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Saúde ambiental, conceito e riscos | Parte I

Transcrição de vídeo

RKA - Olá, meu amigo ou minha amiga. Tudo bem com você? Seja muito bem-vindo ou bem-vinda a mais uma aula de ciências da natureza. E, nessa aula, nós vamos conversar sobre os conceitos e os riscos da saúde ambiental. Então, para começar, nós podemos fazer uma pequena viagem histórica para compreender o conceito de saúde ambiental. E nós vamos começar a nossa viagem a partir da década de 1970, quando, em 1972, ocorreu a primeira conferência da ONU sobre o meio ambiente. Nesse grande encontro, algumas questões ambientais de grande preocupação foram colocadas em discussão, principalmente, as relacionadas ao uso predatório dos recursos naturais de nosso planeta, algo, inclusive, que pode fazer com que a terra se torne um planeta inabitável e inóspito. A partir daí, ganharam visibilidade questões relacionadas à pobreza, aos custos do uso racional dos recursos naturais, do desenvolvimento de novas tecnologias não poluentes e que sejam, inclusive, poupadores dos recursos naturais. Além, é claro, da discussão sobre as disparidades entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Em 1992, foi realizada, no Rio de Janeiro, a conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento. Uma conferência, meu amigo ou minha amiga, que apresentou a declaração do Rio sobre o meio ambiente e o desenvolvimento. Inclusive, consolidou alguns pontos importantes já apontados lá em 1972. Esses apontamentos foram o da sobrevivência do planeta, já que todos os países são atingidos, independente de qual seja. Então, a responsabilidade de proteger o planeta para as futuras gerações é, portanto, de todos. Sendo assim, é preciso que todos cumpram a sua função rumo ao desenvolvimento mantendo a proteção ambiental. Outro ponto foi o seguinte: os seres humanos ocupam o centro das preocupações. Isso coloca a saúde humana no centro das preocupações, juntamente ao ambiente e ao desenvolvimento. Por último, o desenvolvimento sustentável que tem como objetivo garantir o direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza. Isso tanto para as gerações presentes quanto para as gerações futuras. Resumindo, meu amigo ou minha amiga, podemos dizer que é assegurada autonomia dos estados, isso em termos de liberdade e responsabilidade, na promoção do desenvolvimento econômico. Porém, esse desenvolvimento deve responder, de forma igualitária, as necessidades de desenvolvimento humano e preservação ambiental para as gerações presentes e futuras. Ou seja, é preciso ter uma boa associação entre o desenvolvimento, a proteção do meio ambiente, a preservação da saúde e a promoção do bem estar social de forma sustentável ao longo de gerações. Então, essas são as palavras chaves que você precisa ter em sua mente, beleza? A Rio 92 foi um marco onde foi aprovada a chamada agenda 21. Um documento que estabelece uma série de orientações para integração das ações para o desenvolvimento sustentável visando a saúde humana e a proteção do meio ambiente. Um detalhe, isso é a nível mundial. Mas, já diante desse pequeno contexto uma pergunta continua em nossa mente. O que é a saúde ambiental? Podemos dizer que a prática da saúde ambiental é composta por um conjunto de disciplinas que estudam o impacto do ambiente sobre a saúde das populações e que executam ações de prevenção e controle para reduzir ou eliminar esse impacto. Sendo assim, podemos dizer que o campo de conhecimento que guarda as relações entre saúde e ambiente é multidisciplinar. Ou seja, possui muitas disciplinas e ainda é formada por uma série de abordagens e articulações entre essas diversas disciplinas. Por isso, meu amigo ou minha amiga, é preciso explicar aqui alguns conceitos e noções que orientam essa área. Então, para início de conversa, nós podemos falar sobre o que é o ambiente. Certo? O ambiente é produzido por processos que são conduzidos pela sociedade por meio das tecnologias e técnicas com as quais os seres humanos interagem com a natureza. São esses ambientes que podem configurar situações de risco para a saúde e qualidade de vida dos seres humanos. E a saúde? Bem, a saúde é o estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o ambiente. Ela mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para sua fase do ciclo vital. Ou seja, se o seu organismo está bem equilibrado e todas as funções estão ocorrendo de forma normal, nós podemos dizer que você tem uma boa saúde. Agora que já sabemos o que é o ambiente e o que é a saúde, nós podemos compreender o que é a saúde ambiental. De acordo com a organização mundial de saúde, a OMS, podemos dizer que a saúde ambiental é o campo de atuação da saúde pública que se ocupa das formas de vida, das substâncias e das condições em torno do ser humano que podem exercer alguma influência sobre a saúde e o seu bem estar. Sendo assim, nós podemos dizer que a saúde ambiental compreende as relações entre saúde e ambiente. Portanto, como eu já falei, ela se trata de um amplo campo de estudo que envolve profissionais de diversas formações acadêmicas e técnicas, tanto das áreas biológicas quanto das ciências da natureza e das ciências exatas. Ou seja, meu amigo ou minha amiga, a saúde ambiental não pode ser compreendida apenas como uma única disciplina de estudo. Para compreendermos aqui o que é a saúde ambiental, vamos falar sobre um pequeno exemplo. Vamos falar sobre um problema de saúde. Uma epidemia de diarreia em uma determinada população. Poderíamos, também, falar de uma situação de risco ambiental para a saúde humana, tal como um depósito de resíduos tóxicos em uma área urbana. Problemas como esses só podem ser tratados adequadamente, se a gente considerar os sistemas complexos que os contém, um detalhe que não podemos deixar de falar aqui. É preciso compreender tudo que está relacionado a esses problemas e encontrar maneiras de resolver ou minimizar os seus impactos. Pensar na complexidade das situações ambientais ou problemas de saúde que estão relacionados a essas situações, significa pensar nos indivíduos que se articulam entre si dinamicamente. Inclusive, criando situações que vão construindo, com seu próprio movimento, a sua própria história. A compreensão desse movimento é o que vai permitir realizar uma intervenção eficaz em situações de risco. Vamos pegar o exemplo da diarreia. Em um determinado momento, há um aumento no número de casos de diarreia, em uma dada comunidade. Quais podem ser os elementos componentes da situação? A contaminação da população devido ao rompimento da rede de esgotos e a desnutrição crônica, favorecendo o aparecimento e a gravidade da diarreia, são fatores em uma comunidade que tem uma situação sócio econômica desfavorável: um grau de escolaridade baixo que favorece a falta de informações sobre a higiene pessoal e as formas de proteção à saúde. Vamos pensar nisso como se fosse uma comunidade hipotética. A comunidade que se formou nesse lugar, recentemente atraída por uma indústria que se instalou nas proximidades, s ão famílias que vêm todos de um mesmo lugar e têm uma história de lutas, uma capacidade de mobilização e solidariedade intensas, o que pode favorecer o encontro de soluções. Assim, nós poderíamos fazer um exercício mental, a fim de encontrar todos os elementos que, no conjunto, provocaram ou estão relacionados com a diarreia na nossa comunidade hipotética. Assim, nós poderíamos ainda identificar áreas de intervenção. Perceba que nesse exercício nós identificaremos elementos que se relacionam com os demais. Além disso, a gente precisa pensar nesse conjunto de elementos como algo que está em permanente movimento. Meu amigo ou minha amiga, assim como nesse exemplo que foi pensado na construção de um sistema com elementos locais, conforme a gente viu, percebemos que temos um problema de contaminação da rede de esgotos, nós temos uma desnutrição crônica que acaba favorecendo o aparecimento e a gravidade da diarreia. Além disso, tem também a questão socioeconômica desfavorável, além do grau de escolaridade muito baixo. Todos esses elementos estão relacionados com a comunidade local, mas a gente também poderia pensar em outras instâncias, tais como a municipal, a estadual, ou ainda, a nacional. Lembre-se, inclusive, que cada uma dessas instâncias se relaciona profundamente com as demais. Perceba, meu amigo ou minha amiga, que poderíamos pensar em diversos outros fatores relacionados à nossa comunidade. Fatores positivos, tais como a abertura de empregos e os novos recursos que entrarão no município. Ou ainda, os fatores negativos, tais como o esgoto gerado e a poluição ambiental. Repare que existem diversas questões que poderiam ser levantadas e pensadas como tudo isso se relaciona entre si. Esses elementos poderiam ser listados fazendo, inclusive, uma hierarquia conforme a proximidade, a viabilidade e o grau de influência sobre o problema que está sendo focalizado. E qual é o problema dessa nossa comunidade? Não é a diarreia? Embora seja difícil realizar grandes mudanças a curto prazo e uma mudança socioeconômica da população, já seria possível consertar a rede de esgoto e conseguir recursos para oferecer escola e merenda de qualidade para as crianças. Isso tendo como objetivo diminuir o grau de desnutrição das crianças. Bem, meu amigo ou minha amiga, essa foi a primeira parte dessa aula. Na próxima parte, nós vamos conversar sobre os indicadores de saúde. Então, eu quero deixar para você um grande abraço e até a próxima parte.