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Esta é uma fotografia tirada por Walker Evans, e esta é uma foto tirada por Sherrie Levine. A foto de Evans é de 1936, quando ele foi contratado pela agência Farm Security Administration para documentar o sul dos Estados Unidos durante a Grande Depressão. A foto de Sherrie Levine foi tirada em 1981, de uma reprodução da foto de Evans, como parte de uma série chamada "After Walker Evans". Crédito para quem merece, mas a questão aqui não é falsificação. Qual é? As fotos de Evans são icônicas e sem dúvida documentam a Depressão, nos mostram sua face. Mas o que as fotos de Levine nos mostram? A arte recente é cheia de cópias de vários tipos, em diversos graus. Arte que empresta, rouba ou adapta imagens já existentes, algumas icônicas, outras não. Elas são confissões de falta de criatividade? Oportunismo mascarado de conceito? Pedidos de ajuda quando sufocamos num mundo saturado de imagens? Ou o grito de morte da grande tradição pictórica? Como podemos distinguir este tipo de cópia de uma longa história da arte cheia de alusões, influências e várias instâncias de mixagens visuais? Muito antes do Hip Hop espalhar a versão sonora delas. Em uma mixagem se usa um pedaço de uma música, mas e se a cópia for a obra de arte? Esta é a Defesa da Cópia Os artistas têm feito cópias desde o início dos tempos. As tradições estéticas ocidentais mais antigas definiam arte como mimésis, a imitação do mundo visível. Mas os artistas não apenas copiam o mundo, eles copiam uns aos outros. Copiam para treinar a mão, ou para demonstrar inovações de estilo. Eles copiam para mostrar a influência de outras obras de arte, para reivindicar o prestígio de uma tradição. Ou retrabalhar uma obra para trazê-la para o presente. Trabalhar a partir de imagens e tradições já existentes também pode sugerir novas maneiras de navegar pela história. O retrato íntimo do Papa Júlio II, por Rafael, tornou-se um modelo para o retrato do Papa Inocêncio X feito por Velásquez, que por sua vez inspirou Francis Bacon a fazer suas mais de 45 versões. Cada retrato foi transgressivo na sua época, por expor a profundidade psicológica de cada um dos papas. A obra As Meninas, de Velásquez, também foi metabolizada por Pablo Picasso, que também fez inúmeras versões do quadro Almoço na Relva, pintado por Édouard Manet in 1863. Manet por sua vez, emprestou sua composição de uma gravura de Raimond da pintura de Rafael sobre o Julgamento de Páris, e o tema da pintura O Concerto Pastoral. Mas é a tela O Velho Músico, de Manet, que o define como o mestre modernista das releituras. Apesar de parecer uma pintura de uma cena do cotidiano, O Velho músico é uma composição com uma grande quantidade de citações. Uma frase pintada, como a historiadora Carol Armstrong a definiu, que se inspira em Watteau, no próprio Manet, e Murillo, Le Nain, Velásquez e outros. A pintura de Manet não é uma janela para uma nova realidade, mas um conjunto de representações. Cada uma como uma música que pode ser reusada várias vezes. A mistura de Manet, além disso, olha para nós. O velho músico quase personifica como todas as pinturas olham para nós. Imagens não são apenas representações neutras do mundo, são instrumentos que influenciam a maneira de percebermos a nós mesmos e aos outros. Essa consciência inspirou vários artistas do final dos anos 1970 a fazerem arte que ressaltava a representação em si. Os historiadores da arte se referem a essas obras como Arte da Apropriação. Em 1977, o crítico de arte Douglas Crimp foi curador de uma exposição chamada Pictures (Imagens), juntando artistas que tinham interesse em entender a imagem em si. Artistas da geração das imagens, como eles ficaram conhecidos, usavam imagens já existentes em seus trabalhos. O filme de Jack Gosdstein, Metro-Goldwin_Mayer, coloca em loop o famoso rugido do leão da MGM, nos deixando suspensos entre o prazer da antecipação e a demora frustrante do início do filme. A transformação tecnológica Mulher Maravilha, feita por Dara Birnbaum fragmenta e repete cenas da série de TV para mostrar a relação entre tecnologia e a objetificação sexual. Ao isolar e manipular imagens, estes artistas chamaram nossa atenção para o subtexto delas e demonstraram como elas adquirem significado. Não pela nossa própria experiência com leões ou super-heróis, mas por associação com outras imagens semelhantes. Em uma série de fotos de filmes, Cindy Sherman fotografou a si mesma em poses e cenários de personas femininas genéricas, que evocam histórias de perseguição, de modo que cada versão de Sherman parece determinada desde o início pelas nossas expectativas. Como Crimp disse, "não estamos em busca de fontes ou origens, mas de estruturas de significado: sob cada imagem, há sempre uma outra imagem". Esses artistas certamente não foram os primeiros a usar imagens da cultura pop. O movimento Pop Art foi construído sobre o trabalho de artistas como Jasper Johns e Robert Rauschenberg, que fizeram moldes de bronze de objetos produzidos em massa ou incorporaram jornais e lixo em seu trabalho. O historiador de arte Leo Steinberg descreveu essas obras como sendo imagens planas de mesa, tomando emprestado o termo da prensa plana que inundou o mundo do pós-guerra com imagens de mídia de massa. Steinberg achava que as pinturas não eram mais portais para mundos imaginários, evocando nossa experiência visual. Elas eram como tampos de mesa cheios de papéis e objetos para simular como olhamos para fotos em jornais e revistas. Não por acaso, Andy Warhol começou sua carreira na publicidade. Ele explicou que escolheu os temas de suas pinturas, de produtos comerciais a celebridades, precisamente porque todos já gostavam deles. O trabalho do artista, segundo Warhol, não era oferecer novas imagens de beleza, mas reproduzir o que a sociedade já havia aprovado. Isso o autorizava a se apropriar de imagens de objetos produzidos em massa e transformá-los no estúdio que ele chamou de A Fábrica, borrando a distinção entre artista e operário e entre mercadoria e arte. Em anos mais recentes, Richard Prince, que pode sentar-se no alto do trono do Reino das Cópias, descreveu seu interesse em copiar desta maneira: "Imagens publicitárias não são associadas a um autor. Elas parecem não ter nenhuma história. Como se tivessem aparecido todas ao mesmo tempo. Elas se parecem com o que a arte sempre quer parecer". Mas logicamente Prince, Warhol e outros artistas pop não desapareceram no anonimato. Ao contrário, uma lata de sopa Campbell é quase sinônimo do nome Warhol, um detalhe em close de um desenho em quadrinhos com Roy Lichtenstein. A Pop Art foi um espelho da presença da mídia de massa em todos os lugares, mas um espelho é muitas vezes a forma mais fraca de crítica. Afinal, aquela coisa que parece ter aparecido do nada e não ter história, essa é a mercadoria produzida em massa. Não é nenhuma surpresa então que o mercado de arte tenha rapidamente abraçado a Pop Art como mais um objeto de luxo. A Arte da Apropriação, por outro lado, tinha uma relação muito diferente com a imagem popular, mais como certas vertentes do dadaísmo e do surrealismo. A Arte de Apropriação procurou entender como as imagens ao nosso redor informam nossa psique e fornecem uma base para a vida coletiva. A obra de Martha Rossler, House Beautiful, Bringing the War Home, usou uma técnica semelhante às colagens surrealistas, inserindo fotografias da guerra do Vietnã em cenas da vida doméstica americana. Os dois conjuntos de imagens foram retirados de cópias da revista Life. Rossler apenas remontou o que já estava junto na revista e que apenas um limiar sério para a dissonância cognitiva separa. A Arte da Apropriação também volta para o banal. Ao destacar como a escolha de um objeto pelo artista pode dar valor ao objeto mais comum, a apropriação chamou a atenção para as instituições cujas operações dependem de idéias de excepcionalidade e originalidade. Mesmo e especialmente em face da total falta de originalidade. As apropriações por Sturtevant, que fez cópias perfeitas do trabalho de artistas, no caso de Warhol, emprestando suas matrizes para fazer o trabalho, bem como as de Sherrie Levine, encorajam os espectadores a questionar que valor é adicionado por uma assinatura e, mais importante, que tipos de pessoas têm sido historicamente autorizadas a assinar as obras. Dica: eles geralmente eram mais parecidos com Walker Evans e Duchamp do que Sherrie Levine ou Sturtevant. Na verdade, muitos feitos criativos em nossos museus são anônimos, muitos deles apreendidos de regiões e grupos sociais que tiveram negados reconhecimento e representação. Sem falar de contribuições culturais tradicionalmente anônimas, de colchas de retalhos a receitas, músicas folclóricas ou populares. Em seu ensaio A Morte do Autor, o teórico Roland Bart argumentou que a escrita contém muitas camadas de associações que só podem ser unificadas pela experiência dos leitores de um texto. Isso significava que o autor não tinha autoridade sobre o significado de um livro, porque tudo o que fosse escrito existia em uma teia de conotações e significados culturais. Interpretar um livro ou uma obra de arte não era, portanto, decodificá-lo ou identificar seu significado definitivo. Mas demonstrar como ele funcionava nesta teia de significados. Michel Foucault, com seu ensaio "O Que É um Autor?", argumentava que um autor é, na verdade, apenas um organizador, que nos permite agrupar um certo número de objetos culturais. Mais importante, esclarece quem não fez o trabalho. Impedindo, em vez de ajudar a livre circulação e inventividade da produção criativa, O modelo de gênio artístico Pablo Picasso disse uma vez que bons artistas pedem emprestado, grandes artistas roubam. Achamos que isso quer dizer que grandes artistas transformam suas influências em suas próprias invenções autênticas e originais. Mas a Arte da Apropriação inverte esse significado. A Arte da Apropriação nos pede para reconhecer que os chamados grandes artistas conseguiram nos convencer de que suas obras são autênticas e originais porque a sociedade já lhes deu o poder de serem autênticos e originais, por razões que pouco têm a ver com genialidade e muito a ver com as estruturas de poder das quais Foucault falava. Sim, há pessoas que fizeram coisas incríveis e ganharam crédito por isso, e somos gratos pelo trabalho delas. Mas as cópias mostram que a ideia do gênio original é um mito. Isso mostra que esse mito está ligado ao poder das próprias imagens. Para determinar que tipos de representação visual e política são disponibilizadas em nossas sociedades, a Arte da Apropriação, por vezes, confundindo e muitas vezes contestada, nos ajuda a ver que o contexto das imagens é absolutamente integral ao seu significado. Lembra-nos que as imagens não têm apenas histórias, mas que existem na História. Uma cópia, não importa quão perfeita, nunca é a mesma que a original. Como seu contexto está sempre mudando, e já que existimos na história, nossa perspectiva está sempre mudando. Quando os artistas copiam, nós reconhecemos que eles estão criando novos significados através de sua interação com sinais, símbolos e pedaços de informação já lançados no mundo. E que esse trabalho nunca está acabado, não para eles e nem para nós. Os vídeos Art Assignment são financiados em parte por telespectadores como você através do site patreon.com Uma plataforma por assinatura que permite que você ajude os criadores de conteúdo de que você gosta na forma de uma doação mensal. Agradecimentos especiais ao nosso grande patrocinador das artes Indianapolis Homes Realty. Se você gostaria de nos apoiar, confira nossa página em patreon.com/artassignment