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Gemma Augustea

Inscrição superior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Inscrição superior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Cabeça (detalhe), Augusto de Primaporta, século I d.C. (Museus do Vaticano)
Cabeça (detalhe), Augusto de Prima Porta, século I d.C. (Museus do Vaticano)
Quando você pensa em arte Romana, o Coliseu e as ruínas do Fórum Romano imediatamente vêm à mente. Você também pode pensar em toda a escultura pública que decorava a Roma antiga, como o retrato de Augusto de Prima Porta ou a Ara Pacis Augustae. Estas obras de arte públicas funcionavam como propaganda política e divulgavam a todos os Romanos as realizações do imperador. Na arte pública Augusto queria divulgar que ele era um militar vitorioso, que trouxe paz ao Império Romano, e que estava associado aos deuses.

Arte Privada

Mas o imperador também encomendou pequenas obras de arte privadas tais como pedras preciosas e camafeus. Ao contrário da arte na esfera pública, a arte privada não seria vista por uma grande audiência. Em vez disso, apenas uns poucos teriam acesso garantido. Se você tivesse a sorte de ser convidado para um jantar no palácio do imperador, ele poderia mostrar sua coleção de pedras preciosas ou exibir seus grandes camafeus imperiais. No entanto, apesar do fato da arte privada não ser vista pela maioria dos cidadãos Romanos, as mensagens contidas nestas obras funcionava praticamente da mesma maneira que suas equivalentes públicas. Então se você estivesse naquele jantar com Augusto e ele lhe mostrasse um grande camafeu, aquele camafeu estaria divulgando as vitórias militares do imperador, seu papel como o portador da paz e sua associação com os deuses.
Gemma Claudia, 49 d.C., 120 x 152 cm sem moldura, ônix de cinco camadas e faixa de ouro do século XVIII (Museu de História da Arte de Viena); Imperador Cláudio (esquerda), sua quarta esposa, Agripina Menor atrás dele, seus parentes do lado oposto, Germânico, irmão do imperador, e atrás dele a sua esposa, Agripina Maior
Gemma Claudia, 49 d.C., 120 x 152 cm sem moldura, ônix de cinco camadas, e faixa de ouro do século XVIII (Museu de Historia da Arte de Viena); Imperador Cláudio (esquerda), sua quarta esposa, Agripina Menor atrás dele, seus parentes do lado oposto, Germânico, irmão do imperador, e atrás dele a sua esposa, Agripina Maior
Os camafeus eram um meio popular de arte privada do Império Romano. Embora os camafeus tenham aparecido pela primeira vez no período Helenístico, eles se tornaram mais sofisticados com os Romanos. Geralmente os camafeus eram feitos de uma pedra marrom que tinha faixas ou camadas em branco, como o ônix. Esta pedra em camadas era então esculpida de forma a que as figuras sobressaíam em relevo branco, enquanto o fundo permanecia na parte escura da pedra. A maioria dos camafeus eram pequenos e serviam como pingentes ou anéis. Mas existem alguns exemplos de camafeus muito maiores que foram especificamente encomendados pelo imperador e por membros de seu círculo imperial, cujo exemplo mais famoso é a Gemma Augustea.
Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix de dupla camada com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)

Gemma Augustea

A Gemma Augustea é dividida em duas inscrições que estão repletas de figuras e iconografia. A inscrição superior contem três figuras históricas e um conjunto de divindades e personificações. Nossos olhos imediatamente gravitam em direção ao centro da inscrição superior e às duas grandes figuras entronizadas, Roma (a personificação da cidade de Roma) e o imperador Augusto. Roma está usando um apetrecho militar enquanto Augusto segura um cetro, um símbolo do seu direito de governar e do seu papel como o líder do Império Romano. A seus pés está uma águia, um símbolo do deus Júpiter, e então percebemos rapidamente que Augusto tem laços estreitos com os deuses. Augusto é retratado como um herói semi-nu, uma convenção geralmente reservada às divindades. Augusto não está apenas afirmando que ele tem conexões com os deuses, ele está afirmando que também é divino.
Águia da inscrição superior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Águia da inscrição superior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Duas outras figuras históricas acompanham Augusto na inscrição superior. Na extrema esquerda está Tibério, que sucederá Augusto no trono. À direita de Tibério está o jovem Germânico, outro membro da família de Augusto e um potencial herdeiro do trono. Claramente a Gemma Augustea está dando uma mensagem de Augusto quanto à sua dinastia: ele espera que Tibério ou Germânico o suceda depois de sua morte.
Intercaladas entre as três figuras históricas da inscrição superior estão divindades e personificações. Diretamente atrás de que Tibério está a Vitória alada. Atrás de Augusto está Ecúmena, a personificação do mundo civilizado, que coloca uma corona civica (coroa cívica) na cabeça do imperador. No Império Romano, era uma grande honra ser premiado com a coroa cívica, uma vez que ela só era dada a alguém que tivesse salvo os cidadãos Romanos de um inimigo (e Augusto tinha feito exatamente isso salvando os Romanos da guerra civil). Oceano, a personificação dos oceanos, se senta na extrema direita. Finalmente, Tellus Itália, a deusa mãe-terra e personificação da Itália, se senta com seus dois filhos gorduchos e segura uma cornucópia.

Pax Romana

O que significa a inscrição superior, com o seu conjunto de mortais, divindades e personificações? Em resumo, tudo enaltece Augusto. O imperador expressa seu domínio sobre todo o Império Romano e sua maior realização, a pacificação do mundo Romano, que resultou em fertilidade e prosperidade. A paz e o domínio de Augusto vão se espalhar não só por toda a cidade de Roma (representado pela deusa Roma), mas também por toda a Itália (representada por Tellus Italia) e através de todo o mundo civilizado (simbolizado por Ecúmena). E quanto a Tibério e Germânico, herdeiros potenciais de Augusto, ambos irão dar continuidade à paz e à prosperidade estabelecida por Augusto.
Inscrição inferior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Inscrição inferior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustae, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
A inscrição inferior é significativamente menor do que a superior, mas mesmo assim tem muitas figuras nas suas duas cenas, ambas mostrando bárbaros cativos e Romanos vitoriosos. À esquerda, soldados Romanos levantam um troféu, enquanto bárbaros degradados e humilhados se sentam aos seus pés. À direita está uma cena semelhante, com bárbaros sendo trazidos à submissão por soldados Romanos. Enquanto a inscrição superior foca na paz, a inscrição inferior representa as guerras que estabeleceram e mantiveram a paz em todo o Império Romano.
Inscrição inferior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustea, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Inscrição inferior (detalhe), Dioskourides, Gemma Augustae, 9 - 12 d.C., 19 x 23 cm, ônix em camada dupla com ouro, prata banhada a ouro (Museu de História da Arte de Viena)
Então mesmo que a Gemma Augustea seja uma obra de arte privada, o camafeu oferece uma mensagem política, e portanto, serve a um propósito semelhante à arte pública. A Gemma proclamava a maior realização de Augusto, a Pax Romana, suas vitórias militares, suas conexões com os deuses, seu status como divino e suas expectativas quanto à sucessão dinástica.
Dr. Beth Harris observando a Gemma Augustea (para termos noção de escala)
Dra. Beth Harris observando a Gemma Augustea (para termos a noção de escala)
Texto de Julia C. Fischer