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Catástrofes ambientais II

Esta videoaula é uma continuação da anterior e abordamos as mudanças provocadas nos ecossistemas por enchentes, incêndios, alterações climáticas, entre outras ações naturais ou antrópicas.

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Transcrição de vídeo

RKA - Olá, meu amigo ou minha amiga. Tudo bem com você? Seja muito bem-indo ou bem-vinda a segunda parte dessa aula sobre desastres ambientais. E, nessa aula, nós vamos falar sobre alguns dos desastres ambientais mais impactantes que ocorreram no Brasil. Em relação ao vasto histórico de desastres ambientais que ocorreu no Brasil, podemos citar alguns que se destacam devido a diversas características. Uma coisa a se comentar aqui é que, no Brasil, não temos muitos tipos de desastres naturais, já que 80% deles estão relacionados às instabilidades atmosféricas, dos quais podemos ter fortes chuvas, algo que pode provocar enchentes, inundações e desabamentos. Por isso que muitos dos desastres naturais que ocorrem em nosso país estão relacionados com as chuvas. Mas, enfim, vamos lá. Vamos destacar alguns desastres ambientais aqui. Em 1967, houve as enchentes e deslizamentos de terra em Caraguatatuba, em São Paulo, algo que provocou a morte de mais de 430 pessoas. Em 1974, foi a vez de Tubarão, em Santa Catarina, que, devido às fortes chuvas, houve um acidente que matou mais de 200 pessoas. Em 1980, tivemos o vale da morte, o nome batizado por um jornal americano que se referia ao pólo petroquímico de Cubatão, em São Paulo. As indústrias localizadas na cidade de Cubatão despejavam no ar toneladas de gases tóxicos por dia, gerando, com isso, uma névoa venenosa que afetava o sistema respiratório e gerava bebês com deformidades físicas, inclusive, sem cérebro. O pólo contaminou, também, a água e o solo da região, trazendo, com isso, chuvas ácidas e deslizamentos na serra do mar. Em 1984, devido a uma falha em dutos subterrâneos da Petrobras, mais de 700 mil litros de gasolina foram espalhados pelos arredores de vila Socó, também, localizada em Cubatão. Após o vazamento, o incidente destruiu parte de uma comunidade local deixando quase 100 mortos. Em 1987, houve um grave caso de exposição ao material radioativo Césio-137 que ocorreu em Goiânia. Dois catadores de lixo arrombaram um aparelho radiológico nos escombros do antigo hospital e encontraram um pó branco que emitia luminosidade azul. O material foi levado a outros pontos da cidade contaminando pessoas água, solo e ar. E, com isso, causou a morte de pelo menos quatro pessoas. Anos depois, a justiça condenou, por homicídio culposo, os três sócios e um funcionário do hospital abandonado, mas a pena foi revertida em prestação de serviços voluntários. No ano de 2000, houve o vazamento de óleo na baía de Guanabara, um acidente com um navio petroleiro que resultou no derramamento de mais de um milhão de litros de óleo natural no Rio de Janeiro. O instituto brasileiro do meio ambiente de recursos naturais renováveis, o Ibama, aplicou duas multas à Petrobras, uma de 50 milhões e outra de 1,5 milhão, devido à morte da fauna local e a poluição do solo em vários municípios. Em 2007, ocorreu o rompimento de uma barragem em Miraí, em Minas Gerais, algo que causou o vazamento de mais de 2 milhões de m³ de água e argila. A empresa foi multada em 75 milhões de reais, mas os danos ainda permanecem evidentes. Em 2011, houve enchentes e deslizamentos de terra no Rio de Janeiro. O desastre foi tão intenso que afetou diversos municípios do estado, incluindo Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Os serviços governamentais contabilizaram 916 de mortes e em torno de 345 desaparecidos. Nós vamos conversar um pouco mais sobre esse desastre na próxima parte dessa aula. Em 2011, houve outro vazamento de óleo no Rio de Janeiro dessa vez na bacia de Campos. A empresa americana Chevron despejou no mar cerca de 3 mil barris de petróleo provocando uma mancha de 160km extensão. Animais foram mortos, o Ibama aplicou duas multas à empresa, totalizando 60 milhões. A Chevron também foi obrigada a pagar uma indenização de 95 milhões ao governo brasileiro pelos danos ambientais. Em 2015, houve o rompimento da barragem de Mariana em Minas Gerais. Considerado o pior acidente da mineração brasileira, ele ocorreu após a barragem Fundão, da mineradora Samarco, se romper. Com isso, foram liberados milhões de m³ de rejeitos de mineração que deixou um rastro de destruição à medida que avançou pelo rio Doce. Nós também vamos conversar um pouco mais sobre esse desastre na próxima parte dessa aula. Agora que a gente já viu sobre todos esses desastres, vamos colocar aqui na tabela se eles foram naturais ou antrópicos. As enchentes em Caraguatatuba foram desastres naturais, assim como, as enchentes em Tubarão. Por outro lado, vale da morte, a liberação de óleo em vila Socó, a exposição ao Césio-137, o vazamento de óleo na baía de Guanabara e o rompimento da barragem em Miraí são todos os desastres ambientais provocados por fatores antrópicos. As enchentes e deslizamentos de terra no Rio de Janeiro são desastres naturais. E o vazamento de óleo na bacia de Campos e o rompimento de barragens de Mariana são desastres provocados por fatores antrópicos. Então, é isso aí meu amigo ou minha amiga. Nessa segunda parte, nós vamos conversar um pouco melhor sobre dois desastres que ocorreram no Brasil recentemente. O primeiro sendo causado por fatores naturais que é o caso dos deslizamentos e enchentes que ocorreram na região serrana do estado do Rio de Janeiro em 2011. E o segundo é o rompimento da barragem de Mariana em Minas Gerais, um dos piores desastres ambientais provocados por fatores antrópicos que já ocorreram no Brasil. Por falar nisso, não custa nada relembrar que desastres ambientais gerados por fatores naturais ocorrem sem a intervenção humana. Já os desastres ambientais gerados por fatores antrópicos são aqueles provocados, diretamente, pela ação humana. Mas, vamos falar aqui um pouco sobre esses dois desastres. Entre os dias 11 e 12 de janeiro de 2011, uma sequência de chuvas fortes atingiu a região serrana do Rio de Janeiro, causando, com isso, uma grande enxurrada e vários deslizamentos de terra na região. Como já falei na primeira parte dessa aula, os municípios mais afetados foram Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto e Bom Jardim. Todos esses na região serrana. Além desses, também, teve Areal que se encontra na região centro sul do estado. Não podemos deixar de falar que outros municípios também foram afetados, tais como Santa Maria Madalena, Sapucaia, Paraíba do sul, São Sebastião do Alto, Três Rios, Cordeiro, Carmo, Macuco e Cantagalo. Além das enchentes, foram registrados deslizamentos de terra, soterramento de casas e casos de leptospirose. O desastre acabou provocando a morte de 905 pessoas em 7 cidades e afetou mais de 300 mil pessoas. A tragédia na região serrana do Rio de Janeiro é considerada um dos dez maiores deslizamentos do mundo registrados desde 1900. Segundo o INPE, que é um Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o que provocou as fortes chuvas que atingiram a região, foi a zona de convergência do atlântico sul. Em apenas dois dias, foi registrado 166 milímetros de chuva em Nova Friburgo. Mais de 70% do valor histórico registrado para o mês nesse município. De acordo com os registros do banco mundial, essa catástrofe é considerada o pior desastre brasileiro em termos de danos aos humanos. As perdas e danos totais foram estimadas em algo em torno de 4,8 bilhões de reais. Até hoje, os moradores dessa região tentam se recuperar desse desastre. O outro desastre que vamos falar é o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais. No dia 5 de dezembro de 2015, ocorreu o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais. Considerado o maior desastre socioambiental do país no setor de mineração, houve o lançamento de cerca de 45 milhões de m³ de rejeitos no meio ambiente. Os poluentes ultrapassaram as barragens de Santarém percorrendo 55 quilômetros do rio Gualacho do norte até o rio do Carmo, e depois outros 22 quilômetros até o rio Doce. A onda de rejeitos composta, principalmente, por óxido de ferro e sílica, soterrou o subdistrito de Bento Rodrigues e deixou um rastro de destruição até o litoral do Espírito Santo. Os dejetos percorreram 663,2 quilômetros de cursos d'água. Só para fazer um pequeno comentário aqui, meu amigo ou minha amiga, o laudo técnico preliminar, que foi concluído em 26 de novembro de 2015, apontou que o nível de impacto foi tão profundo e perverso ao longo de diversos estratos ecológicos que é impossível estimar um prazo de retorno da fauna ao local. Além disso, o desastre causou a destruição de uma área igual a 1.469 hectares, incluindo, áreas de preservação permanente. Só para você ter uma pequena noção de quão grande é essa área, um hectare corresponde a 10 mil m². Ou seja, houve a destruição de 14.690.000 m². Em relação à vida humana, 19 pessoas morreram na tragédia. Além disso, ao longo do trecho atingido, tiveram diversos outros danos socioambientais, incluindo: o isolamento de áreas habitadas; o desalojamento de comunidades pela destruição de moradias e estruturas urbanas; a fragmentação de habitats; a destruição de áreas de preservação permanente e vegetação nativa; a mortandade de animais domésticos silvestres e de produção; as restrições à pesca; a eliminação de fauna aquática silvestre, e isso ocorreu ainda em período de reprodução; a dificuldade de geração de energia elétrica pelas usinas atingidas; a alteração na qualidade e quantidade de água; sem contar, a sensação de perigo e desamparo da população em diversos níveis. A mineradora pertencia à Samarco, que é controlada pela vale e pela BHP Billiton. Inclusive, ela foi notificada 73 vezes e já recebeu 25 autos de infração, o que totaliza 350,7 milhões de reais. O Ibama vem acompanhando a evolução do desastre em campo e, desde o dia 6 de novembro de 2015, reúne em sua página todos os documentos relacionados à tragédia. Bem, meu amigo ou minha amiga, existem diversos outros desastres que correram no Brasil e que poderíamos ficar aqui horas e horas falando. Mas, eu quis conversar com você sobre esses dois, pois são duas catástrofes provocadas por fatores diferentes mas que impactaram, enormemente, os locais em que eles ocorreram. Bem, antes de finalizar, eu quero deixar aqui para você um grande abraço e dizer que nos vemos na próxima aula.