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Çatalhöyük

Çatalhuyük após as primeiras escavações por James Mellaart e sua equipe (foto: Omar hoftun, CC: BY-SA 3.0)
Çatalhöyük ou Çatal Huyük (pronuncia-se "cha-tal ruy uk") não é o local mais antigo ou o maior da era Neolítica, mas é extremamente importante para o início da arte. Localizado perto da moderna cidade de Konya, no centro-sul da Turquia, foi habitado há 9.000 anos por até 8.000 pessoas que viviam juntas em uma grande cidade. Çatalhöyük, ao longo de sua história, testemunha a transição da subsistência exclusivamente pela caça e coleta para a crescente habilidade no cultivo de plantas e domesticação de animais. Poderíamos imaginar Çatalhöyük como um local cuja história é sobre uma das transformações mais importantes do homem: de nômade para colono. É também um local em que vemos a arte, tanto a pintura quanto a escultura, aparecer para desempenhar um novo papel importante na vida dos colonos.
Mapa em relevo da Turquia assinalando a localização de Çatalhöyük
(mapa: Uwe Dedering, CC: BY-SA 3.0)
Çatalhöyük não tinha ruas nem calçadas; as casas eram construídas rentes umas às outras e as pessoas que viviam nelas circulavam sobre os telhados da cidade e entravam em suas casas através de buracos nos tetos, descendo numa escada. Fornos comunais eram construídos acima das casas de Çatalhöyük e podemos supor que atividades grupais também eram realizadas neste espaço elevado.
A partir da esquerda: Uma lareira, um forno e uma escada no Edifício 56, Zona Sul, Çatalhöyük (foto: 20060617_jpq_004, CC: BY-NC-SA 2.0)
Como em Jericó, os mortos eram colocados sob os pisos ou plataformas nas casas e às vezes os crânios eram removidos e engessados para se assemelharem a rostos vivos. Os sepultamentos em Çatalhöyük não mostram variações significativas, nem com base na riqueza nem no gênero; os únicos corpos tratados de maneira diferente, decorados com contas e cobertos de ocre, eram os das crianças. O escavador de Çatalhöyük acredita que esta preocupação especial pelos jovens do local pode ser um reflexo da sociedade se tornando mais sedentária e precisando de um número maior de crianças, devido ao aumento do trabalho, do comércio e das necessidades de ser ter herdeiros.
Área de Escavação Sul, Çatalhöyük
(foto: Çatalhöyük, CC: BY-NC-SA 2.0)
A arte está em toda parte entre as ruínas de Çatalhöyük, desenhos geométricos, bem como representações de animais e pessoas. Losangos e ziguezagues repetidos dançam em paredes de gesso lisas, pessoas são esculpidas em argila, pares de leopardos são modelados em relevo um de frente para o outro nas laterais dos quartos, grupos de caçadores são pintados atraindo um touro selvagem. O volume e a variedade da arte em Çatalhöyük são imensos e devem ser entendidos como uma parte vital e funcional do cotidiano de seus antigos habitantes.
Mulher Sentada de Çatalhöyük (a cabeça é uma restauração), Museu das Civilizações da Anatólia, Ancara, Turquia (foto: Nevit Dilmen, CC BY-SA 3.0)
Muitas estatuetas foram encontradas no local, a mais famosa delas ilustra uma mulher grande sentada sobre ou entre dois grandes felinos. As estatuetas, que ilustram tanto humanos quanto animais, são feitas de uma variedade de materiais, mas a maior parte é bem pequena e feita de argila mal queimada. Estas estatuetas informais são encontradas com mais frequência em fossos de lixo, mas também em paredes de forno, paredes de casas, pisos, e deixadas em estruturas abandonadas. As estatuetas geralmente mostram evidências de terem sido perfuradas, arranhadas ou quebradas, e geralmente se acredita que elas funcionavam como símbolos de desejos ou para afastar maus espíritos.  
Quase todas as casas escavadas em Çatalhöyük continham decorações em suas paredes e plataformas, na maioria das vezes na sala principal da casa. Além disso, este trabalho estava sendo constantemente renovado; o gesso da sala principal de uma casa parece ter sido refeito constantemente a cada mês ou estação. As imagens geométricas e figurativas eram populares na parede bidimensional
Pintura de Parede Neolítica no Edifício 80, Çatalhöyük
(foto: Çatalhöyük, CC: BY-NC-SA 2.0)
e o escavador do local supõe que a pintura geométrica da parede estava particularmente associada a jovens enterrados na vizinhança. Pinturas figurativas mostram apenas o mundo animal, como por exemplo dois grous se encarando atrás de uma raposa, ou interagindo com pessoas, como um abutre bicando um cadáver humano, ou cenas de caça. Os relevos de paredes são encontrados em Çatalhöyük com certa frequência, na maioria das vezes representando animais, como pares de animais frente a frente e criaturas humanoides. Estes últimos relevos, alternativamente concebidos como ursos, deusas ou humanos normais, são sempre representados alargados, com suas cabeças, mãos e pés removidos, presumivelmente no momento em que a casa foi abandonada.
Bucrânio de touro, instalação de canto no Edifício 77, Çatalhöyük
(foto: Çatalhöyük, CC: BY-NC-SA 2.0)
A arte mais impressionante encontrada em Çatalhöyük, no entanto, são as instalações de restos mortais de animais, e entre elas as mais notáveis são os bucrânios de touro. Em muitas casa a sala principal era decorada com vários crânios engessados de touros colocados nas paredes (mais comumente nas paredes Leste ou Oeste) ou nas plataformas, os chifres pontudos na direção do espaço comunitário. Muitas vezes os bucrânios eram pintados de vermelho ocre. Além destes, os restos de crânios, dentes, bicos, presas ou chifres de outros animais eram colocados nas paredes e plataformas, engessados e pintados. Parece que os antigos moradores de Çatalhöyük só estavam interessados em levar as partes pontiagudas dos animais para suas casas!
Como é possível entendermos esta prática de decoração de interiores com os restos de animais? Um indício pode estar nos tipos de criaturas encontradas e representadas. A maioria dos animais representados na arte de Çatalhöyük não era domesticada; animais selvagens dominam a arte no local. Curiosamente, o exame do lixo ósseo mostra que a maioria da carne consumida era de animais selvagens, especialmente touros. O escavador acredita que esta seleção da arte e da culinária tinham a ver com a era contemporânea de crescente domesticação de animais, e o que se celebra são os animais que fazem parte da memória do passado cultural recente, quando a caça era muito mais importante para a sobrevivência.
Ensaio da Dra. Senta German
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