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Cabeça de um patrício romano

Rosto de um patrício romano de Otricoli, c. 75-50 BCE, marble (Palazzo Torlonia, Rome)
Cabeça de um Patrício Romano de Otricoli, c. 75-50 c.C., mármore (Palazzo Torlonia, Roma)
Aparentemente enrugado e desdentado, com papadas flácidas, o rosto de um aristocrata Romano nos olha através dos tempos. No linguajar estético da República Romana Tardia, o tipo físico da imagem desse retrato se destina a transmitir seriedade mental (gravitas) e a virtude (virtus) de uma carreira pública, demonstrando a maneira como esse tema literalmente veste as marcas de seus esforços. Enquanto essa estratégia representacional pode parecer incomum no mundo pós-moderno, nos dias de declínio da República Romana foi um modo eficiente de competir numa arena sócio-política cada vez mais complexa.

O Retrato

A cabeça retrato, agora alojada no Palazzo Torlonia em Roma, Itália, é natural de Otricoli (antigo Ocriculum) e data do meio do século I a.C. O nome do indivíduo retratado é desconhecido, mas o retrato é uma poderosa representação de um homem aristocrata com um nariz adunco e maçãs do rosto expressivas. A figura é frontal sem qualquer indício de dinamismo ou emoção— isso diferencia o retrato de qualquer um dos retratos contemporâneos a ele. A cabeça retrato é caracterizada por rugas profundas, uma testa com sulcos, e uma aparência geral de flacidez, pele afundada—todos os indicativos do estilo verista de um retrato Romano.

Verismo

O Verismo pode ser definido como um tipo de hiperrealismo na escultura onde as características naturais presentes no tema são exageradas ao ponto do absurdo. No caso dos retratos da Roma Republicana, homens de meia idade adotam tendências veristas nos seus retratos até o ponto de parecerem extremamente velhos e cansados. Essa tendência estilística é influenciada tanto pela tradição de imagines ancestrais como por um profundo respeito pela família, a tradição e a ancestralidade. As imagines eram essencialmente máscaras de morte de ancestrais notáveis que eram mantidas e mostradas pela família. No caso de famílias aristocráticas estas máscaras de cera eram usadas em funerais subsequentes para que um ator pudesse retratar os ancestrais falecidos, numa espécie de desfile familiar (Políbio História 6.53.54). O culto aos ancestrais, por sua vez, influenciou uma profunda conexão com a família. Para políticos da Velha República sem nenhum ancestral famoso (um grupo muito conhecido como ‘novos homens’ ou ‘homines novi’) a necessidade era ainda maior — e o verismo era utilizado para esse resgate. A adoção de um semblante tão austero e uma feição sábia era uma tática para se emprestar seriedade familiar às famílias que não a tinham — e assim (talvez) aumentar as chances de sucesso do aristocrata na política e nos negócios. Essa competição por posição caracterizava bastante o cenário em Roma nos dias de declínio da República Romana, e a cabeça de Otricoli é um lembrete de que a imagem pública de uma pessoa desempenhava um importante papel no que foi um período turbulento na história Romana.
Ensaio do Dr. Jeffrey A. Becker

Recursos adicionais
K. Cokayne, Experiencing Old Age in Ancient Rome (Londres: Routledge, 2003).
H. I. Flower, Ancestor Masks and Aristocratic Power in the Roman Republic (Oxford: Clarendon Press, 1996).
E. Gruen, Culture and National Identity in Republican Rome (Ithaca: Cornell University Press, 1992).
D. Jackson, “Verism and the Ancestral Portrait,” Greece & Rome 34.1 (1987):32-47.
D. E. E. Kleiner, Roman Sculpture (New Haven: Yale University Press, 1994).
M. Papini, Antichi volti della Repubblica: la ritrattistica in Italia centrale tra IV e II secolo a.C. 2 v. (Roma: “L'Erma” di Bretschneider, 2004).
G. M. A. Richter, “The Origin of Verism in Roman Portraits,” Journal of Roman Studies 45.1-2 (1955):39-46.
J. Tanner, “Portraits, Power, and Patronage in the Late Roman Republic,” Journal of Roman Studies 90 (2000), págs. 18-50.