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Transcrição de vídeo

Por séculos, nós humanos colocamos os bens valiosos em esconderijos trancados. Artefatos históricos, metais preciosos, espécimes biológicos, e arte também. Isso foi feito principalmente pelos poderosos e privilegiados. Aqueles que tinham ou roubaram coisas valiosas o suficiente para guardar. Mas em geral eles guardavam as coisas para eles mesmos. Só recentemente esses tesouros foram mostrados para as pessoas comuns, e agora parece que toda cidade deve ter um ou vários lugares públicos para armazenar objetos que parecem não servir pra nada. Por que precisamos desses lugares? E por que devemos visitá-los não uma, mas várias vezes? Este vídeo é A Defesa dos Museus A palavra museu vem do grego mouseion, o lugar das musas, e se referia a lugares como o antigo museu de Alexandria. que guardava muitos manuscritos, e parece mais com as bibliotecas e universidades modernas. A derivação latina museum, para os romanos antigos, era um lugar de discussões filosóficas. Certamente havia arte naquela época. mas eram pinturas em homenagem a deuses, armazenados na pinacoteca na Acrópole, ou esculturas em exibição pública em Roma. Logicamente os ricos tinham arte em suas casas, da mesma forma que hoje em dia. Mas até onde sabemos do passado, as pessoas sempre valorizaram e guardaram objetos. Sabemos disso pelo que era enterrado com os humanos antigos, que era o que eles queriam levar para a vida após a morte. Há evidências que o rei babilônico Nabonidus colecionava antiguidades, e parece que sua filha criou uma espécie de museu educativo onde cilindros de barro descreviam as antiguidades, os primeiros textos explicativos, digamos. Durante a Renascença italiana, os Médicis juntaram uma coleção enorme, que eles acabaram doando para o Estado como bens públicos. Museus nacionais apareceram na Europa no século dezoito, quando os ricos doaram suas coleções para serem preservadas e compartilhadas depois de sua morte. A Revolução forçou a abertura das coleções da realeza francesa para o público. Colecionar coisas sempre foi e ainda é complicado, sejam troféus de guerra ou conquistas, objetos de culto religioso, curiosidades exóticas, ou até mesmo pinturas recentes. Os objetos que estão em nossos museus foram removidos de seu contexto original, tirados dos indivíduos, comunidades e civilizações que os criaram. Rastrear a origem de um objeto, ou a quem ele pertenceu é um negócio obscuro e caso para muitas disputas judiciais, forçando a devolução de heranças culturais ou propriedades privadas décadas ou até mesmo séculos depois de terem sido obtidas. Mas são exatamente essas complicações que tornam os museus relevantes. Eles podem estar cheios de objetos fora de contexto e problemáticos, mas museus carregam o fardo não só de manter esses objetos seguros, mas de recontextualizá-los de formas novas e esclarecedoras, fazendo com que estejam disponíveis para nós para prazer e estudo, e os devolvendo para seus donos quando necessário. Administrar estes objetos significa fazer experiências com sua classificação, sua descrição, a forma de mostrá-los junto a outros objetos similares ou diferentes. A forma de mostrar os objetos mudou ao longo dos séculos. Da forma apinhada de mostrar animais e objetos diversos, ou armários de curiosidades dos séculos 16 e 17 às pinturas como apresentadas nas grandes galerias do Louvre no século 19, até como mostramos hoje, quando o cubo branco é o mais comum, e a tecnologia mudou a forma como aprendemos. O estilo dos prédios onde armazenamos nossos tesouros também mudou: de pirâmides e estruturas clássicas para estruturas neoclássicas, muitas e muitas estruturas neoclássicas, e estruturas clássicas com cubos brilhantes ao lado, ou pirâmides. Alguns de nossos museus são circulares, alguns são deste formato estranho, alguns deles flutuam. Mas os museus nos colocam em contato com o que as pessoas fizeram, usaram e deram valor. O filósofo Georges Didi-Huberman escreveu em 2003 que em cada objeto histórico, todas as eras se encontram, bifurcam e até se misturam. Os objetos nos museus podem nos dar pistas de como era ser uma pessoa num lugar e época específicos, mas eles também podem nos dar acesso a outras épocas, a cada momento desde que o objeto foi feito, alterado, vendido, mudou de dono, quando entrou na coleção, e quando esteve ou não em exibição. Museus são lugares onde podemos ver a negociação de valores, o que eles são agora, o que costumavam ser, o que esperamos que venham a ser. É nestes lugares que podemos revisitar e rever histórias, dar plataformas a vozes marginalizadas e ressuscitar narrativas dos oprimidos. O fato do acervo poder ser mostrado de várias formas, ou ficar da mesma maneira por muitos anos, torna tangível que a história não é uma coisa morta e imutável, mas é sempre contestada e em movimento. Não a visão de uma única pessoa olhando o passado mas um emaranhado denso e multidimensional. Governados por missões que variam de escopo e assunto, com verbas gigantescas a quase não existentes, museus são vulneráveis a muitas influências e ameaças. O interesse variável de seus dirigentes e conselhos de diretivos, as mudanças no financiamento público, a imprevisibilidade do financiamento privado, doações e patrocínios. Para manter suas coleções abertas para o público, os museus tomam decisões duras e às vezes imprudentes, para manter as luzes acesas, pagar salários e manter o público. Mas eles devem ser questionados sobre quem é o público que está sendo atendido e um lugar pode ser público se custa tanto para entrar? O que os museus fazem pra gente que outras instituições não fazem é ter um compromisso de que irão manter suas coleções para sempre. Quando o nível dos mares sobe e as florestas queimam, são times de nerds de museus como estes que colocam planos de emergência em ação. Menos dramático é o trabalho dos restauradores que evitam que os objetos de desfaçam e recuperam o brilho original de obras. Pessoas altamente treinadas guardam os objetos, embalam os objetos, e os instalam e desinstalam com maestria. Pessoas passam carreiras inteiras estudando objetos, criando exposições sobre eles, contando histórias sobre o passado e o presente. A pesquisa gerada pelos museus beneficia a sociedade diretamente, nos dando a compreensão do mundo que habitamos. Muitas pessoas, muitas delas voluntárias, trabalham para compartilhar a coleção com você e encontram maneiras de fazer isso, mesmo que a distância. Estes objetos podem ter pertencido a pessoas ricas, e serem mostrados pra você de maneira imperfeita, mas eles podem ser tudo que restará depois que o asteróide cair, para que inteligências futuras tentem entender o que aconteceu. Vamos ser claros, museus não são um entretenimento fácil. Você pode até se sentar e observar aquela pintura épica, deixando sua grandeza chegar até você e penetrar sua consciência, mas o valor real dos museus não está em sua habilidade de nos anestesiar com a beleza, mas em seu poder de nos tornar agentes ativos em reconsiderar nossa história, entender onde estamos agora e como poderemos ser capazes de mudar o que virá a seguir. Esse trabalho não acontece nas obras em si ou nas explicações, mas na nossa mente. Os museus não vão colocar o saber dentro de você, mas eles estão lá, se você for curioso, paciente e fizer a sua parte. Afinal um museu é mais como uma Universidade ou biblioteca, e por isso vale a pena voltar várias vezes. Mesmo que o museu não mude muito, você muda, e o que você percebe muda. Quando os museus e suas coleção não atendem nossas expectativas, ficamos bravos. Nós damos autoridade a esses lugares e confiamos que eles vão guardar nossa herança cultural e nos aborrece quando eles não refletem nossas histórias ou conhecimento de mundo. Mas embora eles pareçam fortalezas impenetráveis, eles não são. Você pode ser treinado para trabalhar neles, você pode se envolver com a administração, você pode doar seus tesouros para que os museus possam contar histórias melhores. Mais importante, você pode moldar a discussão em torno dos museus, exigir que eles melhorem. Ser o público que se manifesta e se envolve, para quem esses lugares foram criados. Este episódio foi feito em parte por contribuições de pessoas como você, através do site patreon.com. Agradecimentos especiais à empresa Indianápolis Homes Realty e a todos os nossos patrocinadores. Se você mora nos Estados Unidos e quiser contribuir, vá no site patreon.com/artassignment