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Figuras de linguagem: ironia

Nesta videoaula, apresentamos informações sobre a ironia, que é considerada uma figura de linguagem. Além do conceito e de exemplos, também é feita uma análise para contribuir para o desenvolvimento da habilidade de interpretar textos e efeitos de sentido. A Khan Academy oferece exercícios, vídeos e um painel de aprendizado personalizado para ajudar estudantes a aprenderem no seu próprio ritmo, dentro e fora da sala de aula. Temos conteúdos de matemática, ciências e programação, do jardim da infância ao ensino superior, com tecnologia de ponta. De graça, para todos e para sempre. #YouCanLearnAnything Se inscreva no canal! Versão original criada por Khan Academy.

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Transcrição de vídeo

RKA12MC – Olá! Como vai? Uma antiga canção brasileira, composta pelo músico Herivelto Martins, começava assim: “Amanheceu. Que surpresa me reservava a tristeza nessa manhã muito fria”. Só por esses três primeiros versos já é possível perceber que o dia não havia começado muito bem para a personagem da canção, certo? Mas o texto continua e vai nos contando então que a pessoa amada tinha abandonado a personagem. Quando acordou, essa personagem percebeu que a outra tinha ido embora. Em versos muito singelos e muito bonitos, o compositor vai nos apresentando a angústia dessa personagem pelo fato de não saber por que o seu amor a teria deixado sem nem ao menos se despedir. Resignada, a personagem anda pela casa e vai até o banheiro, e a última estrofe da canção diz exatamente assim: “Num recurso derradeiro Corri até o banheiro Pra te encontrar - que ironia! Na toalha que esqueceste Estava escrito... ‘bom dia’!” E que erro tu cometeste! Olha, a história triste, mas exemplifica perfeitamente o tema da nossa aula de hoje: ironia. A ironia é uma figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra ou de uma expressão, de modo que ela tenha um sentido completamente diferente do habitual e produza um humor sutil. Mesmo em uma história triste como a da canção, temos que concordar que ser abandonado por alguém de quem a gente gosta logo de manhã, e se deparar com uma toalha bordada com a frase “Bom dia”, é um acontecimento muito irônico. Essa é a chave do uso da ironia na linguagem. O jogo de palavras, o jogo de pensamentos precisa ser elegante. Só há ironia quando se estimula o raciocínio, quando o leitor ou o ouvinte é obrigado a considerar os muitos sentidos que a palavra ou a expressão podem assumir, até encontrar um que dá o significado inusitado que a mensagem espera produzir. Ironia vem do latim (o termo latino já era uma derivação do grego) e a palavra significa “perguntar fingindo não saber a resposta”. Também pode ser compreendida como um disfarce, uma dissimulação. A ironia tem sempre uma intenção sarcástica. Digo uma coisa contrariamente ao que penso para, com isso, chamar a atenção para o que penso. Hoje, por exemplo, você passou por mim, me viu, nem me cumprimentou. Quando vou contar o que aconteceu a um amigo nosso em comum, digo: Ai, fulano é tão educado! Passou por mim e nem me falou bom dia. Nosso amigo em comum certamente vai perceber a minha ironia, e, como eu, vai achar que você foi meio mal-educado. Há exemplos óbvios, como esse, e há exemplos mais elaborados, como o da canção, em que só percebemos a ironia do texto no último verso. E há muitos exemplos de ironia na literatura. Veja este de Mário de Andrade: “Moça linda bem tratada Três séculos de família Burra como uma porta: Um amor." Uhm, há um sarcasmo enorme nessa descrição, né? O narrador provavelmente se refere a alguma jovem rica, bonita, de família tradicional e completamente estúpida. O que deveria ser motivo de incômodo é, como explica o verso final (“um amor”), a grande qualidade que a sociedade da época dava às mulheres de então. O importante era serem lindas e respeitarem a família. Educação para quê? Quanto mais burras, mais adequadas para casar, para ter filhos, cuidar da casa... Nessa ironia, há uma enorme crítica aos costumes sociais e é isto que torna esta figura de linguagem tão interessante. Alguém poderia pensar que o Mário de Andrade estaria fazendo um elogio às moças da sociedade paulistana que só se preocupavam com futilidades? Bom, e nesta apresentação que Monteiro Lobato faz de uma de suas personagens? “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças”. Ora, ora, ora, que excelência tem quem é mestre na arte de judiar de outras pessoas? Aí está mais uma ironia. E nesta poesia de Carlos Drummond de Andrade? A poesia Cidade Grande é irônica do começo ao fim. Critica o crescimento desordenado da cidade de Montes Claros, enaltecendo, exaltando todo o desenvolvimento observado por lá. “Que beleza, Montes Claros. Como cresceu Montes Claros. Quanta indústria em Montes Claros. Montes Claros cresceu tanto, ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas por enquanto, e mais promete.” Tudo isso para quê? Para aumentar a desigualdade social e ver crescer o número de favelas. Triste e irônico! Agora, retomando, é bom lembrar, hein? Ironia é uma figura de linguagem na qual se fala exatamente o contrário do que se pensa de forma elegante. Quando a ironia perde a elegância, vira ofensa. E a gente precisa saber onde usar ironia. Cabe ironia em uma reportagem jornalística cujo objetivo é a informação? Não, né? Cabe ironia em um manual de instruções, em uma receita, que ensinam o passo a passo de uma atividade? Também não. ironia é figura de uso na literatura, nas relações sociais, na música. Fora isso, é melhor pensar em textos mais objetivos. Espero que você tenha gostado da nossa sala de hoje, que tenha aprendido a usar a ironia, e a gente se vê em breve. Até mais!