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Guia do processo de inovação

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ENSINO HÍBRIDO DE ALTA QUALIDADE Quando você está numa situação em que há muita certeza, é fácil pensar estrategicamente. Você analisa as variáveis, faz um planejamento e implementa. É como fazer um prato que já sabe cozinhar. Pega a receita, compra os ingredientes e cozinha. Porém com um chef novo, que cria um prato novo, é bem diferente. Esse chef pode começar se inspirando no que outros chefs fizeram. E usar seu conhecimento para reunir ingredientes interessantes que podem funcionar bem juntos. Ele pode experimentar, provar e buscar feedback de outros chefs. Ele repete até ter um prato bem-sucedido, que nem imaginava antes de começar. Então, reprojetar classes e escolas para o mundo do ensino híbrido é muito mais parecido com o chef que cria um prato novo, do que simplesmente seguir uma receita e assar um frango. Não há manual de como fazer isso. E, sinceramente, muitos softwares e hardwares não estão prontos ainda. Isso não significa que você pode experimentar livremente, dizendo que Michael e Brian o mandaram fazer interação. É mais um processo científico. Crie uma hipótese e descubra como testá-la do modo mais rápido e fácil possível. Com esses dados, pode seguir um de dois caminhos: fazer mais o que tem feito, ou menos. É um processo de pensamento rigoroso. Há várias estruturas de pensamento para testar, aprender e ajustar enquanto constrói uma solução. Pensamento voltado ao design, metodologia de lean startup e planejamento orientado à descoberta. Cada um desses tópicos é importante, mas, para poupar tempo, nós os reunimos num estudo de ideias, para ajudá-lo no processo de inovação em seu próprio contexto. O PROCESSO DE APRENDER FAZENDO Quando faz algo novo no ensino, mas que é relativamente parecido com o que já fez, o processo é bem simples. Pense em comprar um livro didático. Reúne um grupo de pessoas, avalia suas opções, escolhe o livro e o utiliza em classe, como sempre fez. Mas, em condições incertas, é bem diferente. Pense em Steve Jobs e na Apple lançando seu primeiro iPod. Se pegassem um manual da Sony e lançassem o walkman, teriam perdido várias oportunidades que este novo modelo lhes permitiu. Coisas como a loja do iTunes, ou o streaming de música, ou a noção de marketing de 40 mil músicas em seu bolso. Exato. E na Summit, uma de nossas protagonistas, eles estão mais próximos da Apple que de um manual. Quando implementaram um modelo com as playlists, era algo que nunca fora feito na educação. Como são as mudanças na maioria das escolas, sobretudo nas escolas em que trabalhei? Todo ano, em agosto, nós lançávamos algo novo. Algo em que trabalhamos durante o verão, planejamos e criamos. Quer fosse um professor na sala ou uma escola. Lançávamos e testávamos o ano todo. Mas não mudávamos nada. E, sinceramente, não reuníamos dados sobre como funcionava ou não. Às vezes, na primavera, enquanto planejávamos o outono, com a equipe e o orçamento, dizíamos: "Continuaremos fazendo isso?" "Sim, não, talvez", respondia quem estivesse lá. Era algo bem arbitrário. E era assim até a próxima iteração. Não era algo disciplinado, focado nem reunia dados. Sabíamos que precisávamos de um processo diferente, então, descobrimos e adotamos o processo de lean startup, de Eric Ries, como processo de iteração do que ele chama de Ciclo Construir-Medir-Aprender em que você realmente cria algo, mas com uma intenção. Que problema quer resolver? E, antecipadamente, diz o que vai aprender com isso. E como medir se teve êxito? Então, você reúne os dados, os analisa e aprende com eles. Não só para decidir se continua a fazer algo ou não, faz a iteração do que fez com base nessas medidas e nesse aprendizado. Ao implementar algo em educação totalmente novo e desconhecido, sugerimos um sistema com seis passos fundamentais. O primeiro é ser claro em seus objetivos. Precisa saber quais são suas metas desejadas. Depois, veja como medir os resultados. Como saber se teve êxito ou não? Que dados precisa medir? O terceiro passo é se comprometer em agir. O aprendizado acontece quando se age. Crie minitestes que lhe permitam descobrir o que funciona ou não. Depois reúna o feedback de alunos e professores. Por último, continue fazendo a iteração até o sucesso, continuando a fazer o que funciona e ajustando o que não funciona. PASSO 1: SER CLARO EM SEUS OBJETIVOS Ser claro em seus objetivos é essencial para não ficar se debatendo durante o processo. E seus objetivos não são a tecnologia em si. Sua meta não é ter iPads nas salas, porque isso é autorreferencial. O que importa é o aprendizado que quer criar e a forma como a tecnologia o ajudará a fazer isso. PASSO 2: DESCOBRIR COMO MEDIR OS RESULTADOS No passo 2, descubra como medir os resultados. Saiba que dados precisa utilizar para saber se está tendo êxito. Quando falamos de dados, não são apenas notas nas provas. Pode usar isso, mas também o comprometimento dos alunos, quanto tempo eles passam com os professores. Fatores assim o ajudarão a entender se seu modelo está tendo êxito. PASSO 3: COMPROMETER-SE EM AGIR Comprometer-se em agir é muito importante, porque não pode ser apenas um exercício teórico. É como quando um chef reúne os ingredientes e terá de colocá-los na panela e ver o que acontece quando o calor age e os sabores se mesclam. No ensino, isso acontece quando apresenta o modelo aos alunos. Precisa estar disposto a testar essas ideias, senão será só um exercício de pensamento em teoria. Então, levante as mangas e coloque mãos à obra. PASSO 4: CRIAR MINITESTES O importante ao testar essas ideias é não fazer isso com grandes apostas, em que o risco é grande caso jogue mal. Em vez disso, crie minitestes e pense em formas de baixo custo de testar ideias e fazer protótipos rapidamente. O que muitos chamam de produto viável mínimo, ou PVM, é uma forma de testar bem rápido se algo funcionará, assim terá tempo de fazer a iteração. É como se projetasse uma nova interface de telefone. Não desenvolve um software e o lança, mas começa pegando seu telefone e colocando um post-it nele, desenhando as experiências que os usuários devem ter, só de fazer isso, e antes mesmo de escrever uma linha de código, você pode aprender muito. Um exemplo de como aprendemos que os protótipos são muito importantes no processo de inovação, não foi quando os fizemos, mas quando decidimos avaliar cada passo, na preparação do lançamento de uma nova ferramenta para os alunos sem examinar como seria para um único aluno. No meio do feriado do Dia de Ação de Graças, após 30 horas de projeto, recebi uma ligação porque o programa não aparecia no computador de um aluno. Os links não funcionavam, não sabia o porquê. Então, tivemos que parar. Já tínhamos criado algo para 250 alunos, e tivemos que revisar cada passo para saber o que saiu errado. Enquanto ficamos corrigindo cada uma das lições, vimos por que se faz testes em pequenos lotes e por que é preciso fazer protótipos. Pois queremos liberar a ferramenta para o usuário o mais rápido possível, para então fazer a iteração, em vez de perder tempo consertando o que não funciona. Normalmente, quando tentamos algo novo no ensino, é um processo de vários anos, com diversas equipes de planejamento. Gastamos muito dinheiro fazendo tudo isso para enfim entregar aos alunos e ver se é uma boa ideia ou não. É quase o oposto de um PVM. Em comparação, como uma escola que apoiamos na Silicon Schools, a Caliber School, em que têm uma abordagem mais próxima do PVM. Eles fizeram um protótipo de verão para testar suas ideias antes de o ano letivo começar. A Caliber queria testar que tipo de apoio os alunos precisavam para serem bem-sucedidos, ou se crianças com mais experiência em computação podiam aprender código, ou que tipo de professores tinham mais êxito em seu modelo. Construindo um laboratório, podiam testar essas ideias, em vez de ser apenas um argumento no papel. E pense como é muito mais fácil de fazer isso num curso de verão, fora do ambiente da escola. E quer a teoria se prove verdadeira ou não, você pode fazer ajustes mais facilmente. Após a aula, você tem um ambiente bem parecido para testar essas ideias, e tem a liberdade de fazer iteração. Quando estiver no estágio de protótipo, criando novas ideias, lembre-se da importância de ter várias pessoas participando do processo, para que possam pensar de forma inovadora. O bom dos protótipos é que não precisa de tantas ferramentas só de um parâmetro e um processo. Começamos os protótipos pegando um monte de papel, colocando na parede e dizendo para identificarem o problema. E dizemos: "Tudo que os incomoda, escrevam aqui, e quem tiver alguma solução, faça o mesmo. Peguem a caneta e escrevam. Usem a cabeça, sejam criativos. Sejamos uma equipe". Então, vimos os problemas surgindo, formamos várias equipes, analisamos os problemas, apresentamos várias propostas, voltamos para a equipe e colocamos em prática em uma semana. Foi um excelente modo de assegurar que os professores fossem os líderes da inovação e parte do processo de planejamento, porque são os que melhor identificam os problemas desde o início. PASSO 5: REUNIR O FEEDBACK O essencial ao fazer esses testes é que é preciso reunir os dados. Podem ser notas de provas ou feedback quantitativo. Mas também é importante dedicar os recursos para observar o que acontece nessas salas. Tenha outro professor ou o diretor ou até uma câmera de vídeo para monitorar o que acontece, porque pode aprender muito se estudar de perto. No ensino, costumamos anotar várias coisas e depois nos lembrar do que funcionou ou não. Então, aconselho que tenha um observador, que possa analisar e processar com você, assim aprenderá muito com cada um das tentativas. Outra coisa, não esqueça o feedback dos próprios alunos. A Summit faz um bom trabalho com isso, usando grupos de foco e pesquisas regulares, para reunir o feedback dos alunos sobre o que funciona ou não. Entender a voz e a experiência do aluno não serve só para iniciar o processo de planejamento, é com certeza algo que influencia o processo inteiro. Você ouve o que os alunos dizem, cria um protótipo, apresenta uma ideia e tem que ouvir o que eles têm a dizer de novo. É isso que você usa e para isso faz a iteração. A voz do aluno é o motor do processo de planejamento. Para quem tem medo de dar um salto para o desconhecido, e teme que seja... É enervante em comparação com o que já faz e está acostumado. É o que muitos pensam, mas, no fim das contas, quando colocamos os alunos no motor do processo de planejamento não tem como errar, porque sempre voltamos para eles e eles cobram de nós muito mais do que cobraríamos de nós mesmos. PASSO 6: FAZER A ITERAÇÃO A razão para continuar a fazer iteração é porque você não vai acertar logo de cara. Nenhum de nós é inteligente o bastante para projetar o modelo ideal no papel. Precisa se arriscar e cometer falhas. E esse conceito de Construir-Medir-Aprender vai lhe permitir manter o círculo de inovação e você terá resultados melhores. Para entender como a iteração funciona na prática, vou dar um exemplo. Quando desenvolvemos e lançamos a ideia da playlist para os alunos que estudavam de forma independente, eles iam até a playlist e selecionavam como aprenderiam, antes de comprovarem o que sabiam. Nossa primeira playlist era baseada no que você encontra no seu iPod, então, reunimos vários recursos e entregamos às crianças. Bem, não conseguimos o que queríamos. Sinceramente, as crianças não aprendiam daquele jeito. Recebemos dados que mostravam que não aprendiam com as playlists. Não era o que queríamos. Tínhamos algumas ideias de como melhorar, então, pegamos essas ideias, fizemos a iteração na primeira versão e testamos. Então, vimos que se pegássemos as playlists e as dividíssemos em grupos e recursos, com um cabeçalho que dizia: "Eis a matéria que deve aprender e eis os recursos para isso". Fizemos isso, reunimos o feedback dos alunos, ouvimos a voz deles, analisamos os dados de desempenho, e descobrimos que eles começaram a aprender um pouco mais. Então, repetimos o círculo outra e outra vez, e cada vez melhorava. Então, hoje a playlist está muito aprimorada. Há seções de introdução, começa com uma avaliação de diagnóstico, em que as crianças veem como estão, e concluem com um link direto para a avaliação final. As crianças podem marcar o que já fizeram e acompanhar seu progresso, e permite que os alunos digam o que acharam da playlist, se funcionou ou não para eles, dando aos colegas uma avaliação de sua eficácia ou não. Este é um exemplo de repetição do círculo, usando a medida e o aprendizado para continuar com a iteração e melhorar até que estivéssemos satisfeitos. OS DESAFIOS Nas escolas, há desafios a mais. Às vezes temos uma ótima teoria ou uma ideia perfeitamente construída, mas, quando chegamos à realidade das escolas e dos alunos, tudo cai. Talvez a internet caia um dia, talvez aconteça algo traumático com uma criança em casa e ela estrague a aula para os outros. É fácil eliminar o bom junto com o ruim. Mas às vezes é preciso fazer uma iteração diferente, ou manter algo durante essa etapa difícil enquanto aprende a fazer com mais determinação. A implementação é muito importante. É aí que Brian e eu dissemos que você tem de confiar no instinto dos educadores em sala, para saber quando compensa investir em algo ou quando é melhor se afastar porque não está funcionando. Tenho um amigo que comanda uma rede de escolas na Califórnia, e eles testaram um piloto de um novo software. Ele fez tudo certo, fez o teste com um pequeno grupo, mediu os resultados, e conseguiu um ganho enorme. Quando ficou claro que era a coisa certa, ampliaram para todas as escolas. Apresentaram os dados, elaboraram um plano, colocaram em prática, funcionou e ele foi cuidar de outras coisas. Meses depois, quando recebeu os dados de volta, os resultados não eram bons. A primeira coisa que os envolvidos disseram foi: "Não é um bom software, não funciona". E a resposta dele foi: "Não, funcionou. Só não do jeito que queríamos". Às vezes, você deve insistir em algo, voltar e analisar as iterações, ou a implementação, para descobrir a forma certa de fazer isso funcionar.