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Transcrição de vídeo

RKA - Neste vídeo, eu vou falar sobre comunicação animal que, particularmente, é um dos meus assuntos favoritos dentro da Biologia. A comunicação humana depende da linguagem, da linguagem verbal. É por meio dessa linguagem que os humanos conseguem transmitir suas ideias, pensamentos e sentimentos para os outros e, da mesma forma, entender as ideias, pensamentos e sentimentos dos outros humanos. Mas os humanos também usam pistas não verbais para se comunicar. Por exemplo, as expressões faciais. Então, nós sorrimos quando estamos felizes, franzimos a testa quando estamos nervosos, e curvamos a boca e as sobrancelhas quando estamos tristes. Essas expressões são facilmente interpretáveis por qualquer ser humano normal. Outras pistas não verbais poderiam ser, por exemplo, a postura corporal ou até coisas mais complexas como, por exemplo, o tipo de roupa que a pessoa usa ou a cor com que a pessoa pinta o quarto. Por exemplo: se eu pintasse meu quarto todo de preto, eu passaria uma mensagem muito diferente do que se eu pintar meu quarto de, sei lá, cor-de-rosa e colar um monte de posters de unicórnios, bailarinas e fadas. Outros animais não usam a linguagem verbal como a gente, mas eles usam pistas não verbais para se comunicar. Veja esse gato que eu desenhei aqui, por exemplo. A pelagem dele está bem eriçada, as orelhas para trás, e ele está todo encolhido, Essas pistas já são o suficiente para prever o que vem depois: um ataque. O famoso naturalista Charles Darwin propôs o princípio da antítese, no seu livro "A expressão das emoções nos homens e nos animais". Segundo ele, as emoções opostas estão ligadas também a expressões opostas. Por exemplo: quando o meu cachorro vê um outro cachorro na rua, ele começa a latir no portão, torna-se agressivo, a pelagem dele fica eriçada, a cauda fica virada para cima, as orelhas ficam em pé, e a boca dele fica aberta, latindo e rosnando. Ele está expressando um comportamento de agressividade. Os comportamentos agressivos, nós agrupamos e chamamos de agonísticos em Biologia. Agora, quando eu vejo ele fazer isso, eu vou lá e fico brava com ele. A expressão corporal dele muda imediatamente: a cauda, que estava pra cima, fica entre as patas; as orelhas, que estavam pra cima, ficam para trás; a cabeça, que estava levantada, fica voltada para baixo. E, quando o meu cachorro está nessa postura, ele está expressando algum comportamento afiliativo, por exemplo, a submissão ou o medo. E, segundo o próprio Darwin, esse antagonismo entre estados opostos facilita a interpretação de um comportamento por um interlocutor. Por exemplo: se eu sei que o animal nessa postura está expressando um comportamento afiliativo, fica muito fácil, para mim, deduzir qual é a emoção ou o comportamento que o animal está expressando quando ele está na postura oposta. Bom, e dependendo de quem está participando da comunicação, nós podemos classificar o tipo de comunicação em três. A "comunicação intraespecífica" ocorre entre indivíduos de uma mesma espécie. "Intra" significa "dentro", então é dentro de uma mesma espécie. Muitas espécies possuem, por exemplo, vocalizações diferentes para se comunicar no grupo: o lobo cinzento, por exemplo. Quando a comunicação ocorre entre indivíduos de espécies diferentes, a gente chama de "comunicação interespecífica". Por exemplo, aqueles sapos que possuem uma coloração muito, muito chamativa. Nós chamamos de coloração aposemáticas, são sapos venenosos. E essa coloração avisa aos predadores que a presa vai ser, no mínimo, indigesta. E um terceiro tipo seria a "autocomunicação", que seria quando o animal usa a comunicação para adquirir informações para ele próprio. O melhor exemplo seria a ecolocalização, que é usada por golfinhos e também por morcegos. Então, para se localizar no espaço, o morcego emite uma vocalização e essa vocalização bate no objeto e volta para ele. Com isso, ele consegue calcular a distância entre ele e o objeto, e até mesmo o formato daquele objeto em alguns casos. Então, ele pode saber, por exemplo, se aquilo é uma flor... E, se ele é um nectívoro, ele vai se alimentar. Ou se aquilo é uma parede ou um outro objeto qualquer. Então, os animais usam a comunicação para trocar informações. Pode ser entre indivíduos de uma mesma espécie, entre indivíduos de espécies diferentes, ou até mesmo para ele próprio. Mas, afinal de contas, que tipo de informação a gente está falando? Para que serve a comunicação animal? Bom, ela pode servir para atrair parceiros. Você já deve ter visto alguma ave muito colorida... Algumas espécies também usam danças elaboradas de corte e, outras, vocalizações, para estabelecer e defender territórios. Comunicação também pode servir para avisar outros animais sobre o perigo. Em alguns bandos de aves, por exemplo, existem os indivíduos que são os sentinelas, que são aqueles que dão o chamado de alarme quando um predador aparece. Os animais também podem usar a comunicação para estabelecer hierarquias, para saber qual é o dominante e qual é o submisso dentro do grupo. Os cães fazem muito isso. Indivíduos de um grupo podem avisar aos outros onde tem uma fonte de alimentos. Tudo isso é muito legal. Mas eu quero deixar aqui como uma mensagem final para vocês, um aviso: nós temos que tomar muito cuidado com o antropomorfismo. Isso significa atribuir características humanas a animais não humanos. Para entender verdadeiramente o comportamento de um animal, nós precisamos sair do nosso ponto de vista humano e entrar no ponto de vista dele. Por exemplo: eu tenho uma gatinha, e quando eu estou sentada no sofá ela costuma pular no meu colo e ficar deitada. E, por mais que eu goste da ideia de ela fazer isso porque gosta de mim, quer ficar comigo, é bem provável que ela só faça isso porque o meu corpo emite muito calor. E, então, ela quer se manter quente e fica deitada no meu colo. Bem, espero que você tenha gostado deste vídeo. E até o próximo!
O conteúdo de Biologia foi criado com o apoio da Fundação Amgen
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