Tempo atual:0:00Duração total:16:33
0 pontos de energia

Repensando o papel do professor e as mudanças essenciais que ele experimenta

Transcrição de vídeo
ENSINO HÍBRIDO DE ALTA QUALIDADE Ao revermos o papel do professor no ensino híbrido, pensamos em cinco mudanças principais. A primeira é de Orador para Facilitador. O segundo é de estruturas de grupos fixos, para estratégias mais dinâmicas de agrupamento. A terceira mudança é deixar de ser quem explica todos conceitos para apenas intervir no momento certo, conforme a necessidade. Em seguida, deixar de focar no conteúdo apenas, para concentrar-se em conteúdo, habilidades e até na postura dos alunos. E a última mudança em que temos pensado bastante é uma que acontece em vários modelos que apresentamos, que é mudar de generalista para especialista. A ideia de que professores podem se especializar nos temas que os atraem mais, ou onde se sobressaem. DE ORADOR A FACILITADOR Para tornar esta nova visão de escola uma realidade, nós, professores, temos que buscar um princípio fundamental de como entendemos nossa função. E este é nosso modelo principal para transmitir o conteúdo. E abandonar a ideia de que sempre temos que ensinar algo para que os alunos aprendam. Quando os alunos estão no computador, no aprendizado personalizado, minha função é apenas facilitar. Não é minha função responder às perguntas deles, e sim solicitar avaliações de conteúdo. Então, eu faço isso acompanhando a tarefa deles e facilitando seu aprendizado, e meu papel ali não é ensiná-los naquele momento. É para que eles aprendam com seus erros e sucessos. A aula expositiva ainda fará parte do processo. Não queremos criar uma impressão equivocada. Mas se analisarem as escolas de ensino híbrido que mostramos, verão que a aula continua relevante por duas razões. A primeira é que num contexto de pequeno grupo o professor ainda conduz os alunos por vários conceitos e exercícios. E a segunda razão, falando honestamente, os alunos na universidade ainda aprendem em aulas expositivas por isso tomar notas e absorver o conteúdo ainda é importante. DE GRUPOS DE ESTRUTURA FIXA PARA AGRUPAMENTO DINÂMICO Na Educação, sabemos há muito tempo a importância de colocar os alunos no grupo certo na hora certa. Mas, geralmente, parece que a classe está dividida em três grupos e nós os chamamos de nomes distintos, e a criança logo se dá conta: “Sou uma criança esperta” ou “Não sou muito.” Isto acontece porque os grupos são fixos, as coisas estão rígidas e as crianças não mudam. O modelo não se altera conforme o nível de proficiência, pois sabemos que podem mudar num dia ou em algumas horas. Portanto, a ideia central aqui é o que chamamos de agrupamento dinâmico. Os grupos existem dependendo de cada conceito e respondem às mudanças na criança. Elas podem ir do nível médio ao alto ou baixo, mesmo no espaço de uma semana. Esta é uma das grandes mudanças ao passarem para o ensino híbrido: Eles usarão dados para conduzir essa ideia do agrupamento dinâmico, ou grupos que mudam. Cremos que você deveria usar esses dados pelo menos semanalmente talvez até diariamente para sempre avaliar os alunos para lhes oferecer o conteúdo certo na hora certa. Vou dar um exemplo concreto. Há uma escola aqui na região que usa o sistema criado por eles mesmos e que se chama Exit Ticket. O professor assume sua posição, mas imediatamente oferece aos alunos algumas opções; perguntas para avaliar o que eles sabem. Os alunos colocam suas respostas, e os que acertam são retirados; remove-se a primeira camada, esses alunos saem e trabalham num desafio maior. Então o professor começa a sua aula e logo faz outra pausa, faz mais uma série de perguntas, avalia o que os alunos sabem e remove mais uma camada da cebola, até chegar ao grupo de alunos que realmente precisam da intervenção mais mágica que temos, que é mais tempo num pequeno grupo com o professor. Nós “re-ensinamos” o quanto antes. Este é um dos aspectos marcantes do ensino em pequenos grupos: Eu dou a aula num formato de pequeno grupo e posso descobrir que dois alunos do grupo I e dois do grupo II têm dificuldades nas mesmas áreas. Eles não entenderam bem como posicionar a régua da maneira certa. Então, posso pegar esses quatro alunos novamente e ensiná-los outra vez naquela área específica apenas. Eu sei em qual área eles têm dificuldade graças aos dados que obtenho rapidamente em programas com esse modelo. Se analisarmos ambientes de ensino híbrido, é muito fácil imaginar que a quantidade de dados rapidamente ganhará volume excessivo. Não se assuste com isso. Escolha uma fonte que lhe ofereça dados e objetivos possíveis, ou duas ou três matrizes que o ajudem na formação dos grupos e que mostrem o que os alunos precisam seguir em sua instrução. DA EXPLICAÇÃO À INTERVENÇÃO Quando os professores explicam muito menos graças ao software, ficam mais livres para dedicar muito mais tempo à intervenção na hora certa, para cada aluno individualmente. DO FOCO NO CONTEÚDO PARA O FOCO NO CONTEÚDO, HABILIDADES E POSTURAS É muito empolgante ver escolas com foco não apenas no conteúdo que precisam transmitir, mas também nas habilidades dos alunos para aplicar o conhecimento, assim como as posturas que esperam que os alunos tenham. Nossa esperança é que algumas destas técnicas venham liberar mais tempo para os professores, para que eles possam dedicar mais tempo a essas habilidade e posturas. E isto também se alinha com o conteúdo central futuro, que exigirá dos alunos um trabalho mais cognitivo em suas avaliações. Os professores e a equipe das escolas que mostramos pensam muito neste papel, e em como levar os alunos a desenvolver o conteúdo de que precisam, a postura ideal e as habilidades para alcançar êxito. Eu venho de uma família de professores. Nós conversamos muito sobre escolas e sobre ensino. E há dois aspectos deste modelo que me atraíram mais. Sobre os quais eu gosto mais de falar. O primeiro é a forma como identificamos claramente as três grandes categorias do que queremos que os alunos aprendam. Conhecimento do conteúdo, habilidades cognitivas e habilidades não-cognitivas. Qualquer professor pode lhe dizer que essas coisas são importantes e que são ensinadas em suas aulas, mas gosto do fato de tê-los identificado distintamente e separado um tempo específico durante o dia para que os alunos trabalhem nessas coisas, assim eles sabem em que estão trabalhando. Uma coisa não se perde dentro da outra. Os alunos recebem um feedback claro, seja do conteúdo, das habilidades cognitivas e não cognitivas. E cada um deles recebe avaliação individual, para que saibam exatamente o que estão fazendo bem e o que precisa ser trabalhado. Pensando em que aspectos meu papel é o mesmo ou diferente, creio que em termos das diferenças, uma grande diferença óbvia é que não estou falando com o aluno sobre um conteúdo específico, como fazia. E não me preocupo o tempo todo se a atividade fará com que absorvam o conteúdo. Eu crio uma lista de objetivos e trabalho muito para que os alunos aprendam o conteúdo, mas o ônus deste trabalho está agora sobre as crianças. DE GENERALISTA A ESPECIALISTA Vemos uma tendência em muitas escolas, não em todas, mas em muitas com ensino híbrido, de professores que mudam de generalistas, com todos os elementos do ensino, para se especializarem em seus pontos fortes e nas coisas que realmente os anima a continuar na profissão. Muitos se lembram do documentário “Esperando pelo Super-Homem”. O problema que tive com aquele filme foi o título. Ele implica que a única maneira de salvar nossas escolas é termos um super professor em cada sala de aula, realizando muitos tipos de tarefas, que nenhum ser humano poderia realizar num espaço de 45min. E em vez disso nos perguntamos: E se os professores fizessem o que sabem de melhor? Aquele que simplesmente adora planejar aulas usaria suas ótimas aulas em toda aquela faixa etária para evitar que todos preparem a mesma aula repetidas vezes. O professor que é um ator, gosta da atenção dos alunos, pode dar mais aulas expositivas com mais alunos de cada vez e liberar outros professores para outras tarefas. O professor que ama os dados e que gosta da avaliação pode criar uma avaliação válida e estatisticamente confiável e usá-la em toda a escola, talvez até em toda a região. Estimule os pontos fortes do professor e permita que se especializem até onde for possível. Quando se percebe que nem todo professor precisa fazer a mesma tarefa, e que nem todos eles precisam fingir dominar milhares de temas diferentes, algo que, como humanos, sabemos ser impossível, é muito animador. E muitos professores são bem-sucedidos na administração da sala de aula. Outros sabem despertar nos alunos o amor pela escrita. Outros professores conseguem ensinar através de uma música sobre Matemática para ensiná-los formas diferentes de pensar na matéria. E a diversão é: deixe o professor colocar em prática o seu talento. Estas são as cinco mudanças que Brian e eu vemos acontecer ao se envolverem com o modelo de ensino híbrido. Esperamos que esta lista seja desafiadora e o tenha inspirado. O QUE PROFESSORES DEVEM ABANDONAR Nós apresentamos muitas ideias das mudanças no papel do professor quando ingressamos no contexto do ensino híbrido. E enquanto refletimos sobre como as posturas mudam, é importante que os professores reflitam no que devem abandonar. Um ponto importante que eu encorajaria as pessoas a deixar é o plano de aprendizado. O conceito de que todos os alunos devem avançar no mesmo ritmo. Nosso sistema educacional firma-se virtualmente na hipótese de que somos os melhores astrólogos. Por exemplo, um aluno nasce no ano do coelho e, portanto, quinze anos depois, no dia 27 de outubro, ele estará apto a ler um determinado capítulo de um clássico da literatura. Por que não oferecer um sistema que permita ao aluno ler o material no momento apropriado? Deixe o aluno controlar seu ritmo. E para fazer isto corretamente, nós professores não podemos estar uma semana à frente dos alunos num determinado momento. Se queremos que os alunos conduzam o aprendizado, precisamos lhes mostrar todo o caminho antecipadamente, para que eles se apropriem deste aprendizado e sigam em frente, em seu próprio ritmo. Um elemento importante que devemos nos lembrar é que ainda é importante estabelecer um ritmo mínimo para que os alunos não fiquem muito para trás. “O RITMO DO PROFESSOR SOMOS COMO VEÍCULOS DE EMERGÊNCIA QUE ACOMPANHAM OS ÚLTIMOS DA MARATONA. ELES NÃO IMPEDEM QUE DISPAREM, MAS DITAM O RITMO MÍNIMO DO CORREDOR.” JOHN GLOVER CEO - ALPHA PUBLIC SCHOOLS Há uma bela história contada por Dustin Hoffman no palco, sobre uma conversa que teve com Lawrence Olivier. Lawrence Olivier falava com ele, quando Dustin Hoffman disse: “Lawrence, por que você decidiu ser ator? O que te levou a isso?” E ele estendeu as mãos, segurou o rosto de Dustin Hoffman e disse: “Olhe para mim, olhe para mim, olhe para mim.” Eu acho que, como educadores, temos um pouco disto. Queremos a atenção sobre nós. Portanto, uma ideia que encorajo no contexto do ensino híbrido é que nem sempre devemos ser o ponto central de atenção. Podemos dar liberdade aos alunos e deixá-los trabalhar. E se fizermos isto, estaremos livres do peso de levar a classe em marcha. Podemos pensar em grupos e até reduzir nosso nível de estresse, permitir que seja mais fácil trabalhar em pequenos grupos e ainda sermos incrivelmente produtivos. Levamos os alunos a um padrão de produtividade, em vez da atenção em conjunto sobre nós. Outra coisa que os professores podem começar a deixar de lado é o sentimento de ter que dar nota a cada tarefa. Falando sinceramente, a tecnologia pode tirar de nós esse fardo e automatizar parte desta tarefa. E com a tecnologia que temos como parte do ensino híbrido, eu não preciso ir para casa, corrigir provas e ver quem não entendeu. Eu sei na mesma hora quem tem dificuldade e está recente em suas mentes e posso corrigir imediatamente o que não foi absorvido. Vemos escolas realizando muitos destes pequenos truques para poupar o tempo do professor. Quando o aluno chega e automatiza o processo da abertura da aula. Ou automatiza a coleta de dados ao final da aula. Trata-se apenas de pegar o que era feito manualmente e verificar se há uma maneira automatizada e rápida, que poupe o tempo dos professores. Uma história que sempre conto aos pais é que não há razão para que um professor escreva, aplique ou corrija uma prova de vocabulário. Porque temos computadores que podem fazer isso, melhor e mais rápido e informar os dados ao aluno na hora. Em vez disso, nossos professores podem se concentrar mais em preparar aulas excelentes para as crianças e no ambiente voltado para os projetos que permitirá que suas habilidades permaneçam no primeiro plano da sua experiência de aprendizado. O QUE OS PROFESSORES DEVERIAM PRESERVAR Ao falarmos sobre essas grandes mudanças no ensino híbrido do que costumávamos fazer nas aulas mais tradicionais, três coisas continuam iguais. A primeira é o foco na cultura, a segunda é relacionamentos, relacionamentos, relacionamentos, e a terceira são aqueles momentos mágicos das ideias brilhantes. Então, falamos muito sobre cultura hoje, e o que quero enfatizar acima de tudo no ensino híbrido é que essas escolas concentrem-se na cultura. São lugares vibrantes e alegres, que também podem chamar sua atenção quando necessário, e começar a trabalhar. Queremos lhe mostrar tipos diferentes de sala de aula. Preste atenção a como ficam em silêncio, quando é preciso. Como podem ser barulhentos mas em total interação e como os professores apenas focam no que querem, esperam que alunos cheguem lá e mantêm as expectativas altas. Mas o tema unificador da cultura permeia todas as escolas sobre as quais falamos durante este curso. A cultura no ambiente de ensino híbrido é absolutamente essencial. Creio que o fator mais importante da cultura é que os alunos sabem que cada minuto que passam comigo e cada minuto que passam com a tecnologia é intencional. Então, antes que acessem qualquer programa, antes que falem qualquer coisa com a tecnologia, eles sabem o propósito por trás da atividade. Eles sabem que irão se desenvolver como leitores, eles sabem que estão praticando Matemática, porque precisam aperfeiçoar a adição com dois algarismos. Pode parar. Vamos fazer agora a “Shine on, shine on”. Quando se tem um corpo discente como um grupo uniforme de pessoas, quase como um time, temos a possibilidade de ensinar mais rapidamente, com mais conteúdo e cada segundo realmente conta neste modelo de rotina escolar, em contraste ao tempo perdido no modelo tradicional. Quando os alunos entram na sala, eles devem se sentar em 12seg e trabalha no “Faça agora” que está no quadro. Quando os alunos estão no laboratório de informática, eles sabem que 15seg depois de entrarem, eles contam mentalmente, devem estar com fones de ouvido, e logados no programa. E são estas coisas da cultura e da eficiência da nossas escolas que se encaixa no chamado aprendizado a todo o tempo, onde nunca há momentos ociosos para os alunos. -Prontos! -Prontos! Quase lá. Quero cem por cento. -Olhar para mim. -Olhar para você. Classe, última vez. A terceira. -Prontos! -Prontos Compartilhar. A pausa mais rápida que já fizeram na vida. -Largar! -Largar! Foi bem rápido.