idealizados, formas altamente naturalistas e proporções equilibradas que os Gregos aperfeiçoaram ao longo de séculos de prática.
Augusto de Prima Porta, século I a.D. (Museus do Vaticano)
Augusto de Prima Porta, século 1 a.D. (Museus Vaticanos), foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
Augusto e a dinastia Júlio Claudiana particularmente gostavam de adaptar elementos clássicos em sua arte. O Augusto de Prima Porta foi feito no final da vida de Augusto, mesmo assim ele é representado como jovem, idealizado e impressionantemente bonito como um jovem atleta; todas as características da arte Clássica. O imperador Adriano era conhecido como um fileleno, ou amante de todas as coisas Gregas. O próprio imperador começou a ostentar uma “barba de filósofo” Grega em seu retrato oficial, inédito antes desta época. A decoração em sua incoerente Villa em Tivoli incluía cópias de mosaicos de pinturas Gregas famosas, como Batalha dos Centauros e Feras Selvagens do lendário pintor Grego antigo Zêuxis.
Dupla de Centauros Enfrentando Gatos de Rapina da Villa de Adriano, mosaico, aprox. 130 d.C. (Altes Museum, Berlim)
Dupla de Centauros Enfrentando Gatos de Rapina da Villa de Adriano, mosaico, c. 130 d.C. (Altes Museum, Berlim)
Mais tarde a arte Imperial se afastou das influências Clássicas antigas e a arte Severana sinaliza a mudança para a arte da Antiguidade Tardia. As características da arte da Antiguidade Tardia incluem frontalidade, rigidez da pose e drapeados, linhas profundas, menos naturalismo, proporções atarracadas e falta de individualismo. As figuras importantes são muitas vezes um pouco maiores ou são colocadas acima do resto da multidão para denotar a importância.
Cortejo de carruagens de Sétimo Severo, relevo do anexo do Arco de Sétimo Severo, Léptis Magna, Líbia, 203 d.C., mármore, 168 cm de altura, Museu do Castelo, Trípoli
Cortejo de Carruagens de Sétimo Severo, relevo do anexo do Arco de Sétimo Severo, Léptis Magna, Líbia, 203 d.C., mármore, 168 cm de altura, Museu do Castelo, Tripoli
Nos painéis em relevo do Arco de Sétimo Severo, de Léptis Magna, Sétimo Severo e seus filhos, Caracala e Geta, cavalgam em uma biga, o que os destaca de um mar uniforme de figuras repetidas, todas vestindo a mesma roupagem estilizada e lisa. Há pouca variação ou individualismo nas figuras e todas elas estão rígidas e esculpidas com linhas profundas e cheias. Existe uma facilidade em interpretar a obra; Sétimo está localizado no centro, entre seus filhos, e é um pouco mais alto; todas as outras figuras dirigem os olhares para ele.
Relevo do Arco de Constantino, 315 d.C., Roma, foto: F. Tronchin (CC BY-NC-ND 2.0)
Relevo do Arco de Constantino, 315 d.C., Roma, foto: F. Tronchin (CC BY-NC-ND 2.0)
A arte Constantina continuou a integrar os elementos da Antiguidade Tardia que havia sido introduzida no período Severano, mas agora eles estão ainda mais desenvolvidos. Por exemplo, no painel em relevo oratio (oração) no Arco de Constantino, as figuras estão ainda mais atarracadas, orientadas frontalmente, semelhantes entre si, e há uma clara falta de naturalismo. Mais uma vez, a mensagem é para ser entendida sem dúvida: Constantino está no poder.

Quem criou a Arte Romana?

Nós não sabemos muito sobre quem criou a arte Romana. Certamente existiram artistas na antiguidade, mas sabemos muito pouco sobre eles, especialmente durante o período Romano, por causa da falta de evidências documentais tais como contratos ou cartas. A evidência que temos, tal como a História Natural de Plínio o Velho, dá pouca atenção aos artistas contemporâneos e muitas vezes se concentra mais nos artistas Gregos do passado. Como resultado, os estudiosos não se referem a artistas específicos, mas os consideram normalmente como um grupo basicamente anônimo.
Jardim Pintado, removido do triclínio (sala de jantar) na Villa de Lívia Drusilla, Prima Porta, afresco, 30-20 a.C. (Museo Nazionale Romano, Palazzo Massimo, Roma)
O Jardim Pintado, removido do triclínio (sala de jantar) na Villa de Lívia Drusila, Prima Porta, afresco, 30-20 a.C. (Museo Nazionale Romano, Palazzo Massimo, Roma)

O que eles fizeram?

A arte romana engloba arte privada feita para lares Romanos, bem como arte na esfera pública. O lar Romano da elite proporcionava uma oportunidade ao proprietário de exibir sua riqueza, gosto e educação para seus visitantes, dependentes e clientes. Como os lares romanos eram regularmente visitados e se pretendia que fossem apreciados, sua decoração era de extrema importância. Murais, mosaicos e esculturas eram todos perfeitamente integrados com pequenos itens de luxo, tais como estatuetas de bronze e tigelas de prata. O tema variava de bustos de ancestrais importantes a cenas mitológicas e históricas, naturezas mortas e paisagens, tudo para criar a ideia de um patrono erudito impregnado de cultura.
Sarcófago de Batalha de Ludovisi: Batalha de Romanos e Bárbaros, c. 250-260 d.C., mármore preconneus, 150 cm de altura (Palazzo Altemps: Museo Nazionale Romano, Roma).
Sarcófago da Batalha de Ludovisi: Batalha de Romanos e Bárbaros, c. 250-260 d.C., mármore preconneus, 150 cm de altura (Palazzo Altemps: Museo Nazionale Romano, Roma).
Quando os Romanos morriam, eles deixavam para trás imagens que os identificavam como indivíduos. As imagens funerárias muitas vezes enfatizavam traços físicos singulares ou profissão, amizades ou divindades favoritas. A arte funerária Romana abrange vários meios de comunicação e todos os períodos e regiões. Ele incluía bustos, relevos de parede colocados em túmulos da classe trabalhadora (como aqueles em Ostia) e túmulos decorados da elite (como a Via delle Tombe em Pompeia). Além disso, havia retratos de Faium pintados colocados em múmias e sarcófagos. Como a morte tocava todos os níveis da sociedade, homens e mulheres, imperadores, elites e libertos, a arte funerária registrou as diversas experiências dos vários povos que viveram no império Romano
Coluna de Trajano, mármore Carrara, finalizado 113 d.C., Roma, dedicado ao Imperador Trajano (Marcus Ulpius Nerva Traianus, n. 53, m. 117 d.C.) em homenagem à sua vitória sobre a Dácia (atual Romênia) 101-02 e 105-06 d.C.
Coluna de Trajano, mármore Carrara, concluído em 113 d.C., Roma, dedicado ao Imperador Trajano em homenagem à sua vitória sobre a Dácia (agora Romênia) 101-02 e 105-06 d.C., foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
A esfera pública está repleta de obras encomendadas pelos imperadores, tais como retratos da família imperial ou casas de banho decoradas com cópias de importantes estátuas Clássicas. Há também obras comemorativas, como os arcos triunfais e colunas que tinham uma função didática e celebrativa. Os arcos e colunas (como o Arco de Tito ou a Coluna de Trajano), marcavam vitórias, retratavam a guerra e descreviam a vida militar. Eles também revelavam terras estrangeiras e inimigos do estado. Eles podiam também retratar os triunfos de um imperador na política interna e externa em lugar da guerra, como o Arco de Trajano em Benevento. A arte religiosa também está incluída nesta categoria, tais como as estátuas de culto colocadas em templos Romanos que substituíam as divindades que elas representavam, como Vênus ou Júpiter. Deuses e religiões de outras partes do império também chegavam à capital Roma, incluindo a deusa Egípcia Ísis, o deus Persa Mitra e, por fim o Cristianismo. Cada uma dessas religiões trouxe seus próprios conjuntos de imagens exclusivos para informar o culto apropriado e instruir os seguidores de sua seita.
Pode ser difícil identificar exatamente o que é Romano sobre a arte Romana, mas é a capacidade de se adaptar, de absorver e combinar de forma única influências ao longo de séculos de prática que tornaram a arte Romana diferente.  
Ensaio da Dra. Jessica Leay Ambler

Sugestão de Leitura:
Clarke, John R. Art in the Lives of Ordinary Romans: Visual Representation and Non-Elite Viewers in Italy, 100 B.C-A.D. 315. Los Angeles: University of California Press, 2003.
Kleiner, Fred S. A History of Roman Art. Belmont: Thomson Wadsworth, 2007.
Ramage, Nancy H. e Andrew Ramage. Roman Art: Romulus to Constantine. Quinta Edição. Nova Jersey: Prentice Hall, Inc., 2008.
Stewart, Peter. The Social History of Roman Art. Nova Iorque: Cambridge University Press, 2008.
Zanker, Paul. Roman Art. Los Angeles: Museu J. Paul Getty.

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