Silvestre Arcos's KIPP Washington Heights 5th grade classroom (NY)

"How I Blended My Math Class" by Silvestre Arcos
This story first appeared in Education Week on June 18, 2014. You can view the original article here.
Há pouco mais de dois anos, meu diretor, Danny Swersky, me mandou um e-mail com sua visão sobre o ensino da matemática na Escola de Ensino Fundamental KIPP: Washington Heights, uma escola autônoma que recebe verbas públicas e vai abrir, em breve, na cidade de Nova York. Para ser mais específico, ele me disse que queria personalizar a aprendizagem dos alunos com a ajuda da tecnologia. Ele me incentivou a experimentar a Khan Academy, um provedor de conteúdo on-line. Fiquei intrigado.
A essa altura do ano letivo, eu já tinha abordado todo o conteúdo que seria cobrado na prova estadual de Nova York, e estava interessado em encontrar novas formas de manter meus alunos envolvidos, continuando com o aprimoramento de suas habilidades. Então eu levei alguns iPads para a sala de aula e mostrei o site da Khan aos meus alunos. A resposta deles foi ainda mais entusiasmada do que a minha. Eles logo começaram a usar o site para praticar, ganharam “pontos de energia,” e chegaram ao domínio de habilidades. Eu estava animado com as oportunidades que esse tipo de ferramenta poderia nos dar.
Dois anos mais tarde, me tornei o fundador da grade curricular de matemática do 5º ano na KIPP: Washington Heights. Minha aula de matemática e minha abordagem sobre a aprendizagem são muito diferentes do que eram durante meus primeiros dez anos como professor. Meus alunos passam mais tempo trabalhando nos computadores e em pequenos grupos, e eu passo bem menos tempo explicando as lições.
Minha estratégia básica é planejar uma miniaula geral que aborda um conteúdo importante, enfatizando a resolução de problemas e o entendimento de conceitos. Então, eu olho o relatório de progresso gerado pelo site da Khan e agrupo os alunos com base em seus níveis de progresso no conteúdo em questão. Os alunos que dominam uma habilidade preenchem um pequeno formulário quando entram na sala, e então vão para seus laptops para se aprofundar mais no tópico ou explorar novos conteúdos. Os alunos que precisam praticar mais, ou que estão apresentando dificuldades, fazem alguns exercícios como aquecimento, e então participam da miniaula. Eu uso modelagens e representações visuais para resolver os problemas. Os alunos, então, vão para os laptops para continuar praticando. Nesse momento, eu geralmente trago os alunos que estão em níveis mais avançados para trabalhar em atividades separadas que estejam relacionadas às habilidades nas quais estamos trabalhando.

Atendendo às necessidades individuais de aprendizagem

O uso da tecnologia dessa forma me permitiu atender às necessidades individuais dos alunos, e assim apoiá-los para melhorarem seu nível atual de proficiência. Enquanto os alunos trabalham sozinhos ou em pares, em seus computadores, eu geralmente coloco os alunos que precisam de mais atenção em pequenos grupos para realizar as atividades do dia. Eu também agrupo alunos que precisam de ajuda com a linguagem e informações de base, e sento e trabalho com eles de forma individual, ou em pares, para cuidar de problemas específicos. Todos na sala trabalham em seu próprio nível e progridem em seu próprio ritmo. Com várias formas de passar a lição, posso ter certeza de que todos os meus alunos, independentemente de suas metas individuais ou de sua proficiência na língua, estão trabalhando no nível que deveriam.
Esse modelo de ensino de matemática também é uma excelente oportunidade para ensinar os alunos a serem independentes e responsáveis, bem como estimular a garra, o otimismo e a curiosidade. No começo de toda unidade, eu crio posters que listam os exercícios da Khan Academy que estão relacionados ao conteúdo da nossa grade curricular. After choosing between Khan Academy and ST Math, a game-based instructional software program, students look at their individual skills-progress reports to decide what they need to practice and then work the exercises at their own pace. Depois de concluírem a lista, eles podem demonstrar sua curiosidade explorando novos tópicos.
Uma ou duas vezes por semana, eu projeto o relatório de progresso de toda a sala para dar aos alunos uma ideia do progresso do grupo e de quais alunos estão trabalhando nas mesmas habilidades. Frequentemente, eu me reúno individualmente com os alunos para dar um feedback sobre as escolhas que eles fizeram na hora de selecionar quais habilidades praticar e quais exercícios fazer. No começo do ano, eu penso em estratégias que eles podem usar caso fiquem indecisos sobre como agir. Dessa forma, eu ajudo a construir o senso de autonomia e independência dos alunos, e também a habilidade de encontrar suas próprias soluções, que são características essenciais no futuro acadêmico. A tecnologia possibilita a personalização do desenvolvimento do caráter deles, bem como seu desenvolvimento acadêmico.
Como professor, recentemente também fui influenciado pela palestra do pesquisador Sugata Mitra, chamada “Construa uma Escola nas Nuvens”, que enfatiza a importância da colaboração entre alunos. Comecei a incorporar mais atividades colaborativas em minha sala de aula—por exemplo, fazendo com que os alunos trabalhem em habilidades através de atividades em pares ou em pequenos grupos. Acredito que os alunos têm ganhos cognitivos significantes quando fazem perguntas e ensinam habilidades uns aos outros.

Considerações e resultados

No final de cada aula, meus alunos podem fazer um agradecimento a si mesmos, ou aos outros, por suas conquistas. “Quero parabenizar a mim mesmo por ter avançado de nível nos Gráficos de Retas”, um aluno poderia dizer. “No começo foi difícil, mas eu tive garra, insisti, e completei o exercício”. Os alunos aplaudem quando os outros conseguem sua primeira medalha “Sun Badge”, como recompensa por terem dominado 100 habilidades. Quando atingem seus objetivos, eles criam novos. Na porta da minha sala, eu coloco o nome dos alunos junto com os “pontos de energia” da Khan que eles conseguiram, e o número de habilidades que eles dominaram. Os alunos ficam cada vez mais otimistas por poderem conquistar mais coisas e terem mais oportunidades no futuro, a partir de seu próprio esforço.
Usando esse modelo nos últimos dois anos, aprendi que os alunos em todos os níveis podem ter ganhos enormes na matemática. Mas não foi sempre assim nas minhas turmas. Eu costumava ver um grande crescimento nos meus alunos de nível médio, mas nunca tive sucesso em incentivar os alunos que estavam em níveis mais avançados para que tivessem ganhos significantes, ou tempo para ajudar os alunos com mais dificuldades. Agora, encontro maneiras de alcançar todos os meus alunos, muitos dos quais entram na escola com uma grande defasagem em matemática.
Ao longo desse ano, o percentual dos meus alunos que estavam abaixo da média de progresso acadêmico caiu de 50 para 11. Ao mesmo tempo, o percentual de alunos com as melhores médias subiu de 6 para 41. Nos últimos dois anos, 99% dos meus alunos do 5º ano atingiram suas médias de progresso na prova que mede o progresso acadêmico. Eles também se saíram bem nas provas estaduais, ficando acima da média municipal e estadual, e superando alunos de outras escolas do mesmo nível.
Também vimos alunos continuarem a crescer e a aprender fora das aulas de matemática. Não é raro que alunos me liguem ou me mandem uma mensagem para me dizer que eles conseguiram uma nova medalha, ou que eles atingiram um certo objetivo. Eu acredito que estou chegando perto de atingir meu objetivo, que é transformar todos os meus alunos em alunos independentes.
No próximo ano, vou assumir uma nova posição, como tutor de matemática na minha escola. Estou ansioso para trabalhar com meus colegas, na minha escola e em todo o país, para melhorar ainda mais esse modelo de aprendizagem. Ele me ajudou a ver novas possibilidades para ensinar, e aumentou minha habilidade de perceber as necessidades individuais dos alunos—algo importante não só para mim, como para todos os professores. Estou ansioso para compartilhar o que eu aprendi sobre o poder do ensino de matemática verdadeiramente personalizado.
Silvestre Arcos é professor de matemática titular do 5ºano na KIPP: Escola de Ensino Fundamental Washington Heights. Ele é mestre em educação bilíngue/bicultural pela Universidade de Columbia. Arcos ganhou o prêmio Culturally Responsive Teaching Award da Teaching Tolerance, de 2011, e o prêmio Big Apple Award da cidade de Nova York, em 2013, por excelência no ensino.