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Existe uma diferença entre arte e artesanato?

Da Vinci era um gênio artístico? Certamente, mas ele também nasceu no lugar certo e na época certa - artistas pré-Renascentistas Ocidentais obtiveram pouco crédito pelas suas obras. E em muitas culturas não-Ocidentais, formas tradicionais foram mais valorizadas que a inovação. Então, onde nós obtivemos nossas noções de arte versus artesanato? Laura Morelli traça a história de como nós atribuímos valor às arte visuais. Aula de Laura Morelli, animação de Sandro Katamashvilli.

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Transcrição de vídeo

Tradutor: Marcella Lopes Revisor: Ruy Lopes Pereira Quando escutamos a palavra "arte", o que vem à mente? Uma pintura, como Monalisa, uma escultura ou construção famosa? E quanto a um vaso, uma colcha ou violino? Seriam arte, ou artesanato? E qual é a diferença, afinal? Acontece que a resposta não é tão simples. Uma colher ou sela podem ser finamente elaboradas, enquanto um monumento pode ser sem inspiração. Assim como nem todo instrumento musical é útil, nem toda pintura ou estátua é um fim em si mesma. Mas, se é tão difícil separar arte de artesanato, então por que distinguimos os objetos desta forma? Pode-se dizer que é o resultado de uma dramática reviravolta histórica dos acontecimentos. Pode parecer óbvio hoje ver pessoas como da Vinci ou Michelangelo como artistas lendários, e, é claro, possuíam talentos extraordinários, mas também viveram no lugar certo, no momento certo, pois, pouco antes de suas vidas o conceito de artista mal existia. Se tivesse a chance de entrar em um "workshop" medieval Europeu, teria testemunhado um cena parecida, não importa se o lugar pertencesse a um pedreiro, ourives, chapeleiro, ou pintor de afresco. O mestre, seguindo um rígido conjunto de estatutos da associação, assegurava que os aprendizes e artífices alcançassem posições mais altas através de muitos anos de prática e estágios de progresso bem definidos, passando as tradições estabelecidas para a próxima geração. Os patronos consideravam esses fabricantes coletivamente em vez de individualmente e seus trabalhos, desde taças de vidro Murano a rendas belgas, eram considerados símbolos de "status" social, não somente pela beleza, mas por sua adesão a uma determinada tradição. E o consumidor que se encarregava e pagava pelo trabalho, quer fosse uma cadeira fina, uma escultura em pedra, colar de ouro, ou toda uma edificação provavelmente teria mais crédito que aqueles que a desenharam ou construíram. Somente a partir de 1400, as pessoas passaram a traçar um limite entre arte e artesanato. Em Florença, Itália, um novo ideal cultural que mais tarde seria chamado Humanismo Renascentista começava a tomar forma. Os intelectuais florentinos começaram a espalhar a ideia de reformular os trabalhos gregos e romanos clássicos, enquanto valorizavam mais a criatividade individual do que a produção coletiva. Alguns pintores corajosos, os quais por muitos séculos haviam sido pagos por metro quadrado, foram bem-sucedidos solicitando aos patrões que, em vez disso, pagassem-lhes com base no mérito. Dentro de uma única geração, as atitudes das pessoas sobre objetos e seus fabricantes mudaria drasticamente, de tal forma que, em 1550, Giorgio Vasari, não por acaso um amigo de Michelangelo, publicou um livro influente chamado "As Vidas dos Melhores Pintores, Escultores e Arquitetos", elevando esse tipo de criadores ao "status" de "rock stars", ao compartilhar deliciosos detalhes biográficos. Na mente do público, pintura, escultura e arquitetura agora eram consideradas artes, e seus executores, mentes criativas: artistas. Enquanto isso, aqueles que seguiam as tradições produzindo fielmente castiçais, jarros de cerâmica, joias de ouro ou portões de ferro forjado, seriam conhecidos comumente como artesãos, e seus trabalhos considerados menores ou artes decorativas, conferindo um "status" inferior e consolidando a distinção entre arte e artesanato que ainda persiste no mundo ocidental. Então, se considerarmos como arte uma pintura de Rembrandt ou Picasso, o que dizer de uma máscara africana? Um vaso de porcelana chinesa? Um tapete navajo? Acontece que, na história da arte, o valor atribuído à inovação é a exceção à regra. Em muitas culturas do mundo, a distinção entre arte e artesanato nunca existiu. Na verdade, alguns trabalhos podem ser considerados artesanato, um tapete peruano, um vaso da dinastia Ming, um totem, são considerados formas visuais preeminentes de suas culturas. Quando os historiadores de arte do século XIX viram que a arte de algumas culturas não ocidentais não havia mudado por milhares de anos, classificaram esses trabalhos como primitivos, sugerindo que seus fabricantes foram incapazes de inovação e, portanto, não seriam realmente artistas. O que eles não perceberam foi que estes fabricantes não buscavam mesmo inovar. O valor de seus trabalhos reside precisamente em preservar as tradições visuais, em vez de mudá-las. Nas últimas décadas, trabalhos como colchas, cerâmica e entalhes em madeira se tornaram mais proeminentemente incluídos em livros de história da arte e expostos em museus ao lado de pinturas e esculturas. Então, talvez seja o momento de abandonar termos vagos como arte e artesanato a favor de algo como artes visuais, que abrangem uma ordem mais ampla da produção estética. Afinal, se nossa apreciação dos objetos e seus fabricantes é tão condicionada por nossa cultura e história, então a arte e sua definição estão verdadeiramente nos olhos de quem as vê.