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Figuras de linguagem: aliteração

Nesta videoaula, apresentamos informações sobre a aliteração, uma figura de linguagem. Além do conceito e de exemplos, também é feita uma análise sobre seus efeitos de sentido e como a sonoridade pode interferir na interpretação de textos. Sobre a Khan Academy: A Khan Academy oferece exercícios, vídeos e um painel de aprendizado personalizado para ajudar estudantes a aprenderem no seu próprio ritmo, dentro e fora da sala de aula. Temos conteúdos de matemática, ciências e programação, do jardim da infância ao ensino superior, com tecnologia de ponta. De graça, para todos e para sempre. #YouCanLearnAnything Se inscreva no canal! Versão original criada por Khan Academy.

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Transcrição de vídeo

RKA12MC – Olá! Tudo bem? Na aula de hoje, apresentaremos informações sobre a aliteração. O som é importantíssimo na comunicação. Antes de desenvolvemos a linguagem escrita, nós usávamos exclusivamente a linguagem oral para nos comunicarmos. Hoje, o domínio da habilidade linguística nos fez mais do que falantes, usuários de um idioma, mas permitiu que o som fosse um recurso a mais a ser explorado pela linguagem artístico-literária para expressar os sentimentos do artista. Vamos analisar alguns trechos literários que nos ilustrem o uso estilístico do recurso sonoro chamado aliteração. Canção do vento e da minha vida, Manuel Bandeira “O vento varria as folhas O vento varria os frutos O vento varria as flores... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De frutos, de flores, de folhas. [...] O vento varria os meses E varria os teus sorrisos... O vento varria tudo! E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De tudo.” Com toda a sua simplicidade característica, Manuel Bandeira tratou das consequências da passagem do tempo em sua vida. Alguma sonoridade lhe chamou a atenção pela repetição? Nestas duas estrofes apresentadas, observa-se a repetição do som da letra V. De forma alguma essa repetição aconteceu por acaso. O mestre Manuel Bandeira primeiramente relacionou o tempo ao vento e criou essa bela imagem de que o vento, assim como o tempo, passa sem poupar ninguém; varrendo, ou seja, levando impiedosamente tudo o que estiver na sua frente, sejam eles bons momentos, sejam eles más experiências. Em seguida, para enfatizar a passagem do tempo, repetiu o som ou fonema, que representa uma ventania, o V. [som de vento formado pela repetição da letra V] Para enfatizar ainda mais esse efeito na primeira estrofe, o poeta valeu-se de outra repetição, o som do F. E note como o som do F se parece com o som do V. A diferença é que um vibra (o som do V); e o outro (o som do F), não. Agora leia a estrofe novamente pensando nos sons. Não lembra uma ventania passando e varrendo tudo? Essa repetição de sons de consoantes que cria sugestões sonoras é o que chamamos aliteração. Não é a pura repetição de uma consoante, mas dos fonemas. Por exemplo, “fixo”, “exame”, “enxame” têm a letra X em comum, mas perceba que os sons emitidos pelo X em cada palavra são diferentes. Isso não é aliteração. Vamos a outro trecho, agora de O burrinho Pedrês, do grande escritor brasileiro Guimarães Rosa. “Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito... Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando...” Guimarães Rosa retratou o sertão brasileiro como ninguém. Neste trecho, ele narra a caminhada da boiada Intercalando quadrinhas populares cantadas pelos vaqueiros. Perceba neste trecho como a marcha da boiada é representada pelo canto dos vaqueiros, e pode ser ouvida pelas aliterações do B, D e V. E há um ritmo bem marcado na leitura da passagem. A aliteração é um recurso explorado pela literatura, também encontrado na música. Jorge Ben Jor, músico brasileiro, ao cantar o verso “Chove chuva, chove sem parar...”, se vale da aliteração do som do CH e essa repetição sugere o som da chuva constante, o que reforça o conteúdo do verso. E a aliteração não é exclusividade de textos artístico-literários, faz parte do cotidiano; encontramos em propagandas e provérbios. E mais, quem nunca brincou de trava-línguas? Eles são resultado da aliteração. “O rato roeu a roupa do Rei de Roma”. O R repetido sugere o som de roer. Você sabia o que é aliteração, só não relacionava o nome ao efeito artístico. Resumindo, vimos que podemos usar o som das palavras para criar efeitos de sentido. A aliteração é um recurso em que a repetição de sons de consoantes cria diferentes sentidos. Ela é muito empregada na literatura e na música. Também faz parte do nosso dia a dia em brincadeiras que exploram som, como trava-línguas. Obrigado, bons estudos e até a próxima aula! Tchau!