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Intertextualidade: explicação e exemplos

Nesta videoaula, apresentamos informações e exemplos sobre intertextualidade na literatura. Versão original criada por Khan Academy.

Transcrição de vídeo

RKA12 - Olá! Tudo bem? Neste vídeo, aprenderemos sobre a intertextualidade na literatura. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." A frase, retirada de "O Pequeno Príncipe", é popular e repetida à exaustão por milhares de leitores da obra em todo o mundo em inúmeras situações, principalmente nas redes sociais. Nossas ideias e pensamentos são expressos por meio de textos, e esses textos são resultado daquilo que lemos, ouvimos ou assistimos. O que absorvemos dessas experiências culturais influencia nossos textos. Essa influência que recebemos de outros textos recebe o nome de intertextualidade. Veja esta imagem. E esta agora. Estas imagens lhe são familiares? Provavelmente, você pensou na Monalisa, obra de Leonardo Da Vinci. Cada uma a seu modo remete ao famoso retrato. É a intertextualidade. Podemos definir intertextualidade como o diálogo entre dois ou mais textos, sejam eles verbais ou não verbais. Como assim, professor? É quando, por exemplo, um texto cita outro texto, fala de algo que foi dito em outro texto. Quando você faz referência a uma frase retirada de um desenho, um filme, uma propaganda, uma música, um livro ou até mesmo um provérbio, você está estabelecendo um diálogo entre o seu texto e o texto original. Isso é intertextualidade. Harry Potter diz: "Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia". Sendo assim, vamos entrar no mundo mágico da intertextualidade na literatura. A propósito, esta intertextualidade que eu acabei de utilizar se deu por meio da citação entre aspas da fala do famoso mago. Os escritores se inspiram no universo cultural para compor suas obras, e a intertextualidade é o recurso frequentemente explorado por eles. Que tal analisarmos alguns exemplos para entender melhor como é o processo intertextual na literatura? Vamos dar uma olhada na célebre "Canção do Exílio", escrita em 1843 por Gonçalves Dias. Este é um ótimo exemplo para entendermos como outros autores trabalham a intertextualidade. "Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores Que tais não encontro eu cá; Em cismar - sozinho, à noite- Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá". Neste poema, Gonçalves Dias canta a saudade do Brasil, valorizando as belezas naturais enquanto vivia exilado na Europa. Há uma enormidade de textos que dialogam com a "Canção do Exílio". Vamos dar uma olhada em alguns deles? Veja este, por exemplo: "Um sabiá na palmeira, longe. Estas aves cantam um outro canto. O céu cintila sobre flores úmidas. Vozes na mata, e o maior amor. Só, na noite, seria feliz: um sabiá, na palmeira, longe. Onde é tudo belo e fantástico, só, na noite, seria feliz. (Um sabiá, na palmeira, longe.) Ainda um grito de vida e voltar para onde é tudo belo e fantástico; a palmeira, o sabiá, o longe". O nome deste poema é "Nova Canção do Exílio", de autoria do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Já pelo título dá para notar a referência ao texto original. Ao lermos o texto, notamos elementos da natureza, como o sabiá e a palmeira, e o mesmo tom saudosista de Gonçalves Dias. A intertextualidade pode acontecer quando utilizamos a mesma ideia original, mas um texto diferente. É como dizer a mesma coisa, só que com outras palavras. O nome deste recurso é paráfrase. Vamos ler mais outro? "Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade!" Este poema se chama "Canção do Exílio", de Murilo Mendes. Diferentemente de Gonçalves Dias, Mendes faz uma crítica, e esta crítica é à invasão cultural estrangeira. Ele não se conforma em aceitar tudo o que vem de fora: as frutas, os pássaros, os artistas, as ideologias. Ele se sente exilado mesmo estando no próprio país. Além do título que já dialoga com o poema original, há várias pistas no interior do poema, como, por exemplo, os versos: "nossas flores são mais bonitas", "nossas frutas mais gostosas", que remetem ao texto de Gonçalves Dias. Quando temos o diálogo com o texto, mas com mudança na abordagem temática, chamamos esta intertextualidade de paródia. Às vezes, a intertextualidade ocorre mesmo em gênero textual distinto. É o que vemos no exemplo seguinte: "Vida de Passarinho", Caulos. "Gonçalves Dias. 'Nosso céu tem mais estrelas... Nossas várzeas têm mais flores... ... Nossa vida mais amores Minha terra tem palmeiras Onde canta o Sabiá'. O sabiá sou eu. Essa era a palmeira". Este quadrinho do cartunista Caulos, além de citar a obra original e o autor Gonçalves Dias, por meio de dois elementos do poema, o sabiá e a palmeira, denuncia o descaso com o meio ambiente no nosso país. Este exemplo mostra o recurso à citação, em que se menciona claramente o texto ou parte dele. E, para finalizar, você sabia que até o Hino Nacional estabelece intertextualidade com a "Canção do Exílio"? Observe no hino os versos: "Do que a terra mais garrida teus risonhos, lindos campos têm mais flores: 'Nossos bosques têm mais vida' 'Nossa vida', no teu seio, 'mais amores'". Os versos remetem de modo flagrante ao poema de Gonçalves Dias. Os versos "nossos bosques têm mais vida", "nossa vida mais amores" pertencem a "Canção do Exílio" de Gonçalves Dias. e os encontramos entre aspas no Hino Nacional. O primeiro verso aparece na íntegra no hino, e o segundo, com adaptação: "'Nossa vida', no teu seio, 'mais amores'". A inclusão do poema "Canção do Exílio" no nosso hino vem comprovar o quanto foi receptiva e popular a obra do poeta Gonçalves Dias. Vale lembrar que a letra do Hino Nacional foi escrita muito depois que Gonçalves Dias criou o seu poema. Resumindo aula de hoje, vimos que somos resultado do que lemos, ouvimos e assistimos, e esses textos nos inspiram. Dialogamos com diferentes textos no nosso dia a dia. A literatura também recorre a esse diálogo, a que chamamos intertextualidade. Essa intertextualidade é usada quando queremos dizer algo semelhante ao original, mas com outras palavras, ou quando queremos modificar o sentido original fazendo referência a um texto conhecido, ou ainda quando queremos construir outros gêneros textuais. Bons estudos e até a próxima aula! Tchau!