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Evolução: artigo sobre seleção natural e seleção humana

Você consegue digerir leite de vaca ou é intolerante à lactose? Acredita-se que a capacidade de um adulto de digerir leite vem do estilo de vida de nossos ancestrais há milhares de anos. Cerca de 10.000 anos atrás, quando a pecuária leiteira começou, os seres humanos que podiam beber leite tinham uma vantagem sobre aqueles que não podiam, porque tinham uma fonte extra de alimento que era rica em nutrientes, gorduras e proteínas. Isso realmente era uma grande vantagem, pois a comida nem sempre era encontrada com facilidade, especialmente nos meses de inverno. Então, se você consegue digerir a lactose, um de seus ancestrais provavelmente foi um fazendeiro de leite!
Desenho de uma vaca, com uma mancha parecida com um DNA, dizendo "evo-MUUUU-ção"

O que é evolução?

Evolução é a forma como as espécies experimentam mudanças hereditárias (passadas de uma geração para a próxima) em suas características ao longo do tempo. Para que mudanças evolutivas ocorram, geralmente, são necessárias muitas gerações ao longo de milhares a milhões de anos - ou seja, essas adaptações não acontecem do dia para a noite! A capacidade dos seres humanos de digerir a lactose quando adultos é um exemplo perfeito disso. Quando bebês, a maioria dos seres humanos tem a capacidade de digerir a lactose. À medida que se tornam adultas, algumas pessoas perdem a capacidade de digeri-la, e outras continuam a não ter problemas para digerir leites, queijos e outros produtos alimentares que a contêm. Uma mutação hereditária responsável pela característica que permite aos seres humanos digerir bem a lactose na idade adulta é mantida “ligada”, o que resulta na tolerância à lactose. Esta característica é resultado de uma mutação ocorrida há milhares de anos. A mutação que causou a característica foi benéfica e hereditária, por isso se espalhou pela população humana e, hoje, muitos de nós têm esta habilidade!
Existem quatro mecanismos de evolução (formas de a evolução acontecer):
  1. seleção natural
  2. mutação
  3. deriva genética, e
  4. fluxo gênico
Dos quatro mecanismos, vamos falar sobre a seleção natural.

Seleção natural - um dos mecanismos de evolução

A seleção natural é um processo que favorece características hereditárias que aumentam as chances de sobrevivência de um organismo, permitindo-lhe se reproduzir mais!

Um exemplo de seleção natural em ação - resistência a antibióticos

Você já deve ter ouvido falar sobre resistência a antibióticos. Em seres humanos, as infecções bacterianas são normalmente tratadas com antibióticos. No entanto, devido ao seu uso excessivo e incorreto, algumas bactérias patogênicas tornaram-se resistentes a alguns desses tratamentos. Isso é perigoso para os seres humanos, uma vez que os tratamentos que costumavam curar doenças potencialmente fatais são, agora, menos eficazes em alguns casos, ou nem chegam a ter efeito. O que diminuiu a eficácia dos antibióticos?
Quando você tem uma infecção, as bactérias patogênicas que se multiplicam dentro de você não são todas idênticas. A maioria delas são iguais, mas, de vez em quando, uma delas será um pouquinho diferente geneticamente. Se todas fossem geneticamente idênticas, reagiriam ao ambiente da mesma maneira e todas seriam prejudicadas pelas mesmas coisas. Uma única coisa que lhes fosse prejudicial poderia exterminar toda a espécie. Mas, quando há pequenas diferenças genéticas, condições nocivas, como a presença de um antibiótico, podem matar a maioria das bactérias patogênicas, mas algumas podem ser mais capazes de sobreviver e, então, desenvolver-se. Essas características são favorecidas neste ambiente, de modo que essas bactérias podem continuar a se desenvolver e causar doenças. Ambientes diferentes favorecem características diferentes e, assim, acontece a seleção natural!
Cronologia que mostra uma diminuição no número de bactérias ao longo do tempo quando se está tomando um antibiótico.

O que é seleção artificial ou reprodução seletiva?

No mundo, além da seleção natural, existem outros tipos de seleção. Pense em algumas decisões que você toma sobre os tipos de animais de estimação que deseja ter ou o tipo de alimentos que prefere comer. A seleção artificial, também chamada de "reprodução seletiva", acontece quando os seres humanos selecionam as características desejáveis em produtos agrícolas ou animais, ao invés de deixarem a espécie evoluir e mudar gradualmente sem a interferência humana, como acontece na seleção natural.

Um exemplo de seleção artificial: reprodução de cães

Há aproximadamente 30.000 a 40.000 anos, os seres humanos começaram a domesticar lobos. Atualmente, esses animais domesticados são o que chamamos de cães! A domesticação é o ato de separar um pequeno grupo de organismos (neste caso, lobos) da população principal e selecionar suas características desejadas por meio da reprodução. Ao longo de milhares de anos, a domesticação de lobos resultou na perda de algumas de suas características mais agressivas, como o comportamento instintivo e defensivo na presença de seres humanos (latir ou uivar, ranger os dentes, preparar-se para atacar ou fugir), e o tamanho e formato de seus dentes. Não se sabe ao certo por que os seres humanos começaram a domesticar lobos, mas biólogos evolucionistas suspeitam que estes tenham ajudado os seres humanos a caçar durante a era do gelo (Callaway, 2015). Na verdade, eles também levantaram a hipótese de que, se isso for verdade, sua domesticação poderia ter sido o que ajudou os ancestrais humanos a sobreviverem à era do gelo e o motivo pelo qual os Neandertais foram extintos (Callaway, 2015)! Hoje em dia, os seres humanos selecionam uma variedade de características em cães com base em sua preferência pessoal e no companheirismo, em vez de pensá-las como uma forma de aumentar a sobrevivência humana.
Linha do tempo que mostra como os cães se tornaram domesticados ao longo de um extenso período de tempo devido à seleção artificial.
A reprodução de cães é um exemplo perfeito de como os seres humanos selecionam características desejáveis ou que estão na moda. Existem três tipos diferentes de raças:
  1. Cão de raça pura é um tipo de cão que vem de uma linhagem de uma mesma raça de cães e que nunca cruzou com outra raça. Por exemplo, um pastor alemão de raça pura é um cão inteira e unicamente pastor alemão.
  2. Um cão de raça cruzada é um cão descendente de dois tipos diferentes de cães de raça pura. Digamos que seu pastor alemão de raça pura tenha cruzado com um husky de raça pura. A prole resultante seria uma raça cruzada meio pastor alemão, meio husky.
  3. Por fim, os cães de raças mistas são uma combinação de várias raças, em que seus pais não eram de raça pura. Existem muitos exemplos de combinações possíveis!
Uma das vantagens de se escolher cães de raças cruzadas e raças mistas, em vez de cães de raça pura, é que as mutações genéticas prejudiciais que tendem a ocorrer frequentemente em certas linhagens podem ser encobertas, ou "eliminadas", pelo histórico genético de outra(s) raça(s) de cães presentes no animal. Em cães de raça pura, como há apenas uma linhagem, esses erros costumam ser mais aparentes e podem tornar estes animais propensos a certas doenças.

Equívocos comuns sobre a evolução

Evolução não é o mesmo que adaptação ou seleção natural. Lembre-se: a seleção natural é uma causa da evolução. Termos como “progresso” ou “melhoria” não fazem parte da definição de evolução porque a evolução é dependente de contexto. Imagine um cenário no qual uma característica pode ser altamente vantajosa em um ambiente, mas altamente prejudicial em outro. Um bom exemplo disso é a cor da pelagem de ratos. É vantajoso que os ratos se camuflem em seu habitat para evitar predadores. Em uma floresta, é mais provável que os ratos adquiram uma cor mais escura para combinar com a terra. Se você tirasse um rato com pelagem escura de seu habitat original e o colocasse em uma praia de areia branca, ele seria agarrado por um pássaro muito rapidamente porque seria facilmente notado.

Considere o seguinte:

Características benéficas podem surgir em mais de uma área por acidente? Sim! Vamos voltar ao nosso exemplo da tolerância à lactose do início do artigo. Quando vários ambientes favorecem a existência de uma característica, estas características benéficas podem surgir por meio de mutação e se espalhar por suas próprias populações de forma totalmente independente. Os biólogos evolucionistas chamam isso de evolução convergente. No exemplo da tolerância à lactose, foi exatamente isso o que aconteceu. Uma população na Europa desenvolveu a capacidade de digerir lactose quando adulta, independentemente de uma população africana. Ambas as populações começaram a pecuária leiteira, e ambas as características surgiram na mesma época. O interessante disso é que, quando a característica de tolerância à lactose surgiu, essas populações estavam distantes o suficiente a ponto de não serem capazes de cruzarem umas com as outras, o que torna o desenvolvimento da característica uma perfeita coincidência.
Desenho que mostra uma vaca na Europa e uma vaca na África.