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Transcrição de vídeo

(Jazz ao piano) Contrapposto. Uma palavra problemática. Por ser italiana e não inglesa? Uma palavra pouco conhecida mas de significado muito simples. É a posição em que o corpo humano fica quando está relaxado e de pé. Então é uma posição de pé. Certo, para começar, número um, mas está relaxado e naturalista. E se você pensar na forma como fica em pé, geralmente, quando relaxado, coloca todo o seu peso em uma perna. então quando aquela perna se cansa, você passa o peso para a outra perna. Então é uma posição de pé relaxada e naturalista, e você tem o seu peso em uma perna e a outra perna fica mais leve. Claramente, vendo essas duas imagens na tela, uma das figuras está de pé em contrapposto e a outra não. Acho que está claro agora, que esta figura é a que está de pé em contrapposto. Certo. Esse é o Doríforo. De um artista chamado Policleto É grega antiga - ambas são gregas antigas. Mas esta é do início do período clássico. Nesse tempo os artistas entenderam como observar o corpo e representá-lo de forma naturalista. Sua cultura queria que a arte representasse o corpo naturalista. Então são os gregos antigos que inventaram essa posição no ocidente o que significa que são a primeira cultura a criar no ocidente, imagens naturalistas de figuras humanas. Antes disso, os gregos produziram uma série de figuras em pé como o kouros que vemos à esquerda. Então isso é anterior. É dos anos 500 a.C. Do período chamado Arcaico. Essa é uma figura que não está em pé em contrapposto. Podemos dizer porque seu peso está igualmente distribuído em ambos os pés. Um pé está na frente do outro, mas o peso é igualmente distribuído. E os joelhos estão travados. veja isso. Parece extremamente desconfortável não é? Ele parece estar em um tipo de de interpretação ou desfile. Ele parece congelado. Totalmente. Enquanto a figura à direita, o corpo é bem mais complicado, se você olhar. Parece bem mais natural, como se estivesse dando um passo à frente. podemos dizer que essa figura parece se mover, é capaz de movimento. Essa figura parece congelada e endurecida, e de certa forma, atemporal, certo? Ele parece poder estar aqui amanhã nesta posição, ontem nessa posição. Há algo que transcende o tempo sobre esta posição. E é apropriado, porque achamos que essa figura era originalmente um marcador de sepultura. Certo. De certa forma transcende o tempo. De certa forma, essa figura não existe em nosso mundo Da forma como essa existe. Vamos ver o kouros por um momento com mais cuidado e ver se podemos entender o que causa esse sentido de atemporalidade. Para mim é a simetria do corpo. Então vamos escrever essa palavra. porque é um tipo de palavra que não usamos todos os dias. Simétrico significa que se você cortar algo ao meio, um lado é igual ao outro. Um tipo de espelho, um espelho esquerda-direita. Se desenharmos uma linha no centro de seu corpo, um lado seria essencialmente igual ao outro. exceto pelo pé esquerdo um pouco à frente. Então não é uma representação De uma pessoa deste mundo como você disse. É muito mais a noção de figura ideal. É interessante a figura à direita também ser uma idealização mas um tipo de idealização mais complicada. O que você quer dizer com a figura à esquerda ser ideal? Acho que é a ideia do humano em oposição à representação do humano. Veja, por exemplo, os olhos. você tem esses grandes formatos de amêndoa. Agora sabemos que estão no lugar do olho sabemos que eles representam o olho. Mas não parecem olhos humanos. De certa forma é uma representação simbólica de um ser humano e não uma representação real. Quando o artista produzia o kouros, Não acho que via um modelo. Não precisavam porque, você está certa, representavam pelo símbolo. Mas do lado direito, acho que o artista definitivamente observava o corpo humano vendo especificamente as formas, os músculos e a estrutura óssea. Podemos dizer que essa é uma escultura baseada na observação do corpo humano. e como se parecem quando se movem. E isso é essencial. Contrapposto é o resultado do estudo da complexa forma de alinhamento do corpo quando nos apoiamos em pé sobre uma perna. Pode esclarecer um pouco? Claro. Vejamos o Doríforo, ou Lanceiro à direita de Policleto. Vemos uma figura assimétrica como você disse de forma maravilhosamente complexa. veja os tornozelos por um momento. O tornozelo esquerdo está para cima E você pode desenhar uma linha de eixo diretamente através dos tornozelos. A linha de eixo dos joelhos é a oposta. A linha de eixo dos quadris é paralela à linha de eixo dos joelhos. Às vezes em algumas representações do contrapposto os ombros se opõem aos quadris e joelhos, apesar de bem pouco. E neste caso a figura olha para a direita. Isso tem ramificações importantes para a representação do corpo. Se olhar para o kouros por um momento, a altura da cintura na esquerda É a mesma altura da cintura na direita. Certo. Se olhar para o Doríforo à direita você pode ver que a perna que sustenta o peso tem o quadril um pouco à frente empurrado para cima e que comprime o lado. [Concorda] este lado do corpo é mais curto, e este mais longo. porque seu lado esquerdo onde está a perna livre, permite ao quadril envergar E há um tipo de gancho e um tipo de expansão, extensão do lado. Certo. E o resultado é você ter um tipo de balanço da vértebra, então você tem um tipo de alinhamento complexo resultante dessa oposição de um lado do corpo para o outro. Para mim é fascinante que os gregos foram a primeira cultura ocidental a decidir fazer uma figura humana que existiu como nós no mundo. Nós respiramos, nos movemos, sentimos o que está à nossa volta. A figura do kouros não parece interagir com o mundo à sua volta. Parece que o Doríforo à direita responde a estímulos à sua volta. Ele virou a cabeça para olhar alguma coisa. É como se ele fosse senciente. Ele responde ao mundo. Ele está pensando. Absolutamente. E acho que o kouros Não parece pensar da mesma forma que nós. Correto. O kouros é um objeto para nossa observação, enquanto o Doríforo parece ter vida própria. Mas há um tipo de simpatia que acontece com o Doríforo, porque quando o vemos, vemos a nós mesmos. Quando vemos o kouros, não nos vemos de fato como somos, ou vemos uma versão diferente, talvez, de nós mesmos. Acho que vemos um tipo diferente de ideal. Acho que vemos, talvez, uma representação de nós mesmos em outro mundo. O que na cultura grega antiga os faz dar esse passo gigantesco? Quer dizer, coisa pequena, um joelho dobrado, Então você pensa, "Por que ninguém fez isso antes?" Na história da arte, sabemos que os artistas fazem coisas que refletem os valores culturais, sabemos que antes dos anos 400 não havia a necessidade de se fazer uma figura como o Doríforo. Então, o que aconteceu nos anos 400? Essa é a grande questão da história da arte. Se virmos o que acontece na cultura grega fora das artes visuais, há uma explosão na literatura, uma explosão na filosofia, vemos uma cultura autoconsciente, e que está superando os limites do conhecimento humano. Sim, há um interesse real no Período Clássico, em expandir o conhecimento humano com base em nossas próprias observações do mundo, uma confiança na habilidade humana de entender o mundo como existe, sem falar que este é um fenômeno não explicado que os deuses criaram e tudo o que podemos fazer É orar e esperar que tudo fique bem, mas um mundo em que os seres humanos têm algum controle e algumas habilidades inatas para entender. Um dos clichês sobre a cultura grega é o de que os deuses gregos refletem todas as complicações da vida humana. Sim! São exatamente como nós. Então realmente temos na cultura grega a ideia da capacidade humana, a conquista humana como centro. (jazz ao piano) [Legendado por Pedro Mota Byrro]