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Impactos da poluição sonora

Neste artigo abordamos os impactos da poluição sonora nos seres vivos, incluindo os seres humanos.

Introdução

Você é daquelas pessoas que precisam de silêncio total para dormir?
Eu não preciso do silêncio, consigo dormir inclusive com a TV ligada. Aliás, a TV funciona como um sonífero para mim – lógico que com o som colocado em um volume baixo, porém audível.
Você gosta de ouvir música, ir a festas e shows, certo?
Quão alto você gosta de colocar a música ou a TV?
Já aconteceu com você de ir a um show ou a uma festa e depois ficar meio surdo, com um zumbido no ouvido?
Isso é bem normal. É um efeito biológico causado pela exposição ao som intenso.
A poluição sonora é tida atualmente como a terceira maior poluição, atrás apenas da poluição atmosférica e da água.
A poluição sonora é definida como a soma dos sons emitidos por diferentes fontes ao mesmo tempo, tais como carros, ônibus, trens, metrôs, obras, indústrias, buzinas, rádios, aviões, pessoas falando ou cantando, cães latindo, pássaros cantando etc.
Quem vive em cidades grandes ou nas proximidades de aeroportos, rodovias, bares e centros industriais, sabe bem o que é isso.
Só para você ter uma ideia do que estou falando, ou relembrar alguns sons, assista aos dois vídeos a seguir.
O primeiro mostra o barulho produzido por uma britadeira em uma obra pública na cidade.
Invólucro do vídeo da Khan Academy
Já o segundo mostra um trecho de um show com efeitos especiais.
Invólucro do vídeo da Khan Academy
Imagine conviver com esses barulhos. Não é fácil!
Por isso, existe a denominada lei do silêncio, que na verdade é um artigo: o art. 42 da Lei das Contravenções Penais, Federal.
O enunciado do art. 42 elenca as seguintes transgressões:
[...] perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios com: gritaria ou algazarra; exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda.
Atualmente, algumas cidades estão discutindo o estabelecimento de leis que proíbam soltar rojões e fogos de artifícios com estampidos, em razão dos transtornos e danos causados aos seres humanos e, principalmente, aos animais.
Nós, humanos, conseguimos nos proteger da poluição sonora usando tampões nos ouvidos, instalando janelas bloqueadoras de sons etc. Todavia, como ficam os outros seres vivos nesse caos sonoro? Lembre-se de que vários animais possuem a audição muito mais sensível do que a nossa.
Vamos ver isso agora.

Impactos da poluição sonora

O som é uma ferramenta fundamental não apenas para a comunicação entre os seres vivos, mas para a sobrevivência também.
A audição possibilita perceber com antecedência a aproximação de predadores. Também permite localizar a presa, possibilitando a alimentação.
Desde o nascimento, os seres vivos estão imersos em um mundo sonoro – o som dos animais, do vento, da chuva, do trovão, das ondas do mar, das correntezas dos rios, entre outros. Cada som possui um significado específico.
Conosco não é diferente.
Antes mesmo de nascer, durante a gestação, os bebês estão sujeitos a muitos estímulos auditivos – todos os sons do corpo da mãe (batimentos cardíacos, respiração, voz, roncos da barriga etc.), as vozes dos familiares e os sons provenientes dos ambientes por onde a mãe circula. Ao nascerem, os bebês reconhecem os sons, principalmente a voz da mãe.
A partir daí, as experiências sonoras só aumentam – a não ser que o bebê possua algum problema físico ou biológico em seu sistema auditivo.
Mas o que pode ocorrer também é o aparecimento de distúrbios auditivos provocados pela exposição excessiva ao som intenso, inclusive a perda da capacidade auditiva.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite tolerável ao ouvido humano é de 65 decibéis (dB). Acima desse limite ocorre estresse e aumento do risco de doenças.
Ruídos acima de 85 dB podem comprometer o sistema auditivo, dependendo do tempo de exposição ao som.
Para você ter uma ideia da seriedade desse problema, o uso de fones de ouvido em níveis próximos a 80 dB durante duas horas por dia, todos os dias, produz a perda da audição em 30% das pessoas que têm esse hábito.
Meu padrasto tem o sistema auditivo seriamente comprometido, precisando usar aparelhos para estar completamente inserido nos ambientes. Ele foi técnico de vôlei e também gostava de ouvir música alta com fones de ouvido; ou seja, estava exposto continuamente a sons muito intensos. Essa é a origem de sua perda auditiva.
Figura 1: Aparelho auditivo.
Imagine os efeitos que os profissionais das indústrias, da aviação, da construção civil, entre outros, sofrem por estarem expostos a níveis extremos de ruído.
Se eles não utilizarem equipamentos de proteção individual, os EPI, estão sujeitos a desenvolver vários tipos de doenças, entre elas estresse, depressão, surdez, agressividade, perda de memória, dores de cabeça, insônia, aumento da pressão arterial, AVC, cansaço, medo, gastrite, úlcera e arritmias cardíacas.
Figura 2: Equipamento de proteção auditiva.
Os efeitos da poluição sonora nos outros animais são muito semelhantes aos produzidos nos seres humanos.
Porém, considerando que muitos dos animais dependem da audição para se proteger dos predadores e obter alimentos, a poluição sonora pode levar à morte. Por esse motivo, os animais silvestres costumam evitar zonas de poluição sonora.
Segundo alguns pesquisadores, uma das maiores dificuldades de adaptação dos animais em cativeiro está relacionada justamente com a adaptação ao excesso de barulho das cidades.
Se você tem animais de estimação, já deve ter percebido os efeitos dos barulhos intensos, como os fogos de artifício e algumas motocicletas. Eles costumam ficar apavorados.
Outro efeito da poluição sonora nos seres vivos é a diminuição da produtividade, tanto dos animais quanto das plantas.
Aves expostas a barulhos intensos botam menos ovos.
Plantas têm seu crescimento diminuído, segundo pesquisa realizada nos Estados Unidos com a planta do gênero Coleus.
Figura 3: Flores do gênero Coleus.
Vimos aqui os problemas causados pela poluição sonora.
Tendo agora esses conhecimentos, reflita sobre o volume que você costuma ver TV e ouvir música, para cuidar bem de sua saúde e, também, da saúde do ambiente ao seu redor.

Referências das figuras

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