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Os medicamentos ao longo da história

Nesta videoaula explicamos brevemente a história do desenvolvimento dos medicamentos e das indústrias farmacêuticas.

Transcrição de vídeo

RKA22JL - Alô, alô, moçada! O uso de recursos para a cura de ferimentos e doenças é tão antigo quanto a própria história da humanidade. Entre os recursos mais usados, podemos citar as rezas, partes de plantas, elementos vindos de animais, minerais e, mais recentemente, os medicamentos. Por exemplo, o papiro egípcio de Erbes, de 1550 a.C., lista mais de 700 fórmulas mágicas, além de remédios e procedimentos cirúrgicos. O desenvolvimento dos medicamentos com a produção de produtos alopáticos e homeopáticos ocorreu de forma bem lenta ao longo dos séculos e milênios. Mas o estudo deste processo mostra que as duas grandes guerras mundiais impulsionaram esse desenvolvimento. Talvez, devido tanta urgência de tratar os feridos de guerra quanto a possibilidade de testar novos medicamentos diretamente nos seres humanos. Vamos conhecer agora um pouco dessa história. No século 2, de 101 a 200, os árabes praticavam a alquimia, enquanto que nos conventos cristãos existiam hortas de plantas medicinais usadas para a produção de medicamentos nas boticas. Neste período, prevaleceu uma combinação de medicina, religião e bruxaria no tratamento dos doentes. Cloud galen ou galeno, que viveu de 130 a 200 d.C., sistematizou a teoria dos quatro humores, relacionando o desiquilíbrio entre os humores ao surgimento de doenças. O trabalho do médico era o de restabelecer o equilíbrio suprindo a falta ou retirando o excesso de um ou mais humores. Mas o que essa teoria dos humores diz? Segundo essa teoria, os seres humanos possuem quatro humores. Sangue, linfa, bile amarela e biles negra, que estão relacionados com os quatro elementos da natureza. Terra, água, fogo e ar. E também com quatro qualidades. Calor, secura, frio e umidade. Quando os quatro estão equilibrados, a pessoa está bem. A pessoa fica doente quando ocorre um desequilíbrio ou uma combinação errada dos humores. Esses desequilíbrios podiam ser causados, por exemplo, pelo clima, pela alimentação, pelos parasitas ou até pela idade e sexo do doente. O restabelecimento do equilíbrio dos humores, automaticamente, restabelece a saúde do paciente. No século 16, foi iniciado um estudo sistemático das plantas e dos minerais que mostraram possuir poderes curativos ou que restauravam o equilíbrio dos quatro humores. O objetivo do estudo era entender suas ações num organismo doente e descobrir qual parte da planta no mineral era responsável pelo restauro da saúde. Nessa mesma época, o movimento expansionista da Europa resultou no contato com novas drogas e técnicas utilizadas pelos povos do oriente e das Américas. Os tratados sobre botânica, farmácia e farmacopeia mostram que estes conhecimentos foram sendo introduzidos na Europa e nos estudos ao longo dos séculos 17 e 18. A partir daí, houve um grande avanço na área de medicamentos com as revoluções químicas de Antoine Lavoisier, pai da química moderna e botânica de Carlos Lineu, considerado pai da taxonomia moderna. Tudo isso resultou no declínio da era de galeno e da teoria dos quatro humores. Mas os avanços não ficaram restritos à área dos medicamentos. Houve um grande avanço na medicina com o reconhecimento da importância da higiene pública e com o lançamento de um medicamento preventivo de doenças. A vacina contra a varíola. Até o início do século 19, os princípios ativos dos medicamentos usados não eram conhecidos nem as suas estruturas químicas. Mas, durante o século 19, os estudos de análise química e química orgânica permitiram descobrir os princípios ativos, e a partir deles, obter novos medicamentos. E no final deste mesmo século, surgiram as indústrias farmacêuticas de grande porte que existem até hoje. A partir do século 20, os avanços tecnológicos permitiram um salto na produção de medicamentos, como, por exemplo, a melhora de medicamentos existentes, tornando-os cada vez mais efetivos e com menos efeitos colaterais, a descoberta e difusão de princípios ativos e de matérias ativas, usados na produção de medicamentos e a produção de novos medicamentos. As duas grandes guerras mundiais possibilitaram saltos na área farmacêutica. Durante a Primeira Guerra Mundial, que aconteceu de 1914 a 1919, foi desenvolvida a penicilina, um antibiótico de amplo espectro contra bactérias. Na Segunda Guerra, por sua vez, que aconteceu de 1939 até 1945, a penicilina e a quinina passaram a ser produzidas em larga escala e foi desenvolvida uma vacina contra o tifo. Também no período da Segunda Guerra, pesquisas sobre armamentos químicos possibilitaram o desenvolvimento dos primeiros antineoplásicos. O sucesso dos medicamentos, os cuidados dispensados aos pacientes de guerra, e o avanço na área farmacêutica foram tão grandes que as pessoas passaram a acreditar que os remédios podem curar qualquer doença. E isso aumentou o consumo e produziu um enorme crescimento da indústria farmacêutica, que passou a desenvolver mais e mais medicamentos em um processo de retroalimentação do consumo e do desenvolvimento. Mas atenção! O consumo exacerbado de remédios é uma faca de dois gumes, porque ao mesmo tempo que curam os sintomas, eles podem provocar efeitos colaterais e até mesmo outros problemas de saúde. Há uma célebre frase dita por um médico, alquimista suíço, e muitas outras profissões, cá entre nós, chamado de Paracelsus, que diz o seguinte: "Todas as substâncias são venenos, não há uma que não seja veneno, a posologia correta é que diferencia o veneno do remédio." Adorei fazer essa viagem sobre o uso dos medicamentos ao longo da história com você. Bons estudos e até a próxima!