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Estilos romanos de pintura de parede

Pompeia
Exemplo de pintura do Quarto Estilo, antes de 79 d.C, afresco, Pompeia

Por que Pompeia?

Pinturas da antiguidade raramente sobrevivem. A tinta é um agente muito menos durável que esculturas de pedra ou bronze. Mas é graças à antiga cidade Romana de Pompeia que podemos rastrear a história dos murais Romanos. A cidade inteira foi coberta por cinzas vulcânicas em 79 d.C., quando houve a erupção do vulcão do Monte Vesúvio, dessa forma preservando as cores ricas das pinturas das casas e dos monumentos dali por centenas de anos até a sua redescoberta. Essas pinturas representam uma sequência ininterrupta de dois séculos de evidências. E é graças a August Mau, um acadêmico alemão do século XIX, que temos uma classificação dos quatro estilos de murais de Pompeia.
Vista do Monte Vesúvio a partir de Pompeia
Vista do Monte Vesúvio a partir de Pompeia
Os quatro estilos que Mau observou em Pompeia não eram exclusivos da cidade e podem ser observados em outros lugares, como Roma e mesmo nas províncias, mas a Pompeia e as cidades vizinhas sepultadas pelo Vesúvio contêm a maior fonte contínua de evidência para a época. Os murais Romanos de Pompeia que Mau classificou eram afrescos verdadeiros (ou Buon Fresco), o que significa que o pigmento era aplicado no gesso molhado, fixando o pigmento à parede. Apesar dessa técnica ser durável, a pintura ainda é um agente frágil e, uma vez exposta à luz e ao ar, pode desvanecer significativamente, então as pinturas descobertas em Pompeia eram de fato um raro achado.
Exemplo de pintura do Primeiro Estilo, Casa de Salústio, Pompeia, construída no século II, a.C.
Exemplo de pintura do Primeiro Estilo, Casa de Salústio, Pompeia,
construída no século II, a.C.
Nas pinturas que sobreviveram em Pompeia, Mau viu quatro estilos distintos. Os dois primeiros eram populares no período Republicano (que terminou em 27 a.C.) e cresceram fora das tendências artísticas Gregas (Roma tinha conquistado recentemente a Grécia). Os dois outros estilos tornaram-se modernos no período Imperial. Sua descrição cronológica da progressão estilística tem sido desde então desafiada por estudiosos, mas eles geralmente confirmam a lógica da abordagem do Mau, com alguns refinamentos e adições teóricas. Além de monitorar como os estilos evoluíram entre si, as categorizações de Mau focaram em como o artista dividiu a parede e usou a tinta, a cor, a imagem e a forma, tanto para adotar como para neutralizar a superfície plana da parede.
Exemplo de pintura do Primeiro Estilo, Casa do Fauno, Pompeia, construída no século II a.C.
Exemplo de pintura do Primeiro Estilo, Casa do Fauno, Pompeia, construída no século II a.C.

Primeiro Estilo de Pompeia

Mau chamou o Primeiro Estilo o "Estilo da Incrustação" e acreditava que suas origens estão no período Helenístico, no  século III a.C. em Alexandria. O Primeiro Estilo é caracterizado por paredes coloridas de pintura brilhante imitando mármore. Cada retângulo de “mármore” pintado era conectado por molduras de estuque que acrescentavam um efeito tridimensional. Em templos e em outros edifícios oficiais, os Romanos costumavam usar mármores importados caros de cores variadas para decorar as paredes.
Detalhe de mármore falso, Villa dos Mistérios, antes de 79 C.E., fresco, just outside the walls of Pompeia na estrada para Herculano
Detalhe de mármore falso, Villa dos Mistérios, antes de 79 a.C., afresco, fora dos muros de Pompeia na Estrada para Herculano
Os Romanos comuns não podiam arcar com tal despesa, então eles decoravam suas casas com imitações pintadas dos luxuosos mármores amarelo, roxo e rosa. Os pintores tornaram-se tão hábeis na imitação de certos mármores que as placas maiores, retangulares, eram fixadas na parede marmorizadas e jaspeadas, tal como as peças de pedra reais. Grandes exemplos do Primeiro Estilo de Pompeia podem ser encontrados na Casa do Fauno e na Casa de Salústio, podendo ambos ainda ser visitados em Pompeia.

Segundo Estilo de Pompeia

O Segundo Estilo, que Mau chamou de "Estilo Arquitetônico", foi visto pela primeira vez em Pompeia por volta de 80 a.C. (embora ele tivesse se desenvolvido mais cedo em Roma) e esteve em voga até o final do século I a.C. O Segundo Estilo de Pompeia se desenvolveu a partir do Primeiro Estilo e incorporou elementos do Primeiro, tais como blocos de mármore falso ao longo da base das paredes.
Cubiculum (dormitório) da Villa de P. Fannius Synistor em Boscoreale, 50 – 40 a.C., afresco 265,4 x 334 x 583,9 cm
Exemplo de pintura do Segundo Estilo, cubiculum (dormitório),
Villa de P. Fannius Synistor em Boscoreale, 50–40 a.C., afresco
265.4 x 334 x 583.9 cm
Enquanto o Primeiro Estilo adotava o achatamento da parede, o Segundo Estilo buscava iludir o espectador para fazê-lo acreditar que ele estava olhando através de uma janela para imagens ilusionistas pintadas. Como o nome de Mau para o Segundo Estilo indica, os elementos arquitetônicos conduzem as pinturas, criando imagens fantásticas repletas de colunas, edifícios e stoas.
Exemplo de pintura do Segundo Estilo de Pompeia, cubículo (dormitório), Villa de P. Fannius Synistor em Boscoreale, 50–40 a.C., afresco
Exemplo de pintura do Segundo Estilo, cubiculum (dormitório), Villa de P. Fannius Synistor em Boscoreale, 50–40 a.C., afresco
Num dos mais famosos exemplos do Segundo Estilo, o dormitório de P. Fannius Synistor (hoje reconstruído no Museu Metropolitano de Arte), o artista utiliza múltiplos pontos de fuga.  Essa técnica muda completamente a perspectiva da sala, das varandas às fontes e ao longo das colunatas ao longe, mas os olhos do visitante movem-se continuamente por todo a sala, mal conseguindo registrar que ele ou ela permaneceram contidos dentro de uma pequena sala.
Vista do friso Dionisíaco, Villa dos Mistérios, antes de 79 d.C., afresco, 4,6 x 6,7 metros), fora dos muros de Pompeia na estrada para Herculano
Exemplo de pintura do Segundo Estilo, vista do friso Dionisíaco, Villa dos Mistérios, antes de 79 a.C, afresco, 4,6 x 6,7 metros, fora dos muros de Pompeia na Estrada para Herculano
As pinturas Dionisíacas da Villa dos Mistérios em Pompeia também estão incluídas no Segundo Estilo devido aos seus aspectos ilusionistas. As figuras são exemplos de megalografia, um termo Grego que se refere a pinturas em tamanho natural. O fato das figuras serem do mesmo tamanho dos visitantes quando entram na sala, assim como a forma como as figuras pintadas se sentam em frente às colunas que dividem o espaço, sugere que a ação representada na pintura em curso está está acontecendo em torno do observador.

Terceiro Estilo de Pompeia

O Terceiro Estilo, ou "Estilo Ornado" de Mau, surgiu no início do século I d.C. e foi popular até cerca de 50 d.C. O Terceiro Estilo atacava a superfície plana da parede com uso de planos de cor amplos, monocromáticos, tais como preto ou vermelho escuro, pontuados por detalhes diminutos, intrincados.
painel com candelabro, Villa Agrippa Postumus, Boscotrecase, última década do século I a.C.
Exemplo de pintura do Terceiro Estilo, painel com candelabro, Villa Agrippa Postumus, Boscotrecase, última década do século I a.C.

O Terceiro Estilo ainda era arquitetural, mas em vez de implementar elementos arquitetônicos plausíveis que os espectadores veriam em seu mundo cotidiano (e que funcionaria com uma sensação de realidade), o Terceiro Estilo incorporava colunas fantásticas e estilizadas e frontões que só poderiam existir no espaço imaginário de uma parede pintada. O arquiteto Romano Vitrúvio certamente não era um fã da pintura do Terceiro Estilo, e ele criticava as pinturas por representarem monstruosidades em vez de coisas reais, "por exemplo, os juncos era colocados no lugar de colunas, apêndices acanelados com folhas encaracoladas e volutas em vez de frontões, candelabros suportando representações de santuários, e em cima de seus frontões numerosos caules macios e volutas crescendo das raízes, e tendo figuras humanas sem significado sentadas neles…” (Vitr.De arch.VII.5.3) O centro das paredes frequentemente apresentavam vinhetas muito pequenas, tais como paisagens sacro idílicas, que são cenas bucólicas da zona rural apresentando rebanhos, pastores, templos, santuários e colinas onduladas.
detalhe com motivo Egípcio
Exemplo de pintura do Terceiro Estilo, painel com candelabro (detalhe com motivo Egípcio), Villa Agrippa Postumus, Boscotrecase, última década do século I a.C.
O Terceiro Estilo também viu também a introdução de temas e imagens Egípcios, incluindo cenas  do Nilo, bem como divindades e motivos Egípcios.

Quarto Estilo de Pompeia

O Quarto Estilo, o qual Mau chamou de o "Estilo Intrincado", tornou-se popular em meados do século I d.C. e é visto em Pompeia até a destruição da cidade em 79 d.C. Ele pode ser melhor descrito como uma combinação dos três estilos que vieram antes. Blocos de mármore falso ao longo da base das paredes, como no Primeiro Estilo, cenas arquiteturais naturalistas emolduradas do Segundo Estilo, que por sua vez combinam com as grandes superfícies planas de cor e detalhes arquitetônicos elegantes do Terceiro Estilo. O Quarto Estilo também incorpora pinturas no painel central, em uma escala muito maior que no Terceiro Estilo e com uma gama mais ampla de temas, incorporando imagens de mitologia, gênero, paisagem e natureza morta. Ao descrever o que nós agora chamamos de Quarto Estilo, Plínio Velho disse que ele foi desenvolvido por um pintor bastante excêntrico, embora talentoso, chamado Famulus, que decorou o famoso Palácio Dourado de Nero. (Pl.NH XXXV.120) Alguns dos melhores exemplos da pintura do Quarto Estilo vieram da Casa dos Vettii que também pode ser visitada atualmente em Pompeia.
Exemplo de pintura do Quarto Estilo, Quarto Ixion, Casa dos Vetii, Pompeia, século I d.C.
Exemplo de pintura do Quarto Estilo, Sala Ixion,
Casa dos Vetii, Pompeia, século I d.C..

Pintura pós-Pompeia: O que acontece depois?

August Mau nos conduz numa viagem por Pompeia e as pinturas encontradas lá, mas o que acontece com a pintura Romana após 79 d.C.? Os Romanos continuaram a pintar suas casas e monumentos arquitetônicos, mas não há um Quinto ou Sexto Estilo, e mais tarde a pintura Romana foi sendo considerada um pastiche do que veio antes, simplesmente combinando elementos de estilos anteriores. As catacumbas Cristãs fornecem um excelente registro de pinturas da Antiguidade Tardia, combinando técnicas Romanas e assuntos Cristãos de maneira singular.
Texto de Dra. Jessica Ambler

Leituras sugeridas:
Clarke, John R. The Houses of Roman Italy, 100 a.C.- 250 d.C: Ritual, Space, and Decoration. Los Angeles: University of California Press, 1991.
Ling, Roger. Roman Painting. New York: Cambridge University Press, 1991.
Mau, August. Pompeii: Its Life and Art. Traduzido por Francis W. Kelsey. New York: The MacMillan Company, 1902.  (Disponível no Kindle)