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Redescoberta de Pompéia e outras cidades do Vesúvio

A arquitetura romana era diferente de tudo o que tinha aparecido até então. Os persas, egípcios, gregos e etruscos tiveram arquitetura monumental. No entanto, a grandeza de seus edifícios era em grande parte externa. Os edifícios eram projetados para serem imponentes quando vistos de fora, porque seus arquitetos tinham que contar com a inclusão de um sistema Arquitrave (sistema poste dintel), o que significa que eles usavam dois postes verticais como colunas, com um bloco horizontal, conhecido como dintel (também lintel, verga ou padieira), deitado na parte superior. Um bom exemplo é este antigo templo grego em Pesto, Itália.
Hera II, Pesto, c. 460 a.C. (Clássico), tufa, 24,26 x 59,98 m
Um exemplo de arquitetura poste e dintel: Hera II, Pesto, c. 460 a.C. (período Clássico), tufa, 24.26 x 59.98 m
Como os dinteis são pesados, os espaços interiores de edifícios só podiam ser limitados em tamanho. Grande parte do espaço interior tinha de ser dedicado a suportar cargas pesadas.
Giovanni Paolo Panini, Interior do Panteão, c. 1734, óleo sobre tela, 128 x 99 cm (Galeria Nacional de Arte)
Giovanni Paolo Panini, Interior do Panteão, c. 1734, óleo sobre tela, 128 x 99 cm (Galeria Nacional de Arte)
A arquitetura romana diferia fundamentalmente desta tradição por causa da descoberta, experimentação e exploração de concreto, arcos e abóbadas (um bom exemplo disto é o Pantheon, c. 125 d.C.). Graças a essas inovações, desde o primeiro século d.C. os romanos foram capazes de criar espaços interiores que anteriormente eram desconhecidos. Os romanos ficaram cada vez mais preocupados com a formação do espaço interior, em vez de preenchê-lo com suportes estruturais. Como resultado, o interior de edifícios romanos era tão impressionante quanto seu exterior.

Materiais, métodos e inovações

Muito antes do concreto aparecer na história dos edifícios em Roma, os romanos utilizavam uma pedra vulcânica nativa da Itália chamada tufa para construir seus edifícios. Apesar de tufa nunca sair de uso, o travertino também começou a ser utilizado no final do século 2º a.C., devido a sua maior durabilidade. Além disso, sua cor off-White o fez um substituto aceitável para o mármore.
Templo de Portuno (anteriormente conhecido como Fortuna Virilis), travertino, tufa e estuque, c. 120-80 a.C., Roma
Templo de Portuno (anteriormente conhecido como Fortuna Virilis),
c. 120-80 a.C.,   a estrutura é feita de travertino e tufa, decorado com estuque para parecer mármore grego, Roma
O mármore demorou pra pegar popularidade em Roma durante o período republicano uma vez que foi visto como uma extravagância, mas após o reinado de Augusto (31 a.C - 14 d.C.), o mármore tornou-se moda. Augusto alegou em sua famosa inscrição funerária, conhecida como o Res Gestae ("Atos do divino Augusto"), que ele "encontrou Roma como uma cidade de tijolos e deixou-a como uma cidade de mármore" referindo-se a suas ambiciosas campanhas de construção.
O concreto Romano (opus caementicium), foi desenvolvido no início do 2° século a.C.  O uso de argamassa como um agente de ligação em cantarias não era novidade no mundo antigo; a argamassa era uma combinação de areia, cal e água em proporções adequadas. A principal contribuição que os romanos fizeram para a receita de argamassa foi a introdução de areia italiana vulcânica (também conhecida como “pozolana”).  Os construtores romanos que usaram pozolana ao invés de areia comum notaram que sua argamassa ficou incrivelmente forte e durável. Ela também tinha a capacidade de fixar sob a água. O tijolo e a telha eram comumente rebocados sobre o concreto, uma vez que não eram considerados muito bonitos por si só, mas as possibilidades estruturais do concreto eram muito mais importantes. A invenção do opus caementicium iniciou a revolução arquitetônica romana, permitindo aos construtores serem muito mais criativos com seus projetos. Já que o concreto toma a forma do molde ou da estrutura em que é derramado, edifícios começaram a assumir formas cada vez mais fluidas e criativas.
Verdadeiro arco (esquerda) e arco de corbel (direita) (CC BY-SA 2.5)
Verdadeiro arco (à esquerda) e arco de corbel (à direita) (CC BY-SA 2.5)
Os romanos também exploraram as oportunidades oferecidas aos arquitetos pela inovação do verdadeiro arco (em oposição a um arco de corbel onde pedras são dispostas de modo que elas avançam ligeiramente em direção ao centro à medida que vão subindo). Um arco verdadeiro é composto de blocos em forma de cunha (tipicamente de uma pedra resistente), chamados aduelas, com uma pedra principal no centro mantendo os no lugar. Num arco verdadeiro, o peso é transferido de uma aduela abaixo para a próxima, a partir do topo do arco ao nível do solo, criando uma ferramenta de construção resistente. Os arcos verdadeiros podem abranger distâncias maiores do que um simples poste dintel. O uso de concreto, combinado com o emprego de arcos verdadeiros, permitiu abóbadas e cúpulas de serem construídas, criando espaços interiores amplos e deslumbrantes.

Arquitetos Romanos

Nós não sabemos muito sobre os arquitetos romanos.  Poucos arquitetos individuais são conhecidos por nós porque as dedicatórias gravadas, que aparecem em edifícios prontos, geralmente homenageavam a pessoa que encomendou e pagou pela estrutura. Nós de fato sabemos que os arquitetos vieram de todas as classes sociais, desde libertos (ex-escravos) subindo até o Imperador Adriano, e eles eram responsáveis por todos os aspectos da construção em um projeto. O arquiteto projetaria o edifício e atuaria como engenheiro; ele serviria como empreiteiro e supervisor, e tentaria manter o projeto dentro do orçamento.

Tipos de construção

Forum, Pompeia, olhando em direção ao Monte Vesúvio
Forum, Pompeia, olhando em direção ao Monte Vesúvio, foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
As cidades romanas eram tipicamente centradas em um fórum (uma ampla praça aberta rodeada de construções importantes), que era o coração cívico, religioso e econômico da cidade. No fórum das cidades estavam localizados os principais templos (como o templo Capitolino, dedicado a Júpiter, Juno e Minerva), assim como outros importantes santuários. Também eram úteis em torno do fórum a basílica (um tribunal jurídico) e outros pontos oficiais de encontro para a Câmara Municipal, como o edifício da cúria. Frequentemente mercados de carnes, peixes e vegetais brotavam em torno do efervescente fórum. Circundando o fórum, alinhando as ruas da cidade, emoldurando os portais e marcando os cruzamentos erguia-se a arquitetura conectiva da cidade: os pórticos, as colunatas, arcos e fontanários que embelezavam a cidade romana e acolhiam os viajantes fatigados. Pompéia, na Itália, é um excelente exemplo de uma cidade com um fórum bem preservado.
Casa de Diana, Óstia, final do século II d.C.
Casa de Diana, Óstia, final do século II d.C., foto: Sebastià Giralt (CC BY-NC-SA 2.0)
Os romanos possuíam uma ampla variedade de moradias. Os ricos podiam ter uma casa (domus) na cidade ao mesmo tempo que um sítio no interior (villa), enquanto os menos afortunados viviam em prédios de apartamentos com vários andares chamados insulae. A Casa de Diana em Óstia, a cidade portuária romana, de fins do século II d.C. é um ótimo exemplo de uma insula. Mesmo na morte, os romanos viam a necessidade de construir edifícios grandiosos para comemorar e hospedar os restos mortais, como Eurísace o Padeiro, cuja tumba elaborada ainda está de pé perto da Porta Prenestina, em Roma.
Túmulo de Eurísace o padeiro, Roma, c. 50-20 a.C.
Túmulo de Eurísace o Padeiro, Roma, aproximadamente 50-20 a.C., foto: Jeremy Cherfas (CC BY-NC-ND 2.0)
Os romanos construíram aquedutos por todos os seus domínios e introduziram água às cidades que construíram e ocuparam, melhorando as condições sanitárias.  Um pronto suprimento de água também permitiu que casas de banho se tornassem um recurso padrão das cidades romanas, de Timgad, na Argélia, à Bath, na Inglaterra.  O saudável estilo de vida romano também incluía visitas ao ginásio ("gymnasium").  Com grande frequência, no período imperial, grandiosos complexos de ginásios e casas de banho eram construídos e financiados pelo Estado, como as Termas de Caracala, que incluíam pistas de corrida, jardins e bibliotecas.
Os aquedutos forneciam água limpa a Roma, trazida de fontes distantes da cidade. Nessa imagem, vemos um aqueduto sustentado por pilastras passando em meio às construções de um bairro. Elements of the model © 2008 The Regents of the University of California, © 2011 Université de Caen Basse-Normandie, © 2012 Frischer Consulting. Todos os direitos reservados. Image © 2012 Bernard Frischer
Aqueduto (reconstrução). Os aquedutos forneciam água limpa a Roma, trazida de fontes distantes da cidade. Nessa imagem, vemos um aqueduto sustentado por pilastras passando em meio às construções de um bairro. Elementos do modelo © 2008 The Regents of the University of California, © 2011 Université de Caen Basse-Normandia, © 2012 Frischer Consulting. Todos os direitos reservados. Imagem © 2012 Bernard Frischer
O entretenimento variava enormemente para adequar-se a todos os gostos em Roma, necessitando da edificação de muitos tipos de estruturas.  Havia teatros em estilo grego para peças, assim como odeones menores e mais intimistas, como o de Pompéia, que foi especificamente projetado para performances musicais.  Os romanos também construíram anfiteatros—espaços elípticos cercados como o Coliseu—que foram usados para combates de gladiadores ou para batalhas entre homens e animais. Os romanos também construíram circos em muitas de suas cidades. Os circos, como o de Léptis Magna, na Líbia, eram locais onde os residentes podiam assistir a corridas de charretes.
Arco de Tito (frente) com o Coliseu no fundo.
Arco de Tito (frente) com o Coliseu no fundo, foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
Os romanos também continuaram a aperfeiçoar sua construção de pontes e estradas, permitindo-os atravessar rios e desfiladeiros e percorrer grandes distâncias a fim de expandir seu império e melhor supervisioná-lo. Desde a ponte em Alcântara, na Espanha, até as estradas pavimentadas em Petra, na Jordânia, os romanos enviaram mensagens, dinheiro e tropas de forma eficiente.

Período Republicano

Templo de Júpiter Ótimo Máximo, Monte Capitolino, Roma. (reconstrução cortesia de Dr. Bernard Frischer)
Templo de Júpiter Ótimo Máximo (ou Templo de Júpiter Capitolino), Monte Capitolino, Roma (cortesia de reconstrução Dr. Bernard Frischer)
A arquitetura romana republicana foi influenciada pelos etruscos, que foram os primeiros reis de Roma; os etruscos, por sua vez, foram influenciados pela arquitetura grega. O Templo de Júpiter no Monte Capitolino em Roma, que começou a ser construído no final do século VI a.C. evidencia todas as principais características da arquitetura etrusca. O templo foi erguido em tufa calcária, pedra típica do local, em um pódio elevado, mas a característica principal é a sua frontalidade. A sacada é muito profunda e o visitante é induzido a se aproximar apenas de um ponto de acesso, ao invés de circundar toda a estrutura, como era comum em templos gregos. Também era típica a presença de três cellas, ou salas de culto. O Templo de Júpiter permaneceria influente em desenho de templos por boa parte do período republicano.
A inspiração em tradições tão ricas e profundas não significou que os arquitetos romanos tenham permanecido relutantes em experimentar novidades.  No período republicano tardio, arquitetos começaram a experimentar com o concreto, testando sua capacidade para ver como o material poderia permitir que eles construíssem em grande escala.
Modelo do Santuário de Fortuna Primigenia, do museu arqueológico de Palestrina
Modelo do Santuário de Fortuna Primigenia, do museu arqueológico de Palestrina (CC BY-SA 3.0)
O Santuário de Fortuna Primigenia, na atual Palestrina, é composto por dois complexos, um superior e outro inferior. O complexo superior foi construído em uma encosta e escalonado, como um santuário helenístico, com rampas e escadas levando dos terraços ao pequeno teatro e um tolo (templo circular) no cume. O complexo inteiro é intrincadamente entrelaçado para manipular a experiência do visitante com o olhar, com a luz do sol e com a própria forma de aproximação ao santuário. Não mais dependentes de uma arquitetura de lintéis e pilares, os construtores utilizaram o concreto para realizar um vasto sistema de rampas, grandes terraços, lojas e abóbadas cilíndricas.

o Período Imperial

Octagon room, Domus Aurea, Rome, c. 64-68 d.C.
Severo e Celer, sala octogonal, Domus Aurea, Roma, c. 64-68 d.C. (fonte da foto)
O imperador Nero começou a construir seu infame Domus Aurea, ou Casa Dourada, depois que um enorme incêndio varreu Roma em 64 d.C. e destruiu grande parte do centro da cidade. A destruição permitiu que Nero se apropriasse de imóveis valiosos para um projeto próprio de construção, uma grande nova vila. Embora sua escolha não almejasse o interesse público, o desejo de Nero de viver em grande estilo de fato estimulou uma revolução arquitetônica em Roma. Os arquitetos, Severo e Celer, conhecidos graças ao historiador romano Tácito, construíram um grandioso palácio, completo com pátios, salas de jantar, colunatas e fontes de água. Eles também usaram extensivamente o concreto, incluindo abóbodas cilíndricas e cúpulas por todo o complexo.  O que torna a Casa Dourada singular na arquitetura romana é o fato de que Severo e Celer usaram o concreto de formas novas e interessantes; ao invés de utilizar o material apenas para propósitos estruturais, os arquitetos começaram a experimentar usos estéticos para o concreto, criando, por exemplo, amplos espaços abobadados.
Apolodoro de Damasco, Mercado de Trajano, Roma, aprox. 106-12 d.C., foto: Steven Zucker (CC BY-NC-SA 2.0)
Nero pode ter iniciado uma nova tendência em direção a melhores e maiores construções em concreto, mas os arquitetos romanos, e os imperadores que apoiaram eles, adotaram essa tendência e a levaram ao seu maior potencial.  O Coliseu de Vespasiano, o Mercado de Trajano, as Termas de Caracalla e a Basílica de Constantino são apenas algumas das mais impressionantes estruturas resultantes da revolução arquitetônica em Roma. A arquitetura romana não foi, entretanto, inteiramente constituída de concreto.  Algumas construções realizadas em mármore retornam à sóbria beleza clássica da arquitetura grega, como o Fórum de Trajano.  Estruturas de concreto e construções em mármore erguiam-se lado a lado em Roma, o que demonstra que os romanos apreciavam a história arquitetônica do Mediterrâneo tanto quanto apreciavam suas próprias inovações.  Em última análise, a arquitetura romana é, esmagadoramente, uma história de sucesso da experimentação e do desejo de alcançar algo novo.
Ensaio da Dra. Jessica Ambler

Recursos adicionais
James C. Anderson Jr., Roman Architecture and Society (Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2002).
Diana Kleiner, Roman Architecture: A Visual Guide (Kindle) (New Haven: Yale University Press, 2014).
William J. MacDonald, The Architecture of the Roman Empire, vol. I: An Introductory Study (New Haven: Yale University Press, 1982).
Frank Sear, Roman Architecture (Ithaca: Cornell University Press, 1983).
J.B. Ward-Perkins, Roman Imperial Architecture (New Haven: Yale University Press, 1992).