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Como elaborar um texto teatral a partir de um texto já conhecido

Nesta videoaula, você aprenderá como elaborar um texto teatral a partir de um texto literário originalmente apresentado em outro gênero. Versão original criada por Khan Academy.

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Transcrição de vídeo

RKA3JV - Olá, como vai? Diz aí, você já pensou em criar um texto teatral a partir de um texto publicado originalmente em outro gênero? Bom, isso pode até parecer um pouco complicado, mas hoje, nesta aula, você vai ver que não é tão complicado assim. O primeiro passo é retomarmos as principais características do gênero dramático, aquele que é feito para ser encenado, lembra? E vamos fazer isso utilizando um trecho da peça "O Santo e a Porca" de Ariano Suassuna. Terceiro ato. Mesma sala. Entram Caroba e Margarida. Caroba aponta a Margarida um lugar qualquer onde ela deve se esconder. Margarida assente com a cabeça e se esconde. Então Caroba joga um pacote que deverá conter o vestido, de que depois ela virá a precisar, atrás de um móvel qualquer. Um barulho de fim de jantar e vozes que se aproximam. Caroba se esconde no mesmo lugar com Margarida. Entram Euricão, Benona e Eudoro. Euricão. Meu caro Eudoro, espero que o jantar lhe tenha agradado. Eudoro. Muito, Eurico, muito. Se não fosse pelo jantar, a companhia... Benona. Sempre delicado! Euricão. Infelizmente tenho que me recolher, não tome isso como uma desatenção, é um velho hábito. Eudoro. Desatenção nenhuma, Eurico, eu também durmo cedo. E, mesmo, Benona está aqui. Euricão. Ah, é assim, hein? Você tem razão, ela fará as honras da casa muito melhor do que eu. Mas vocês não demorem muito tempo aqui. Benona. Não seja tão severo, Eurico. Bem, este trecho lido tem os principais elementos do drama. Primeiro, a divisão em atos ou cenas. Terceiro ato. Tal divisão serve para indicar que haverá entrada e saída de personagens, mudança de cenário e coisas do tipo. Outro elemento típico de um roteiro teatral presente neste exemplo é a rubrica, que tem como função direcionar o diretor, os atores, os leitores acerca das intenções da cena, a configuração do ambiente, os movimentos e expressões que os atores precisam realizar, de como devem se portar para que a mensagem do texto seja mais bem apresentada. Tudo isso tende a facilitar a construção das ações no palco. Aqui temos um exemplo dessa rubrica no trecho lido. Veja que há toda uma orientação para o desenrolar das ações. A questão do cenário, que é uma sala, a indicação para a entrada de personagens, elementos que precisam estar em cena, como o pacote com o vestido, ações como se esconder, concordar com a cabeça, etc. O drama também é marcado pela presença de personagens. Aqui temos três que dialogam. Como está a perceptível neste trecho. Euricão. Meu caro Eudoro, espero que o jantar lhe tenha agradado. Eudoro. Muito, Eurico, muito. Se não fosse pelo jantar, a companhia... Benona. Sempre delicado! A presença de diálogo significa que o drama é um gênero escrito para ser representado e não narrado. São os personagens que nos contam a história. Bom, agora que já recapitulamos as principais características de um texto teatral, vamos para a segunda etapa da nossa aula que é adaptar um texto para ser encenado. Para isso, vamos utilizar um trecho do conto "A mulher do Vizinho", de Fernando Sabino. Vamos ler uma parte. "Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco. O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia. O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo à ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte: O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada autoridades constituídas? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada exército brasileiro que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro, duralex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Eu sei como tratar gringos feito o senhor. Foi então que a mulher do sueco interveio. Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?" Bem, aqui como vimos, há um narrador e várias pessoas envolvidas na trama. Dessas, apenas duas têm um diálogo direto que são o delegado e a esposa do sueco. Além disso, há descrições de cenas, como a bola jogada pelos filhos do sueco que caiu no carro do general e o desagradava. Também descrições de trejeitos, como os do próprio sueco, que era tímido, meio descuidado com o vestir. O delegado, que denota uma prepotência no falar. Tudo isso são elementos importantes que vão nos auxiliar a transformar este trecho do conto em um roteiro de teatro. Vamos lá! Como o narrador é importante para o desenrolar da história, já que é ele quem apresenta os fatos, vamos transformá-lo em um personagem. Vai se chamar Pedro. Cena 1. Pedro falando ao telefone, no canto do palco, e repassando para o público informações importantes sobre o que escuta. Pedro. Nossa, então o general denunciou as crianças que estavam deixando a bola cair no carro dele? Que coisa, hein? E o que aconteceu depois? Pedro sai de cena, e entram, o delegado, o homem de trejeitos rudes, que se senta em uma cadeira em frente a uma mesa no meio do palco, e o escrivão, que senta em uma mesa mais afastada. Delegado. (Ao telefone) pode deixar, general, vou dar uma chamada nesse sueco! As cortinas se fecham. Entra em cena o sueco, um homem magro tímido, meio descuidado no vestir com sua esposa e sentam em frente ao delegado. Delegado (com voz pausada, reclinado para trás). E aí, repete todo aquele diálogo. O sueco (com delicadeza). Peço licença para me retirar. A mulher do sueco intervém. Mulher do sueco. Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido? Cortinas fecham. E aí, gostou de adaptar um texto que originalmente não foi feito para ser representado, inserindo nele rubricas, ações, ambiente, cenários, diálogos, criando assim um roteiro teatral? Eu espero que sim. Se você tiver algum texto que goste e deseje muito vê-lo em forma de peça, você já sabe como fazer isso, hein? Você pode reunir um grupo na escola para encenar ou, então, apresentar para outro grupo fazer. Ah, é importante lembrar que se o texto for apresentado para além dos muros da escola ou por uma companhia de teatro profissional, é preciso pedir autorização para o autor do texto original, certo? Agora é a sua vez de ser roteirista. Bons roteiros e até a próxima!