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Transcrição de vídeo

RKA - Acho que todos nós já ouvimos a palavra "bactéria". Bactéria. Nós normalmente a associamos a coisas negativas. Você já deve ter ouvido: "bactérias são aqueles germes." Então, nós normalmente a associamos como germes, e elas realmente são germes. E elas causam todo um conjunto de coisas negativas, ou seja, do ponto de vista padrão, as pessoas acreditam que elas causam muitas coisas ruins. Vou listar algumas delas só para ter certeza de que sabemos quais são elas, de que nós estamos falando das mesmas coisas. Entre coisas ruins que elas fazem, elas causam um monte de doenças: tuberculose, cólera, tétano, entre outras... E eu poderia continuar listando várias coisas, mas agora eu terei cuidado aqui. Quando as pessoas falam de uma infecção, frequentemente é causada por uma bactéria, mas ela também pode ser causada por um vírus. Uma infecção é, em geral, qualquer coisa que entra e tira vantagem do seu corpo para se replicar. E nesse processo, faz você ficar doente. Infecções bacterianas. Vou escrever aqui: infecções bacterianas. E toda essa percepção de bactéria como sendo uma coisa ruim é uma boa razão do porquê vemos tantos sabonetes que se dizem antibacteriano. Porque os fabricantes de sabão sabem que no pensamento tradicional, bactérias são vistas como uma coisa negativa. E você diria: "tá legal, professor, eu já sei onde você quer chegar com esse papo, as bactérias não são de todo ruim". Existem algumas boas peculiaridades das bactérias. Por exemplo, eu posso colocar um pouco no iogurte, ou então um pouco de bactéria no leite, e isso ajudará a produzir mais iogurte, ou em alguns outros alimentos. E é óbvio que isso é uma coisa boa, isso é uma coisa deliciosa para se comer. Aí você diz: "bom, eu sei que eu tenho bactérias no meu intestino, elas me ajudam a digerir a comida." E isso é verdade, mas você pode dizer: "tá, de forma geral eu continuo achando que bactérias são ruins." E eu não vou tomar partido nesse debate, como eu sempre evito tomar partido nesses vídeos científicos. Talvez eu faça toda uma lista onde eu não faça nada, exceto tomar partidos nos debates, mas eu não vou tomar partido nisso, tá bom? Eu só queria dizer que você é feito em grande parte de bactérias, e não são só no seu intestino, não é apenas no intestino, ou no iogurte. Por exemplo, a placa do seu dente é causada por bactérias. É um tipo de camada criada por bactérias que eventualmente causa cáries e outras coisas, não são só as espinhas no seu rosto. Bactérias normalmente representam a maioria das células do nosso corpo. Para cada célula... esse é um fato espantoso, hein? Para cada célula do corpo humano, cada uma mesmo, e todas essas células que possuem seu DNA no seu núcleo, você tem 20 bactérias, acredita? Vinte bactérias. Agora, a sua resposta poderia ser: "legal, justo, mas essas bactérias devem ser muito menores do que a célula humana, então deve ser uma fração muito pequena dessa massa." E você tem razão, não é que nós sejamos maioria de bactéria em massa, apesar de termos mais bactérias em número, mas mesmo que você pegasse toda a água do seu corpo em massa, as bactérias seriam aproximadamente 10% da sua massa. Eu peso uns 68kg, eu tenho quase 7kg de bactérias andando comigo. Nós sempre pensamos nas bactérias pegando carona na gente, e em uma grande escala, nós estamos em um tipo de simbiose, nós somos duas criaturas, ou não são duas criaturas, dois tipos de criaturas vivendo juntas, porque eu não tenho apenas um tipo de bactéria em mim, eu tenho milhares de tipos de bactérias, há uma enorme diversidade, e nós estamos apenas pincelando em termos de número e tipos quanto à diversidade de bactérias que existem. Então eu falei muito sobre bactérias e espero que esse vídeo faça você entender que elas são super importantes para a nossa existência diária. Só para ter certeza de que entendemos a magnitude disso: em um vídeo anterior, e eu assisti novamente, nós temos na ordem de 10 a 100 trilhões de células humanas. 100 trilhões de células humanas. Então, para cada uma delas, nós temos 20 bactérias, então estamos falando em ter na ordem de 200 a 2.000 trilhões de bactérias em nós a qualquer momento. E olha que eu sou uma pessoa higiênica, eu sou limpinho, eu tomo banhos diários, é sério. Não é como se você pudesse, de alguma forma, eliminá-las. E ainda mais, mesmo que quisesse não conseguiria, mas isso é justo, você provavelmente está perguntando: "tá legal, professor, eu estou convencido de que as bactérias são importantes, mas como elas se parecem de verdade?" Elas são estes organismos unicelulares pequenos, esta é a minha bactéria. Elas são diferentes das células que nos compõem. Quando digo "nós", eu falo de todas as plantas, animais e fungos. E a grande diferença, ou a que as pessoas primeiro notam, é que todos os eucariontes, que inclui plantas, animais e fungos, todo o seu DNA está dentro de um núcleo celular. Então este é um núcleo bem aqui. Núcleo. E todo o nosso DNA está normalmente sob sua forma de cromatina, está tudo apenas espalhado mais ou menos assim. Nas bactérias, que são o que as pessoas originalmente as classificam apenas como procariontes ou sem núcleo, não existe membrana delimitando o DNA. O que elas têm é apenas um grande emaranhado de DNA, elas apenas possuem este grande emaranhado de DNA. Ele, às vezes, está todo em uma volta, em um círculo chamado Nucleoide. Nucleoide. Agora, sempre que olhamos para alguma coisa e dizemos: "nós temos isto, elas não têm", denota uma suposição de que, de alguma forma, somos superiores, seres mais avançados, mas a realidade é que bactérias infiltraram-se em mais ecossistemas em cada parte do planeta do que os eucariontes, e existe uma diversidade bem maior nas bactérias do que há nos eucariontes. Quando você pensa sobre isso, estes são os organismos mais bem-sucedidos. Se um cometa estiver para atingir a Terra, Deus nos livre, os organismos com mais chances de sobreviver seriam as bactérias, mais do que os eucariontes que são maiores... Quer dizer, nem sempre maiores, mas os organismos que possuem este núcleo e têm organelas com membranas como a mitocôndria e outras. Falaremos depois sobre isso. As bactérias são, para a maioria, apenas uma grande bolsa de citoplasma, elas possuem seu DNA ali, elas também possuem ribossomos, porque precisam codificar proteínas, assim como o resto de nós. Algumas dessas proteínas irão fazer flagelos, são caudas que permitem que elas se movam. Eles também têm essas coisas chamadas de fimbria. Pili é o plural de pilus, então isso são pili. E nós veremos em um segundo que o pili são como as bactérias, são capazes de fazer uma forma de introdução de variabilidade genética nas suas populações. Na verdade, vou fazer uma pequena observação aqui. Eu estou falando bactérias como não possuindo uma parede celular, tem outra classe que foi usada para classificar um tipo de bactérias, e elas são chamadas de "arquea". Eu deveria fazer um pouco de justiça a elas, são diferentes. É, arquea. Elas costumam ser chamadas de bactérias arqueas. As pessoas sabem quando olham para o DNA, porque elas originalmente olhavam para elas e diziam: "tá legal, esses aí também não possuem núcleo, só um emaranhado de DNA, essa deve ser uma forma de bactéria". Hoje que nós somos capazes de olhar para o DNA das coisas, nós vimos que eles são bem diferentes, mas todas elas, tanto bactérias quanto a arquea são consideradas procariontes. Procariontes. E isso significa apenas: sem núcleo. Sem núcleo. E de uma forma geral, isto é o que a maioria das pessoas se refere, mas genericamente elas não possuem essas organelas abrigando membranas como as nossas células possuem. A próxima pergunta que você pode fazer é: "como essas bactérias se reproduzem?" E para a maioria, elas fazem algo não completamente diferente da mitose, embora eu não queira chamar de mitose, podemos chamá-lo de "cissiparidade" ou "divisão binária". Divisão binária. Não vou entrar profundamente no mecanismo, mas a ideia é bem simples: eu tenho uma bactéria aqui, ela replica o seu DNA, então ela terá dois desses nucleoides aqui, em seguida o citoplasma se divide, ou ele inicia um tipo de clivagem bem aqui, ele se divide, e então você tem dois deles, e em seguida cada um deles, eles podem codificar as proteínas necessárias para produzir todos os seus anexos extras, o flagelo, que é uma coisa como uma longa cauda que auxilia a locomoção. E isso é, na verdade, fascinante, porque opera em uma escala muito pequena, mas você pode continuar a ter esse movimento de motor funcionando, mesmo nessa escala bem pequena e primitiva... eu não vou dizer primitiva, porque isso faz um julgamento de valor das coisas, mas utilizando esses flagelos, eles são da ordem de diversos nanômetros, de 10 nanômetros de extensão. Você não tem um monte de átomos para lidar, mas você continua capaz de ter esse movimento ondular que pode mover a bactéria por aí. Aí você diz: "no primeiro vídeo sobre evolução, você disse que vemos evolução todos os dias, e bactéria é um exemplo". Quando nós usamos antibióticos, nós pensamos que eles ajudam a eliminar bactérias, mas aquela bactéria que tem algum tipo de resistência vai sobreviver, por isso é mais adaptada. Como esses indivíduos fazem sua variabilidade? Um modo, e esse é o modo como qualquer coisa pode conseguir variabilidade, é que elas sofreram mutações. Bactérias se replicam tão rapidamente, elas se reproduzem tão rapidamente, que mesmo se você tiver uma mutação, que é uma a cada mil vezes, quando você tem um milhão de bactérias, você terá mil mutações. Então elas sofrem mutações, mas elas também possuem outra forma, eu não vou chamar de "reprodução sexuada", pois essa não é reprodução sexuada, elas não formam gametas, e os gametas não fertilizam um ao outro, não produzem o zigoto, mas duas bactérias podem ficar próximas uma da outra, e então um dos seus pili, e eu falarei disso bem aqui, os pili são essas pequenas estruturas no lado da bactéria, elas são realmente esses pequenos tubos. Um dos pilus pode conectar uma bactéria na outra, e então acontece uma mistura do que há dentro de uma bactéria e da outra. Eu vou desenhar seus nucleoides. Os nucleoides. Em seguida, elas têm essas outras peças de DNA que carregam plasmídeos, são apenas peças circulares de DNA. Talvez esse indivíduo obtenha esse plasmídeo organizado extra, ele recebeu isso de algum lugar e o está tornando capaz de fazer coisas que esse indivíduo não podia fazer. Talvez esse seja o plasmídeo R, que é conhecido por tornar uma bactéria resistente a um monte de antibióticos. E o que acontece é que, na verdade, existem mecanismos que fazem as bactérias saberem que este indivíduo não possui o plasmídeo R, e estamos apenas começando a entender como isso funciona mesmo, mas essa irá se replicar e dará a esse indivíduo uma versão do plasmídeo R. Você também pode ter essas coisas, transdução, e eu deveria fazer um vídeo sobre isso, porque nós temos transdução também, mas há pedaços de DNA que podem pular de uma parte de um fragmento de DNA para outra, e esse pode terminar em um outro indivíduo, então o que existe é o tipo de... não uma reprodução sexuada formal, mas o que você tem é uma conexão, e essas bactérias estão apenas trocando constantemente DNA umas com as outras, e o DNA está pulando para lá e para cá, então você pode imaginar todos os tipos de combinações de DNA acontecendo, mesmo dentro do que você costuma chamar de uma bactéria, e que muito rapidamente pode se tornar múltiplas espécies e se tornarem resistentes a diferentes coisas. Se isso a torna resistente a um antibiótico, então isso pode espalhar a informação de produzir essas proteínas resistentes ou qualquer coisa para outra bactéria, então essa é uma forma de introduzir variabilidade, ou quando você transfere coisas via pilus ou plural o pili, isso é chamado "conjugação bacteriana". Bacteriana. Agora, a última coisa que eu quero falar, e isso você já ouviu falar muito a respeito, é sobre os antibióticos. Muitas pessoas ficam doentes, a primeira coisa que elas querem fazer é tomar um antibiótico. Um antibiótico é apenas uma grande classe de químicos e compostos, alguns deles naturalmente derivados, alguns deles não, que matam bactérias. Matam bactérias. Então, agora se alguém está passando por uma cirurgia e eles fazem um corte, a pessoa não precisa se preocupar em pegar uma infecção, eles dão alguns antibióticos para prevenir o crescimento bacteriano nesse corte. Mas a questão é: como isso foi descoberto, ou de onde veio os antibióticos? Na verdade, eles vêm de Alexander Fleming. Vou escrever o nome dele aqui. É muito importante, por causa da descoberta dos antibióticos, e na minha opinião, a mais importante descoberta na medicina até agora. Então, Alexander Fleming. Ele estava estudando estafilococos, eu acho, eu esqueci qual foi a bactéria, mas isso foi em uma placa de Petri, ele estava usando uma placa de Petri. Vou desenhar uma placa de Petri aqui, é um pequeno círculo. Alguns nutrientes onde bactérias podem crescer em cima. Então digamos que a bactéria está crescendo na placa de Petri dele, e ele saiu e voltou para a sala e viu que alguma coisa mofou, alguns fungos cresceram ali, um tipo de fungo azul esverdeado que cresceu no centro da placa de Petri dele. Quanto à bactéria, havia um tipo de espaço em torno disso, e a bactéria não poderia se aproximar disso. E esse mofo, esse fungo foi chamado de "Penicilium", o fungo Penicillium. Então ele foi capaz de fazer isso, ele pegou uma amostra dele o cultivou, o que significa que ele deixou ali crescer e depois ver o que dava. Isso era Penicilium, e ele enxergou que, nesse fungo, deve ter alguma coisa, alguma substância química que ele emite que está matando as bactérias em volta, que não está permitindo as bactérias de chegarem perto dele. E então, isso levou a descoberta da Penicilina. Penicilina. E isso foi no fim dos anos 20, 1920. A Segunda Guerra Mundial veio, e as pessoas possuíam ferimentos de armas de fogo e tinham que ser amputadas, mas pela primeira vez, eles podiam dar antibióticos as pessoas e não se preocupar com isso. Provavelmente continuaram se preocupando, mas não precisavam se preocupar tanto quanto antes. E agora, se você tem bactérias, se você tem tuberculose, ou doença de Lyme ou qualquer coisa, o tratamento todo envolve tomar antibióticos. E há muito mais tipos de antibióticos agora vindos de muitas fontes diferentes, mas a ideia geral é a mesma. Você quer matar bactérias, você não quer matar todas as bactérias, porque algumas delas são boas. Na verdade, nós somos feitos de um monte de bactérias, eu não sei se eu mesmo mencionei isso antes neste vídeo. Há bactérias na nossa pele que ajudam a pegar óleo e hidratar e deixar nossa pele boa e suave. Então a maneira que você pensa nisso, você pode vê-las como negativas ou positivas, mas a coisa realmente interessante, pelo menos na minha cabeça, é que nós estamos vivendo em simbiose com elas. Eu lembro que vi um filme de ficção científica onde tinha umas pessoas, essas pessoas eram de alguma raça alienígena, elas correram para perto de um humano, elas pareciam bem humanoides, assim. Mas acontece que... Deixa eu desenhar esse humano, elas tinham uns pequenos insetos no seu tronco cerebral, tinham esses insetos grandes nos seus cérebros, e os insetos começaram a infectar o pessoal da Terra e controlar seus cérebros e os fazer agir de forma estranha. E isso parecia um conceito alienígena muito bizarro, algum animal rastejante vivendo em nós, afetando o nosso cérebro e nos afetando de alguma forma, mas se você pensar sobre isso, nós estamos fazendo a mesma coisa, e não é só um único inseto, é na ordem de trilhões, centenas de trilhões de bactérias estão conosco todos os dias, e elas nos fazem ser quem nós somos. Eu estou aqui gravando o vídeo sozinho? Na verdade, eu não estou sozinho, eu estou acompanhado de trilhões de bactérias, e elas me afetam, sabemos que as bactérias podem mesmo afetar nosso estado mental, há um monte de pesquisas dizendo que certos tipos de bactérias podem causar esquizofrenia, podem, na verdade, causar a sífilis, bactérias podem causar depressão. Na doença de Lyme, é sabido que quando você está nas fases tardias da doença, isso pode afetar a condição mental da pessoa que possui a infecção, então isso afeta cada parte de quem somos. Quer dizer, seria difícil para falar de um ser humano sem os 10% de nossa massa, ou sem os 2 mil trilhões de células ou 2 mil trilhões de bactérias que realmente nos fazem ser quem somos.
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