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Transcrição de vídeo

RKA - Por que a biodiversidade está ameaçada? Vamos falar sobre algo que chamaremos de fatores locais, em oposição aos efeitos humanos mais globais. Mas antes de entrar nesse assunto, vamos falar sobre o fato de a população humana estar crescendo rapidamente. Em 2014, a estimativa foi de pouco mais de 7 bilhões de pessoas na Terra. O crescimento da população humana é exponencial. Quanto mais pessoas você tiver, mais reprodução você terá. Se você tiver mais reprodução, a curva de um gráfico da população versus o tempo vai ficar mais íngreme, e mais íngreme, e mais íngreme, até o ponto onde nós estamos olhando aproximadamente 9 bilhões de pessoas no ano de 2050. Foi Thomas Malthus, em 1798, que sugeriu o conceito de capacidade de carga. Basicamente, ele disse que a terra não pode, indefinidamente, apoiar o aumento da população humana. Capacidade de carga é um conceito que para nós é muito claro. Mas Malthus foi um membro da força social naquele tempo. O clero defendia que a terra foi colocada aqui para nós, seres humanos. E que nós deveríamos avançar e multiplicar. Mas Malthus estava entre os primeiros que reconhecia que a população humana não poderia aumentar indefinidamente, sem algum tipo de efeito sobre o meio ambiente, e os ambientes que são capazes de nos apoiar. A lógica que ele usou levou ao fato de que, com base no tipo de agricultura que existia naquela época, em torno do tempo, as pessoas não teriam comida suficiente para todos. Malthus inferiu que com o crescimento populacional, as pessoas passariam fome. Em outras palavras, excederíamos a capacidade de carga dos seres humanos para o planeta Terra. Mas levantou-se a questão do que realmente significa capacidade de carga do planeta Terra para os seres humanos. As respostas, como a maioria das respostas científicas, foi que: "Depende". Nós não atingimos o limite malthusiano ainda por causa de uma coisa muito importante, que é a tecnologia humana. Que é a capacidade de chegar à resposta para problemas que quase todos temos. Neste caso, as respostas vieram através da ciência e da tecnologia, que aumentaram a produção de alimentos. Isso tornou possível para nós voltar à curva do crescimento exponencial da população, e escapar da visão malthusiana do que seriam os limites de crescimento para a população humana. De fato, há algumas estimativas que sugerem que, se todos nós fizermos com menos, e vivermos no nível mais baixo possível, o nível para a existência na Terra poderia suportar para o estimado de 40 bilhões de pessoas. Mas, mesmo se pudéssemos atingir uma capacidade para 40 bilhões, isto exigiria sacrifícios para todos os seres humanos na Terra. Alguns mais do que outros, levantam a questão sobre a qualidade de vida, que é o fato mais importante para o crescimento da população humana na Terra. Hoje, temos que 16% das pessoas na Terra usam 80% dos recursos disponíveis. A linha de fundo aqui, como eu digo, é que é complicado. Reconhecemos que a população humana está crescendo. Reconhecemos que a utilização de recursos é muito maior em alguns países do que em outros. Mas o que eu realmente quero fazer é voltar ao nosso objetivo principal, e examinar o que isso realmente significa para a biodiversidade. Se você perguntar a alguém, vemos que é bastante claro que o crescimento da população humana e o uso de recursos em enormes quantidades afetam não apenas o nosso bem estar, mas também a biodiversidade. Mas como exatamente ocorre a diminuição da riqueza de espécies? A perda de riqueza de espécies ocorre principalmente em função dos efeitos do crescimento populacional. Isso é tão fundamental quanto duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar, ao mesmo tempo. É disso que estamos falando. Se um ser humano está vivendo em um determinado lugar, menos plantas e animais nativos irão existir. Os detalhes de como o crescimento da população humana afeta a riqueza de espécies, estão apenas começando a ser pior. Sem dúvida, não temos um monte de dados ainda, e isso é um enorme problema complexo. Um dos artigos pioneiros sobre este assunto, foi publicado em 2003 por McKee e colaboradores. Eles mediram uma série de fatores em 114 países diferentes. E o que eles descobriram foi que, de todos os fatores, o crescimento da população humana e a riqueza de espécies estão associadas. Em outras palavras, se você frear seu crescimento demográfico, isto poderia ser o suficiente para minimizar as quedas na riqueza de espécie. E eles sugeriram que tudo que você precisa saber é o tamanho da população. Você coloca esse valor na equação e podemos descobrir, para um determinado lugar, quais os efeitos que o crescimento populacional terá nos cálculos para biodiversidade. Os dados do artigo mostram que o número de espécies ameaçadas em uma nação média vai aumentar 7% em 2020. E 14% em 2050, apenas com base no crescimento da população humana. Essa é uma relação muito simples. Mas, se você abrir uma caixa representada pela ideia de crescimento populacional, e descompactar o que ela significa, você verá muita perda da biodiversidade induzida pelo homem. Como de costume, as coisas ficam complicadas. Eu diria que há sete principais causas mediadas pelo homem da perda de biodiversidade. Estas podem ser agrupadas em duas categorias: fatores locais e fatores globais. Os fatores globais serão discutidos em vídeos separados. Mas para os fatores locais, vamos listar: a exploração de recursos, a poluição, a mudança do uso da terra e a introdução de espécies exóticas. Claro que estes se sobrepõem um pouco. Mas eu acho que para a maior parte, essas são boas maneiras de desempacotar nossa caixa de problemas. Vamos começar com as mudanças de uso da terra que inclui a destruição do habitat e a conversão do habitat natural para uso humano, que não necessariamente é compatível com os organismos que são nativos. Isso inclui a monocultura que resulta numa queda muito dramática na riqueza de espécies de um determinado habitat. Quando as pessoas pensam sobre a destruição e conversão da habitat, elas pensam em cortar e queimar. Pensam na agricultura destruindo a floresta tropical. Pensam na remoção dos topos das montanhas para obter recursos, como o carvão. Mas nos oceanos também ocorrem mudanças. Não podemos ignorar a perda de zonas úmidas e a destruição de manguezais como uma enorme mudança no uso da Terra. A urbanização é uma enorme mudança no uso da Terra. Mais pessoas precisam de mais casas, e mais lugares para trabalhar. Que, por sua vez, requer uma expansão dos recursos agrícolas e o aumento da destruição de ambientes que anteriormente eram intocados. É um problema muito complexo. Ao colocar mais pessoas, você tem um habitat menos natural, menos desenvolvido. É muito fácil para ver como isso está ligado a uma queda na biodiversidade. O segundo fator local é a poluição. Muita poluição tem sido feita, a ponto de nos levar a pensar nisso como enormes catástrofes e, até mesmo, criar projetos de limpeza. Mas existem outras formas mais sutis de poluir o ambiente, que eu acho que vale a pena pensar quando estamos falando sobre a perda da biodiversidade. Por exemplo, a degradação dos habitats locais, através de atividades humanas que causam efeitos à jusante. Poluições como a lixiviação de substâncias químicas nocivas no lençol freático. Poluentes aquáticos podem surgir de lugares muito incomuns e têm efeitos à jusante na viabilidade reprodutiva de organismos que se encontram nesses locais. Há, também, zonas mortas no oceano causadas por fertilizantes nitrogenados trazidos de rios que fluem para o mar. O nitrogênio causa flores de bactérias que, por suas vezes, usam o oxigênio presente na água. Em uma área onde o oxigênio está sendo usado por essas bactérias, qualquer organismo que necessite de oxigênio, que é o caso de praticamente qualquer animal, por exemplo, vai passar por um momento muito difícil em sua vida. Essas zonas mortas estão agora começando a ser um pouco melhor compreendidas. E é bastante claro que elas estão crescendo em tamanho, e estão relacionadas ao crescimento populacional humano. Então, há um problema geral na eliminação de esgoto não tratado. Este é um problema clássico para a biodiversidade. Não é apenas naturalmente o desperdício humano que está relacionado a isto. Isto tem a ver, às vezes, com a química bizarra envolvida no material de alta tecnologia que estamos fazendo. Estamos agora falando os compostos químicos, incluindo drogas e muitas moléculas estranhas que os seres humanos estão produzindo. Essas substâncias podem imitar hormônios de organismos nativos. Esses hormônios imitadores são simples derivados da prescrição de drogas e de outras substâncias químicas sintéticas que são liberadas para as vias navegáveis. Os hormônios imitadores agem como hormônios naturais e controlam o desenvolvimento normal de organismos selvagens, particularmente, os aquáticos. Esses afetam negativamente os órgãos reprodutores dos organismos. E há muitos e muitos exemplos desse tipo de poluição que as pessoas não pensariam necessariamente. Outro tipo que não ocorre imediatamente às pessoas é a poluição sonora. As aves e a cidades estão reagindo aos níveis de ruído. Assim, mesmo os organismos que não estão sendo expulsos com nossas cidades, estão começando a se adaptar ao ambiente, mudando o seu comportamento e os padrões reprodutivos. Alguns simplesmente não podem fazer isso e acabam mortos. O ruído também pode ser um fator importante na evidência de sobrevivência de mamíferos marinhos. Sugere-se que a poluição sonar interfere na saúde dos mamíferos marinhos. Padrões de reprodução também podem ser perturbados pela introdução da luz. As tartarugas marinhas, por exemplo, quando eclodem, são afetadas pela luz artificial. As tartarugas acabam indo em direção à luz, ao invés de ir para o oceano. A frequência de pássaros que se chocam em edifícios também aumentou à noite, quando as luzes são deixadas acesas. Vamos olhar para o terceiro fator local que é a exploração de recursos. Isso chega à simples ideia de que os seres humanos estão sempre usando o meio ambiente. Estamos imbricados a esse ambiente. E usamos sempre o que ele tem. Nós temos que fazer isso para permanecer vivo. Existem formas clássicas de usar os recursos, como a caça, cortando florestas para lenha e a madeira serrada. Para onde vai a biodiversidade? Nós estamos falando sobre a colheita de peixe. Mas não é realmente um encontro, como se costuma fazer. Trata-se de uma remoção semelhante à mineração. Existem tentativas para controlar a pesca. Mas não temos dados suficientes para saber exatamente o que é uma quantidade sustentável de extração, até que seja tarde demais. Antes de sermos levados para a ação, por exemplo, a pesca do bacalhau entrou em colapso nos grandes bancos de Newfoundland. Hoje, não temos ideia do efeito a longo prazo de grandes redes que arrastam no fundo do mar. E os países estão agora empurrando a pesca cada vez mais para a Antártica. O que é um problema. Porque peixes, como é a maioria dos seres vivos lá, crescem lentamente nas profundezas frias e escuras. O último fator local que induz a perda da riqueza de espécies, que quero mencionar, é a introdução de espécies exóticas. Vamos falar sobre isso no próximo vídeo. Apenas para trazer tudo de volta para o conceito de capacidade de carga, temos que a mensagem emergente é que, se todos na Terra puderem fazer mais com menos, especialmente em lugares onde, atualmente, usamos relativamente muito mais, podemos estar no caminho para a capacidade de carga mais manejável para os seres humanos na Terra. Com uma qualidade de vida decente em nosso mundo de recursos finitos. É um ato de equilíbrio entre os seres humanos e todas as outras espécies na Terra. Temos que aprender a fazer mais com menos. Para manter o equilíbrio natural com as espécies naturais. A riqueza de espécies e a biodiversidade é o que mantém os ecossistemas e, portanto, toda a natureza, incluindo nós, saudáveis.
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