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Roma Antiga

Um projeto em conjunto da Khan Academy e Rome Reborn - com Dr. Bernard Frischer. Criado por Beth Harris e Steven Zucker.

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Transcrição de vídeo

Quando eu estudava a Roma antiga, uma das coisas mais difíceis de compreender, para mim, era como todas estas ruínas antigas se encaixam. Mas felizmente, temos o Dr. Bernard Frischer que construiu uma extraordinária simulação em vídeo, que nos permite percorrer este espaço. A dificuldade é sempre dupla. Primeiro, as cidades antigas estão agora em ruínas, assim, um dos problemas que temos, é passar dessas ruínas, até a maneira de como estas pareciam na antiguidade. Em segundo lugar, nós temos apenas algumas ruínas aleatórias, nós não temos tudo. Então, mesmo que consiguisse visualizar como o Panteão se parecia, ou o Coliseu, eles estão distanciados por uma milha (1,6 Km) na cidade. Como era tudo o resto? A maior parte dele está em falta. Esta simulação tenta recriar a cidade toda. - Então vamos vê-la. - Ok. É simplesmente lindo! Estamos agora a sobrevoar a cidade, sobre o (rio) Tibre. É um bom local para começar, porque como sabemos, o Tibre divide Roma em duas partes. E vejo ao longe um templo muito grande. Esse é o templo de <i>Jupiter Optimus Maximus</i>. Júpiter, o melhor e o maior, que era o principal templo de culto do Estado romano. E está no topo do Monte Capitolino, que, por causa deste templo e de alguns outros, era considerada o centro do culto e da religião do estado. Então que momento na história de Roma escolheu? Este é teoricamente o ano 320 d.C., o apogeu do desenvolvimento urbano de Roma, certamente em termos de arquitetura pública, pela simples razão de que o Imperador na época era Constantino, o Grande, e logo após esse ano, ele mudou a capital de Roma para a sua cidade de Constantinopla. Ok, então estamos sobrevoando o rio e logo a seguir ao Monte Capitolino, nós vemos o Monte Palatino, outra das sete colinas canónicas de Roma. O Palatino é óbvio para qualquer um que visite Roma. Se você estiver no Fórum, é a colina grande com os palácios. De facto, a palavra "palácio" deriva da palavra "Palatino". Os Romanos, conforme o tempo foi passando na sua história, diziam "onde quer que o Imperador esteja, aí está o palácio", ou o "Palatino". Assim o termo "palácio" separou-se desta colina física e passou a significar apenas "um lugar onde o governante mora" E, de facto, ao sobrevoamos aquilo que é o Circo Máximo, eu vejo o palácio imperial. Isto é mesmo grande. Ele literalmente abarca toda a encosta. Nós temos de nos lembrar que este local não era apenas o local onde o imperador e a sua família moravam, mas era também o centro do governo. Há alguma relação importante entre este enorme circo e o palácio? Eles estão, de facto, ligados e o Imperador era um grande benfeitor dos jogos do circo, ele podia facilmente descer até ao camarote imperial desde do Palácio, ou, se quisesse, podia até ver as corridas do circo no Palácio. Então não estamos a falar do (circo) Barnum & Bailey, estamos a falar de eventos desportivos. Estamos a falar, principalmente, sobre corridas com carruagens. Pense no filme "Ben-Hur", nas famosas cenas de corridas de quadrigas. E havia também caçadas de animais, desfiles, procissões religiosas, e os cortejos triunfais. Agora vamos entrar propriamente na cidade. Nós sabemos que Roma tinha uma cultura mercantil e que tinha mercados a sério. O que nós sabemos sobre a vida quotidiana dos habitantes? Nós sabemos muito. Nós sabemos das centenas de negócios e profissões que tinham, das diferentes classes sociais. Sabemos da sua dieta, sabemos da sua longevidade. Os estudiosos realmente reconstruiram, em grande detalhe, como era a vida quotidiana. Uma das estruturas mais impressionantes que estou a ver, é este aqueduto, esta "autoestrada" para a água. Sim, os Romanos são famosos pelos seus aquedutos. Eles nunca poderiam ter construído a sua grande cidade de um milhão, ou até 2 milhões de habitantes, que estamos agora a ver, sem os aquedutos que traziam a água das montanhas a 30 ou até 50 Km de distância. Eles mantiveram este sistema gravitacional a funcionar ao aproveitarem as fontes no alto das montanhas, trazendo a água para baixo até à cidade e o vale, o que dava força à água para correr. E eles foram capazes de calcular, de alguma maneira, um declive de apenas 30 cm a cada 600 m, o que é notável. Nós não sabemos como eles conseguiam medir com tanta precisão para que a água corresse suavemente pela encosta abaixo mas sem parar. Há este tipo de ambição, esta noção de que o homem pode controlar a natureza. Não é preciso construir uma cidade onde já exista água, se se pode, vergar a natureza segundo a vontade do Homem. Os romanos eram engenheiros notáveis. Eles utilizavam a água para beber, obviamente para cozinhar, e assim por diante. Mas muitos desses aquedutos terminavam em grandes fontes e também em grandes banhos públicos. Esta área parece estar, um pouco separada desta parte urbana, mais densa, da cidade. Estes são os Banhos de Trajano. Sim, estes não foram os primeiros banhos públicos, mas foram os banhos que forneceram o design padrão para os banhos públicos. Um bloco de construções de banho, no meio de uma área de jardim delimitada por um muro. Nós falávamos há pouco sobre a maneira pela qual os imperadores zelavam pelo o bem-estar da cidade, e este é realmente um excelente exemplo. Agora estamos a dirigirmo-nos para alguns dos mais conhecidos monumentos na Roma antiga. O Coliseu. Mas nós estamos num momento bastante avançado na história de Roma. Antes do Coliseu, não existia um outro palácio aqui? Existia. O Coliseu foi construído pelo imperador Vespasiano, que se tornou imperador em 69 d.C., depois do suicídio de Nero, um imperador muito impopular. Uma das razões pelas quais ele era tão impopular foi que, depois do grande incêndio de 64 d.C., no qual grande parte da cidade foi destruída, ele apoderou-se de mais de 400.000 m2 no coração da cidade e converteu-os em propriedade privada para seu uso pessoal como palácio, a Casa Dourada de Nero. O Coliseu era, na verdade, um lago naquele palácio. E Vespasiano, para mostrar que era amigo do povo, aterrou o lago e construiu o Coliseu em cima dele. O Coliseu, originalmente, não era chamado por Coliseu. Não. Este é um termo que remonta apenas ao início da Idade Média. Os romanos chamavam-no de Anfiteatro Flaviano, porque o nome da família de Vespasiano era <i>Flavius</i>, então Flaviano. E é um anfiteatro, ou um tipo de teatro duplo, com a forma oval. Os Romanos certamente não o chamavam de Coliseu, mas eles chamavam esta enorme estátua o Colosso. É uma estátua do deus Sol. Mencionou que este é o momento em que Constantino governa Roma e ainda não mudou a capital para leste. E é interessante observar o seu arco, o Arco de Constantino, e perceber que ele é novinho em folha. O arco tem apenas alguns anos de idade. Constantino deixou Roma depois de derrotar Magêncio na batalha da Ponte Mílvia. Pelo que sabemos, ele nunca voltou a Roma para, de facto, vê-lo. Acabamos de passar pelo topo do Coliseu e estamos a olhar para baixo. Isto é, de certa forma, um espelho da sociedade Romana. Os melhores lugares são os colocados mais abaixo, mais próximos da arena, e eram reservados para o imperador, para os funcionários mais importantes, sacerdotes, e assim por diante. Depois, atrás deles ficavam os senadores. Atrás deles, os comerciantes ricos e abastados. E, atrás deles, os "nascidos livres", cidadãos normais. No topo, sentavam-se mulheres, escravos e estrangeiros. E então o que eles vinham assistir? Como podemos ver, agora está a decorrer aquilo que mais associamos ao Coliseu, os combates de gladiadores. Outra coisa que acontecia aqui, e que os romanos adoravam, eram as caçadas de animais selvagens. A terceira coisa era a execução de criminosos, muitas vezes de formas "coloridas". Formas que acharíamos muito cruéis. Então vamos virar à esquerda em direção ao Fórum. O que é este enorme templo? É o maior tempo da religião do estado. É o tempo de Vénus e Roma. Foi construído pelo Imperador Adriano. É de facto interessante porque são dois templos de costas voltadas. Uma parte é dedicada à adoração da deusa Vénus. É aquela virada para o Coliseu. A outra, à deusa Roma, está virada para o Fórum. E parece haver uma razão para isso. Vénus está a olhar para o Coliseu, que está associado à diversão e aos jogos. <i>Otium</i>, como os romanos diriam. Lazer. Pelo contrário, Roma é uma deusa mais séria. Ela está a olhar para o Fórum, que é área do <i>negotium</i>, isto é, do negócio e do trabalho. Ok, então agora estamos a mover-nos para o Fórum propriamente dito. E vamos parar primeiro na Basílica de Magêncio, o último dos grandes edifícios cívicos, construído em Roma antes de Constantino mudar a capital. Esta é uma estrutura enorme, e a palavra "Basílica" é nos familiar. Hoje, muitas vezes chamamos às igrejas, basílicas. Para os Romanos ela era um edifício cívico, usado principalmente para os tribunais. Os Cristãos adotaram o edifício do Fórum, porque eles adoravam no seu interior, então adotaram este edificio que já existia e deram-lhe um novo conteúdo. Agora estamos a ir para uma das partes mais complicadas de Roma, especialmente quando tentamos seguir-nos pelas ruínas e entender como estas construções se relacionavam umas com as outras. Eu digo sempre que o Fórum é como o Muro-Memorial em Washington. É um grande espaço público aberto, usado para eventos públicos, como desfiles e discursos. Os edifícios em redor deste espaço também são públicos, são tribunais e templos. Então, na praça do Fórum, como no Muro em Washington, há monumentos celebrando grandes homens e eventos importantes. Ao lado do Fórum, compravam-se cada vez mais propriedades privadas para que cada imperador pudesse construir seu próprio fórum, os chamados Fóruns Imperiais. Fizemos uma volta completa e estamos a ver novamente o Capitólio. Estamos a sobrevoar o Fórum romano, e já voltaremos a falar dele. Estamos a sobrevoar a Colina Capitolina, podemos ver o templo de <i>Jupiter Optimus Maximus</i>, e estamos a ir para além, de volta ao rio, onde encontramos uma grande superfície plana de Roma chamada de <i>Campus Martius</i>, o Campo de Marte. Era chamado assim, porque, na República romana, quando havia um exército de cidadãos, o exército encontrava-se aqui e treinava. Agora, estamos a sobrevoar este belo lago quadrado e estamos a ver a parte lateral deste edifício muito importante, o Panteão. A rotunda, a parte redonda, nós, realmente, não a veríamos durante a Antiguidade. Nós veríamos a parte que tem oito colunas na frente, que se parece com um templo tradicional. Nós gostamos de dizer que foi construído como um edificio com uma surpresa dentro. Porque, de facto, parece-se com um templo grego ou romano normal, mas quando entramos nele, percebemos que que há uma rotunda. Eu quero só gastar um segundo admirando a escala desta estrutura. Olhe para estas colunas, são enormes. A capacidade de colocar de pé pedras tão grandes é, por si só, um feito fenomenal. É fenomenal e mais ainda quando consideramos que isto é granito, e é tudo do Egito. E por isso, trazido de muito longe. Este é um edifício que celebra os imperadores Romanos. Sabemos que este edificio tinha estátuas de Júlio César e de Augusto, e por isso, acreditamos que ele era dedicado à adoração dos imperadores. Então este espaço abre-se magicamente. De facto. E a magia é realmente notável. Eu levei muitos visitantes até lá, e perguntei-lhes se tiveram a mesma experiência que eu. Se você parar logo na extremidade, e mantiver a cabeça em linha reta, eu pergunto sempre: "O que vê?", e toda agente concorda sempre. Você pode ver o buraco da cúpula lá em cima, nós chamamos-lhe o "olho". Pode ver o chão, e pode ver os dois lados, direito e esquerdo. Isto quer dizer que se trata de um espaço grandioso. Mas este espaço está precisamente no limite da visão humana, e, para mim, isso define sempre o que é o clássico, que sempre resulta da forma humana, de suas proporções e limitações. E ao construir um edificio que corresponde exatamente aos limites de nossa visão, isso enobrece-nos. Faz-nos sentir tão grandes e importantes tanto como nos podemos sentir como seres humanos. Ele não nos diminui. Se fosse dez vezes maior, nós sentiríamos-nos reduzidos ao tamanho de uma formiga, ou parecido. O edifício é obsessivamente preocupado com a forma circular. Mas também se preocupa com quadrados. Se olharmos para o chão, na verdade, vemos este jogo de quadrados e círculos. E, claro, há os alvéolos que criam esta bela sensação de harmonia e ritmo. Absolutamente. E repare que também aí nós vemos o jogo de quadrados e círculos, porque são alvéolos quadrados que formam uma cúpula semi-circular. Mas o que é interessante nela, para mim, é que era toda pintada. Hoje, quando a vemos, verificamos que a pintura se perdeu completamente. Numa cúpula de temas celestiais, o fundo da cúpula era pintado de azul, os alvéolos são destacados em amarelo, como se irradiassem a luz do sol, e, provavelmente, no meio havia rosetas que supostamente seriam sóis ou estrelas. E até mesmo na Antiguidade, pelo que sabemos, daquilo que um historiador escreveu apenas cem anos após o edifício ser construído, as pessoas perguntavam-se: "como é que eles construíram a cúpula?", "como é que conseguiram fazer isto?". Eles admiravam-na mesmo na Antiguidade. A luz é muito interessante. Se olhar para os alvéolos, pode ficar com a ideia, que a luz do "olho" irá direcionar os raios solares para alvéolos diferentes, em momentos diferentes do dia, em dias diferentes do ano. As pesquisas recentes sugerem que isto não era realmente um relógio solar, mas havia algo relacionado com a passagem do tempo e um jogo de luz no espaço para indicar a passagem do tempo durante o ano. No entanto, há um alinhamento que parece ser bastante intencional: o da luz do sol vinda através do "olho", ao meio-dia do dia de 21 de abril, iluminando exatamente a porta principal do Panteão. Lembre-se que Adriano foi o homem responsável pelo Panteão nesta fase. O dia 21 de abril, era o dia do festival do nascimento de Roma, e Adriano que se interessava muito por esse festival, mudou o seu nome para festival <i>Romaea</i>, em homenagem à deusa Roma. Ele parece ter alinhado o edifício de maneira a que criasse este efeito dramático ao meio-dia, e nós podemos apenas imaginar que houvesse algum tipo de festival do nascimento a realizar-se no Panteão nesse dia. Vamos então voltar ao Fórum agora. Algumas das principais estradas da cidade convergem aqui no Fórum. É um lugar por onde pode passar o romano comum, num dia normal. À medida que a câmera recua e nós podemos ver a extensão completa da cidade, nós realmente compreendemos o quão complexo, quão avançado, era o mundo antigo. Quantos edifícios pensa que haveria aqui? Nós temos dois censos do século IV d.C. que sugerem que existiam entre oito a dez mil edifícios aqui. Acreditamos que a população tivesse entre um e dois milhões de habitantes. A área de superfície total era cerca de 25 quilómetros quadrados, e por isso, era a maior cidade do Ocidente, até à cidade de Londres do século XIX. Legendas dedicadas ao meus filhos Rita e Afonso. Paulo Resende