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Transcrição de vídeo

RKA - Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Hoje vamos conversar sobre poemas visuais. Você conhece algum poema visual? Vamos iniciar com esse poema. Qual é a primeira imagem que lhe vem à mente quando você olha para esse poema? E qual você acha que é o tema desse poema? Vamos ler o texto? O título é "Xícara", e o autor, Fábio Sexugi. Na tarde fria de julho, voa o cheiro, o barulho do café descendo quente pelo bule reluzente... E me pergunto já em prosa: Existe coisa mais gostosa? Acabamos de ler um poema visual, ou um poema concreto, como também é conhecido. E, como vimos, ele é formado tanto pelas palavras como pela maneira como essas palavras estão organizadas visualmente, não é verdade? Se uma imagem está sendo criada para ajudar a expressar o sentido de um poema, como foi o caso aqui, temos um poema visual, ou poema concreto. Algumas palavras ajudam a desenhar a fumaça quente que sai do café. Outras palavras ajudam a formar o contorno da xícara, e a interrogação forma a asa, ou a alça da xícara. Assim como pudemos perceber, o poema visual, ou poema concreto, é composto pela linguagem verbal, e esta é complementada pela linguagem não verbal. Vamos entender um pouco melhor? A linguagem verbal é composta pelas palavras. Aqui lemos palavras que, juntas, vão formando um sentido: cheiro, café, quente. Essas palavras, entre outras do poema, vão construindo um texto cheio de sentido e de sonoridades. Já a linguagem não verbal se constitui pela imagem da xícara de café, que foi formada pela maneira como se organizaram as palavras, isso é, a visualidade do poema. Vamos ler um outro poema intitulado "Onda", de Guilherme de Almeida. Morno / contorno / da onda redonda... Pluma / de espuma, lenda / de renda, / frase / de gaze, riso / de guizo... Ninho / de arminho / onde / se esconde, / aéreo / mistério... Trapo, farrapo, lenço / suspenso / pelas / estrelas... Resto / de um gesto / louco que é o pouco / que há de / bondade / no alto mar... Salto / da água / na mágoa / doída / de toda / vida / partida... Vocês gostaram desse poema? Existem algumas características que podemos perceber já na primeira leitura. Os versos são curtos. Você sabe o que é um verso? Cada linha do poema é chamada verso, e esses versos foram escritos em linhas onduladas, não é verdade? Além disso, as palavras possuem em seu final sons semelhantes, como em morno contorno, onda redonda, formando rimas. Essas rimas, e a maneira como elas foram organizadas no poema, formam uma sonoridade que, de alguma forma, se assemelha a um movimento, ao ir e vir das ondas do mar, complementando, então, o sentido do texto escrito. Assim, percebemos que todo poema visual possui uma forte associação entre ideias, palavras e imagens. Vamos fazer um exercício criativo? Esse desenho lhe traz qual imagem à mente? Para alguns, a imagem que vem é a imagem de um furacão. Para outros, a primeira imagem que vem à mente é a imagem de um rocambole. Cada pessoa faz uma leitura diferente. Partindo dessa imagem, podemos criar um texto. Há quem observe essa imagem e se lembre de um caracol. Vamos ler esse poema? Era uma vez um caracol muito enrolado. Além da casca, ele mesmo também era cheio de voltas. Quando ia contar uma história, demorava tanto para chegar ao final, que todo mundo desistia antes e ia embora. Os que não iam, acabavam pegando no sono ali mesmo. Quando o caracol era pequeno e tinha prova na escola, precisava de umas cinco folhas para explicar tudo bem explicadinho. A coitada da professora levava uma semana para ler tudo aquilo e ficava até tonta, mais tonta do que você deve estar agora com essa enrolação toda. Entendeu? Então, parabéns e FIM! Vocês perceberam como a visualidade do poema complementou o sentido do texto escrito? Vamos, então, fazer outro exercício criativo partindo desta imagem. O que essa imagem lhe traz à mente? Então, agora experimente. Crie um texto partindo dessa imagem. Boas experimentações! E nos vemos no próximo encontro, com novos temas! Até lá!