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Introdução à arquitetura das mesquitas

Mimar Sinan, pátio da Mesquita de Solimão ou Süleymaniye, Istambul, 1558
Da Indonésia ao Reino Unido, a mesquita, em suas diversas formas, é o edifício islâmico por excelência. A mesquita, masjid em árabe, é o ponto de encontro muçulmano para a oração. Masjid significa simplesmente "lugar de prostração." Embora a maioria das cinco orações diárias prescritas no Islã possa ser feita em qualquer lugar, todos os homens são obrigados a se reunir na mesquita para a oração do meio-dia às sexta-feiras.
As mesquitas são também usadas ao longo semana para rezar, estudar ou simplesmente como um lugar para descansar e refletir. A mesquita principal de uma cidade, onde é feita a oração comunal da sexta-feira, é chamada um jami masjid, que significa literalmente "mesquita de sexta-feira", mas também pode ser chamada de mesquita congregacional. O estilo, o design e a decoração de uma mesquita podem nos dizer muito não só sobre o Islã em geral, mas também sobre o período e a região em que a mesquita foi construída.
Reconstrução do esquema da Casa do Profeta, Medina, Arábia Saudita
A casa do Profeta Maomé é considerada a primeira mesquita construída. Sua casa, em Medina, na atual Arábia Saudita, era uma casa típica do século VII de estilo árabe, com um grande pátio cercado por quartos longos sustentados por colunas. Este estilo de mesquita ficou conhecido como uma mesquita hipostila, o que significa "muitas colunas." Por séculos, a maioria das mesquitas construídas em territórios árabes foram feitas nesse estilo.

Características comuns

A arquitetura de uma mesquita é fortemente influenciada pelas tradições regionais da época e do lugar onde foi construída. Como resultado o estilo, o design e a decoração podem variar muito. No entanto, por causa da função comum da mesquita como um lugar de oração congregacional, certas características arquitetônicas aparecem nas mesquitas em qualquer lugar do mundo.

Sahn (pátio)

A necessidade mais fundamental da arquitetura de uma mesquita congregacional é que ela seja capaz de receber a população masculina inteira de uma cidade ou vila (as mulheres podem participar das orações de sexta-feira, mas não são obrigadas a fazê-lo). Por isso, as mesquitas congregacionais precisam ter um salão de orações grande. Em muitas mesquitas o salão é adjacente a um pátio aberto, chamado de sahn. Dentro do pátio é comum encontrar uma fonte, cuja água serve tanto para um descanso muito bem-vindo em terras quentes, quanto para as abluções (rituais de limpeza) que são feitas antes das orações.
Mirabe & mimbar, Mesquita do Sultão Hassan, Cairo, 1356-63 (foto: Dave Berkowitz, CC BY 2.0)

Mirabe (nicho)

Mirabe, Grande Mesquita de Córdoba, c. 786 (foto: Bongo Vongo, CC BY-SA 2.0)
Outro elemento fundamental da arquitetura de uma mesquita é um mirabe—um nicho na parede que indica a direção de Meca, em cuja direção todos os muçulmanos devem rezar. A Meca é a cidade em que o Profeta Maomé nasceu e onde esta localizado o local islâmico mais importante, a Caaba. A direção de Meca é chamada qibla, e então a parede onde fica o mirabe é chamada de parede qibla. Não importa onde uma mesquita esteja, seu mirabe sempre aponta a direção da Meca (ou o mais próximo que a ciência e a geografia permitiram ). Portanto, um mirabe na Índia será a oeste, enquanto um no Egito será a leste. Um mirabe geralmente é um nicho relativamente raso, como no exemplo do Egito, acima. No exemplo da Espanha, mostrado à esquerda, o nicho do mirabe assume a forma de uma pequena sala, o que é mais raro.

Minarete (torre)

Um dos aspectos mais visíveis da arquitetura de mesquita é o minarete, uma torre adjacente ou anexada à mesquita, da qual a chamada para a oração é anunciada.
Mimar Sinan, Minarete, Mesquita de Suleymaniye ou de Solimão, Istambul, 1558
Os minaretes assumem muitas formas diferentes—do famoso minarete em espiral de Samarra aos altos minaretes em formato de lápis da Turquia otomana. Não apenas sendo funcionais por natureza, os minaretes servem como um poderoso lembrete visual da presença do Islã.

Qubba (cúpula)

A maioria das mesquitas também apresenta uma ou mais cúpulas, chamadas qubba em árabe. Ainda que não sejam uma exigência ritual como o mirabe, uma cúpula tem significado dentro da mesquita—ela é uma representação simbólica da abóbada do céu. A decoração interna de uma cúpula frequentemente enfatiza esse simbolismo, usando intrincados motivos geométricos, estrelados ou vegetais para criar padrões de tirar o fôlego que visam deslumbrar e inspirar os observadores. Alguns tipos de mesquita incorporam várias cúpulas em sua arquitetura (como a mesquita otomana de Solimão retratada na parte superior da página), enquanto outras apresentam apenas uma. Nas mesquitas com apenas uma única cúpula, ela encontra-se invariavelmente acima da parede qibla, a seção mais sagrada da mesquita. A Grande Mesquita de Cairuão, na Tunísia (não retratada) tem três cúpulas: um acima do minarete, um acima da entrada do salão de orações e um acima da parede qibla.
Como as orações são direcionadas para ela, a parede qibla, com seu mirabe e o mimbar, é muitas vezes a área com a decoração mais ostensiva de uma mesquita. A decoração rica da parede qibla é visível nesta imagem do mirabe e do mimbar da Mesquita do sultão Hasan no Cairo, Egito (veja a imagem mais acima).

Mobiliário

Candeeiro de mesquita, século XIV, Egito ou Síria, vidro soprado, esmalte, douramento, 31,8 x 23,2 cm (Museu Metropolitano de Arte, Nova Iorque)
Existem outros elementos decorativos que são comuns a maioria das mesquitas. Por exemplo, frequentemente se observa um grande friso caligráfico ou um cartucho com uma inscrição proeminente acima do mirabe. Na maioria dos casos, as inscrições caligráficas são citações do Alcorão, e muitas vezes incluem a data de inauguração do edifício e o nome do patrono. Outra característica importante da decoração da mesquita são os candeeiros, que também podem ser vistos na fotografia da mesquita do sultão Hasan. A iluminação é uma característica essencial para as mesquitas, já que a primeira e a última oração diária ocorrem antes do nascer do sol e depois do pôr do sol. Antes da eletricidade, as mesquitas eram iluminadas com lâmpadas a óleo. Tantas lâmpadas penduradas no interior de uma mesquita, chegando a centenas, criavam um espetáculo cintilante, com uma luz suave emanando de cada uma, destacando a caligrafia e outras decorações na superfície dos candeeiros. Embora não fossem uma parte permanente da estrutura da mesquita, os candeeiros, assim como outras peças do mobiliário como os tapetes, caracterizavam de maneira significativa, ainda que efêmera, a arquitetura das mesquitas.

Patronato de mesquitas

Mirabe, 1354–55, logo após o período do Ilcanato, Madrasa Imami, Isfahan, Irã, azulejos vitrificados coloridos, 343,1 x 288,7 cm (Museu Metropolitano de Arte em Nova Iorque)
A maioria das mesquitas históricas não são edifícios independentes. Muitos incorporavam instituições de caridade como refeitórios beneficentes, hospitais e escolas. Alguns patronos de mesquitas também incluíam seu próprio mausoléu como parte do complexo da mesquita. A inclusão de instituições de caridade nas mesquitas é um aspecto importante da cultura islâmica, devido em parte ao terceiro pilar do Islã, que incentiva os muçulmanos a doarem uma parte de sua renda aos pobres.
Encomendar uma mesquita era visto como um ato devoto de um governante ou outro patrono rico, e os nomes dos patronos são normalmente incluídos na decoração caligráfica das mesquitas. Também é comum encontrar inscrições desse tipo que homenageiam a devoção e a generosidade do patrono. Por exemplo, o mirabe que está atualmente no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque tem a seguinte inscrição:
E ele [o Profeta], abençoado seja e que a paz esteja com ele, disse: "Qualquer um que construa uma mesquita para Deus, mesmo do tamanho de um ninho de um cortiçol, com base na sua devoção, [Deus construirá para ele um palácio no Paraíso]."
A patronagem de mesquitas não era apenas um ato de caridade portanto, mas também, como a patronagem de obras arquitetônicas em todas as culturas, uma oportunidade para a autopromoção. Os serviços sociais ligados às mesquitas dos sultões otomanos são alguns dos mais expressivos dessa categoria. Na Turquia otomana, o complexo em torno de uma mesquita é chamado um külliye. O külliye da Mesquita do Sultão Solimão, em Istambul, é um bom exemplo deste fenômeno, incluindo um refeitório, um hospital, várias escolas, banhos públicos e um caravançarai (semelhante a um albergue para os viajantes). O complexo inclui também dois mausoléus para sultão Solimão I e os membros da sua família.
Külliyesi da Mesquita de Solimão (vista de cozinhas e caravançarais), Istambul
Ensaio por Kendra Weisbin

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