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Arquitetura doméstica romana (insula)

Ensaio do Dr. Jeffrey A. Becker
Insula de Diana, Ostia Antica (foto: Jean-Pierre Dalbéra, CC BY 2.0)
Na língua Latina, insula (plural insulae) significa "ilha" e o termo tem sido associado às residências multi apartamentos altas do mundo Romano, provavelmente desde que eles cresceram como ilhas na paisagem dos edifícios da cidade. As insulae das antigas cidades Romanas forneciam moradia para a maioria da população urbana. A plebe — definida como as pessoas comuns com status de classe baixa ou média — tendia a ocupar as insulae. Durante o apogeu da cidade mercantil de Óstia, na foz do Rio Tibre (a menos de 30 quilômetros de Roma), uma explosão predial produziu muitas das tais insulae, fazendo de Ostia uma cidade de apartamentos altos, um fenômeno de construção urbana que não iria se manifestar de novo até a Revolução Industrial.
Reconstrução, Insula de Diana (CC BY-SA 3.0) (fonte)

História

Ao relatar a história do ano 191 a.C., o historiador Tito Lívio observa que dois bois domesticados tinham subido as escadas de um edifício de múltiplos andares, terminando no telhado azulejado (Tito Lívio 36.37). Enquanto isto pode parecer um comentário passageiro, ele nos faz lembrar que mesmo no século II a.C. Roma era uma cidade vertical no sentido de que edifícios com vários níveis já estavam sendo construídos. Estrabão (5.3.7), comentando sobre a Roma no tempo de Augusto, menciona a explosão de construções ali e a necessidade de se regulamentar a construção, incluindo a altura dos edifícios. O escritor arquiteto Vitrúvio (De architectura 2.8.17) expressa uma visão bastante otimista das insulae, observando os avanços na tecnologia da construção que facilitaram a construção dessas excelentes habitações. Outros autores antigos, incluindo Sêneca e Diodoro, eram menos favoráveis às insulae, considerando-as barulhentas e degradadas.
Existe algum debate entre os estudiosos sobre como, precisamente, devemos entender e definir o termo insula. Uma fonte do século IV d.C., conhecida como o Catálogo Regional, afirma que na cidade de Roma havia 44.850 insulae e 1781 domus no ano 315 d.C. Glenn Storey observa que se estes números representam edifícios individuais, a Roma do século IV d.C. tinha mais de 45.000 estruturas independentes. Compreender o significado do termo insula, então, tem implicações óbvias para a compreensão da população e da organização da antiga cidade de Roma. Estudiosos têm debatido como nós devíamos interpretar o termo. James Packer postula que insula conota um prédio alto que podia ocupar uma quadra inteira ou ser uma porção de uma estrutura maior.
Insula dei Dipinti (Óstia) reconstrução (I. Gismondi)
Nessa reconstrução, o edifício maior deve ter sido subdividido em unidades menores. Estes são os medianum e cenaculum, termos para as subdivisões do edifício de apartamentos. Seu significado específico permanece um pouco problemático, mas registros que sobreviveram indicam que edifícios de apartamentos eram subdivididos por razões legais, bem como para assegurar o aluguel. James Packer estima a área média de um apartamento Romano em 239 metros quadrados.

Tipologia

O bloco de apartamento difere significativamente da moradia (domus). O domus é essencialmente uma habitação para uma única unidade familiar estendida, enquanto o bloco de apartamentos contém múltiplas unidades. O arranjo de alto a baixo do bloco de apartamentos Romano era o inverso do que acontece no século XXI: no mundo romano, os melhores apartamentos eram localizados ao nível do solo, enquanto as unidades de baixa qualidade (e mais precárias) eram encontradas nos andares superiores da estrutura. Há muita variação em termos da organização das próprias estruturas. Frequentemente toda a estrutura é centrada em um pátio aberto, que também serve como fonte de luz para os andares inferiores. Os espaços de frente pra rua eram muitas vezes usados para fins comerciais.
Desenho da reconstrução por Italo Gismondi. Da esquerda para a direita: Caseggiato del Serapide (Casa de Serapides), Terme dei Sette Sapienti (Termas dos Sete Sábios), Cas. degli Aurighi (Casa dos Charreteiros) (fonte)
A cidade portuária de Óstia proporciona a melhor evidência para o bloco de apartamentos Romano. Óstia foi fundada como uma colônia Romana durante o século III a.C. Sua localização na foz do Rio Tibre era importante por razões estratégicas e mercantis. Durante o século II a.C. sua economia e a população estavam se expandindo, como estava a população da cidade de Roma. Como resultado a cidade testemunhou uma série intensa de atividades na construção, incluindo a construção de numerosas insulae.
A Caseggiato del Serapide mostra um exemplo de um bloco com lojas ao nível do solo, enquanto escadas conduzem aos apartamentos em andares superiores. O pátio continha uma sala de culto com um relevo de estuque do Deus Serapis.
As assim chamadas Casas com Jardim (Case a Giardino) proporcionam um exemplo de apartamentos luxuosos dos séculos II e III d.C., que posteriormente foram convertidos para uso comercial. Esta estrutura tinha originalmente até quatro andares (altura de cerca de 17,70 metros ou 60 pés Romanos de acordo com Stevens) e tinha 16 unidades no piso térreo. A característica arquitetônica central é um pátio ajardinado no centro da estrutura para onde os apartamentos se comunicavam.
Óstia: Plano de Regio III – Insula IX – Case a Giardino (Casas com Jardim) (fonte)

Os originais prédios sem elevador

O bloco de apartamentos demonstra o pragmatismo e a inovação dos arquitetos Romanos que lucravam com sua competência técnica com o concreto (opus caementicium). Cidades como Roma e Óstia eram incomuns no mundo antigo — suas populações grandes e concentradas exigiam soluções como o bloco de apartamentos. Estas estruturas, apesar do entusiasmo de Vitrúvio, não eram livres de perigos e inconvenientes. Uma vez que o fogo era um perigo frequente nas cidades antigas, os apartamentos altos eram particularmente arriscados — especialmente para aqueles morando nos pisos superiores. As condições de vida em alguns casos deviam ter sido também menores que as ideais. A insula como um tipo de arquitetura demonstra a variedade da arquitetura Romana e proporciona um outro conjunto de dados importantes sobre a construção Romana residencial.
Ensaio do Dr. Jeffrey A. Becker
Recursos adicionais
Guido Calza, Scavi di Ostia, 1: Topografia Generale (Roma: Libreria dello Stato, 1953).
Rina Cervi, “Evoluzione architettonica delle cosidette Case a Giardino ad Ostia” in L. Quilici and S. Quilici-Gigli (eds.), Città e monumenti nell'Italia antica, (Atlante tematico di topografia antica 7), (Rome: “L”Erma” di Bretschneider, 1988) pp. 141-156.
Filippo Coarelli, Rome and environs: an archaeological guide, trans. J. J. Clauss and D. P. Harmon (Berkeley: University of California Press, 2007).
Alfred Frazer, “Modes of European Courtyard Design before the Medieval Cloister,” Gesta, vol. 12, no. 1/2 (1973), pp. 1-12.
Bruce W. Frier, Landlords and Tenants in Imperial Rome (Princeton, N.J. : Princeton University Press, 1980).
Bruce W. Frier, “The Rental Market in Early Imperial Rome,” The Journal of Roman Studies, Vol. 67 (1977), pp. 27-37.
G. Hermansen, “The Medianum and the Roman Apartment,” Phoenix, vol. 24, no. 4 (Winter, 1970), pp. 342-347.
Russell Meiggs, Roman Ostia, 2nd ed. (Oxford: Clarendon Press, 1973).
James E. Packer, “Housing and Population in Imperial Ostia and Rome,” The Journal of Roman Studies, vol. 57, no. 1/2 (1967), pp. 80-95.
James E. Packer, The Insulae of Imperial Ostia (Memoirs of the American Academy in Rome, vol. 31) (Rome: The American Academy in Rome, 1971).
Carlo Pavolini, Ostia (Bari: Laterza, 2006).
John Stambaugh, The Ancient Roman City (Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1988).
Saskia Stevens, "Reconstructing the Garden Houses at Ostia. Exploring Water Supply and Building Height," BABesch 80 (2005), pp. 113-123.
Glenn R. Storey, “Regionaries-Type Insulae 2: Architectural/Residential Units at Rome,” American Journal of Archaeology, vol. 106, no. 3 (Jul., 2002), pp. 411-434.
Glenn R. Storey, “The Meaning of "Insula" in Roman Residential Terminology,” Memoirs of the American Academy in Rome, vol. 49 (2004), pp. 47-84.
Carol Martin Watts e Donald J. Watts, “Geometrical Ordering of the Garden Houses at Ostia,” Journal of the Society of Architectural Historians, vol. 46, no. 3 (Sep., 1987), pp. 265-276.

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