If you're seeing this message, it means we're having trouble loading external resources on our website.

Se você está atrás de um filtro da Web, certifique-se que os domínios *.kastatic.org e *.kasandbox.org estão desbloqueados.

Conteúdo principal

Túmulo dos cipiões e o sarcófago de cipião Barbato

Ensaio do Dr. Jeffrey A. Becker
Réplica em gesso do túmulo de Cipião Barbato in situ, início de século III a.C. (original, Museus Vaticanos) (foto: Caterina A., por permissão)
Réplica em gesso do túmulo de Cipião Barbato in situ, início de século III a.C. (original, Museus Vaticanos) (foto: Caterina A., por permissão)

Imagem e status

Os últimos dias do período Republicano romano testemunharam uma reviravolta socioeconômica, e a ordem social, há muito tempo estabelecida, viu-se ameaçada por recém-chegados ricos, porém sem os ilustres status sociais. Aristocratas romanos da classe dos patrícios (aqueles ameaçados por esta reviravolta socioeconômica) ligaram seus ancestrais aos fundadores do Estado romano, e projetaram uma imagem de si mesmos como mais velhos e sábios, como uma forma de medir sua experiência e perspicácia (veja Chefe de um patrício romano).
Imagem masculina verística (semelhante a Head of a Roman Patrician [Cabeça de um patrício romano]), início do século I a.C., mármore, tamanho natural (Museus Vaticanos, Roma)
Imagem masculina verística (semelhante a Head of a Roman Patrician [Cabeça de um patrício romano]), início do século I a.C., mármore, tamanho natural (Museus Vaticanos, Roma)
Uma vez que imagem e status são frequentemente relacionados, esses aristocratas contaram, por muito tempo, com a exposição como parte do processo de cultivar sua posição na sociedade. Quer através da exibição de imagens dos membros ilustres da família (chamadas de imagines) no átrio de suas casas, quer pelas construções de túmulos ou outros projetos de patronagem, a importância da cultura material estava em manter o status. O final do período Republicano (final do século II e século I a.C.) testemunhou vários exemplos significativos desta tentativa de manter o status num mundo em constante mudança.

A família dos Cornélio Cipião

Os Cornélios Cipiões estavam entre os romanos mais famosos de todos. Seus antepassados tinham alcançado muitas vitórias — incluindo as de Lúcio Cornélio Cipião Barbato (que morreu aproximadamente m 280 a.C.) e Públio Cornélio Cipião Africano (que morreu aproximadamente em 183 a.C.), o vencedor da Segunda Guerra Púnica. O túmulo da família dos Cornélios Cipiões, localizado ao longo da Via Ápia, ao sul da cidade de Roma, foi redescoberto pela primeira vez em 1614. Seus resquícios constituem um dos mais importantes exemplos da cultura funerária do fim do período Republicano em Roma e demonstram como uma família ilustre trabalhava para manter sua imagem em um mundo em mudança.

O Túmulo

Possível reconstrução do túmulo dos Cipiões na via Ápia, Roma, século III a.C. – século I d.C.
Possível reconstrução do túmulo dos Cipiões na via Ápia, Roma, século III a.C. – século I d.C.
O túmulo dos Cipiões é um túmulo subterrâneo esculpido em pedra (hipogeu) composto por câmaras irregulares e corredores conectados que forneciam nichos para os sepultamentos (veja a planta e a vista interna abaixo).
O túmulo começou a ser construído nos primeiros anos do século III a.C. e continuou sendo usado até o século I d.C. O patriarca da família, Lúcio Cornélio Cipião Barbato, que atuou como cônsul em 298 a.C., é o ocupante mais ilustre do túmulo. Barbato foi enterrado em um sarcófago monumental de pedra com uma inscrição em latim (veja abaixo). Outros membros da família ocupam outras partes do túmulo, em muitos casos, com inscrições identificando os indivíduos e mostrando suas carreiras públicas.
Planta do túmulo dos Cipiões em Roma. 1) entrada antiga; 2) uma "calcinara", forno de cal medieval; 3) entrada principal; 4) entrada para a sala nova. As letras de A a I são os sarcófagos ou divisões com inscrições. O túmulo agora está vazio, exceto por réplicas; os restos foram descartados ou sepultados novamente, enquanto os fragmentos de sarcófagos acabaram indo para o Vaticano (baseado em uma planta de Filippo Coarelli. [Coarelli, Il Sepolcro degli Scipioni a Roma. Itinerari d’arte e di cultura (Roma: Fratelli Palombi, 1988)].
Planta do túmulo dos Cipiões em Roma. 1) entrada antiga; 2) uma "calcinara", forno de cal medieval; 3) entrada principal; 4) entrada para a sala nova. As letras de A a I são os sarcófagos ou divisões com inscrições. O túmulo agora está vazio, exceto por réplicas; os restos foram descartados ou sepultados novamente, enquanto os fragmentos de sarcófagos acabaram indo para o Vaticano (baseado em uma planta de Filippo Coarelli. [Coarelli, Il Sepolcro degli Scipioni a Roma. Itinerari d’arte e di cultura (Roma: Fratelli Palombi, 1988)].
Como o túmulo ficava em frente a uma estrada importante, ele recebeu uma fachada elaborada nas suas últimas fases. Provavelmente, esta fachada remonta aproximadamente a 150 a.C. ou mais tarde, quando a família renovou e ampliou o túmulo. Além dos elementos arquitetônicos da fachada, um afresco representando uma cena de procissão — talvez de membros famosos dos Cornélios Cipiões — adornava o túmulo.
O sarcófago de Barbato
Cipião Barbato foi depositado em um sarcófago elaboradamente esculpido (atualmente, o original está nos Museus Vaticanos — imagem abaixo, e uma réplica em gesso está no local — imagem aqui). A fachada do sarcófago é decorada com um friso dórico, e volutas decoram a tampa (Assista a um vídeo sobre a ordem arquitetônica). O túmulo trazia um epitáfio elaborado em latim que foi modificado na antiguidade, pois nota-se que um texto anterior foi apagado. Os Cipiões sempre fizeram questão de manter laços familiares e sustentar sua origem a qualquer custo. O texto existente no epitáfio de Barbato registra conquistas na carreira cívica (Barbato atuou como cônsul, censor, e edil) e militar. Nessa última categoria, Barbato foi famoso nas guerras de Roma do século III a.C. com os samnitas; o epitáfio conta ao leitor que ele capturou Taurásia e Cisauna no Sâmnio, além de dominar a região de Lucânia (Corpus Inscriptionum Latinarum VI, 1285).
Sarcófago de Cipião Barbato, início do século III a.C. (Museus Vaticanos) (foto: Sailko, CC BY 3.0)
Sarcófago de Cipião Barbato, início do século III a.C. (Museus Vaticanos) (foto: Sailko, CC BY 3.0)

Conclusão

O túmulo dos Cipiões é um monumento importante que demonstra os métodos romanos de usar imagens para reforçar e projetar o status. A competição para manter o prestígio e a posição sociais era feroz, e os últimos membros da família dos Cornélios (gens Cornélia) estavam, na verdade, negociando nomes e reputações de seus antepassados mais famosos, os quais eles próprios se esforçaram para obter, no tumultuado período do final da República Romana.
Ensaio do Dr. Jeffrey A. Becker

Recursos adicionais
Filippo Coarelli, Il sepolcro degli Scipioni a Roma (Roma: Fratelli Palombi, 1988).
Filippo Coarelli, Rome and environs: an archaeological guide (Roma e arredores: um guia arqueológico), trad. J. J. Clauss e D. Harmon (Berkeley: University of California Press, 2007).
Janos Fedak, Monumental tombs of the Hellenistic age: a study of selected tombs from the pre-classical to the early imperial era (Túmulos monumentais do Período Helenístico: um estudo de túmulos selecionados do Pré-clássico ao início da Era imperial) (Toronto: University of Toronto Press, 1990).
Harriet Flower, Ancestor Masks and Aristocratic Power in Roman Culture (Máscaras ancestrais e Poder aristocrático na cultura romana) (Oxford: Clarendon Press, 1996).
Peter J. Holliday, The origins of Roman historical commemoration in the visual arts (Origens da celebração histórica romana nas artes visuais) (Cambridge: Cambridge University Press, 2002).
Andrew Wallace-Hadrill, “Housing the Dead: the tomb as house in Roman Italy” (O lar dos mortos: o túmulo visto como casa em Roma, Itália), em L. Brink e D. A. Green (eds.) Commemorating the Dead. Texts and Artifacts in Context (Celebrando os mortos. Textos e artefatos em contexto) (Berlim, Nova York: de Gruyter) 39-77.