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Transcrição de vídeo

RKA10MP – Olá, meu amigo ou minha amiga, tudo bem com você? Seja muito bem-vindo ou bem-vinda a mais uma aula de ciências da natureza. E nesta aula vamos conversar sobre o HIV e também sobre o que é a AIDS. Primeiro, vamos começar a observar o HIV. Ele é um vírus que ataca o nosso sistema imunológico, e a gente pode perceber que o nome desse vírus está muito relacionado com isso. Afinal, HIV significa Vírus da Imunodeficiência Humana. Então, isso implica que esse vírus faz algo para o nosso sistema imunológico de alguma forma, e vamos conversar um pouco mais sobre isso daqui a pouco. Se não tratarmos o HIV na pessoa infectada, ela pode desenvolver AIDS. A palavra AIDS significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Ou seja, o HIV ataca o sistema imunológico de uma forma tão destrutiva que você acaba adquirindo um sistema de imunodeficiência, e isso te coloca em um estado de falha do sistema imunológico. Então, você acaba não sendo capaz de lutar até mesmo contra as infecções mais básicas. Esse estado sem imunidade é o que chamamos de AIDS. Agora que você já tem uma noção básica do que é o HIV e do que é a AIDS, podemos começar a explorar isso um pouco melhor, e vamos fazer isso com a ajuda de um gráfico, o que pode ser útil. Aqui está o nosso gráfico. Vamos colocar aqui no eixo horizontal o tempo. Para melhorar isso um pouco mais, vamos colocar as semanas na parte inicial. Depois, vamos fazer a transição para anos. E você vai ver como isso é realmente relevante daqui a alguns minutos. Aqui no eixo vertical vamos colocar a contagem de linfócitos TCD4. Os linfócitos "T" são muito importantes porque são células do sistema imunológico. E o CD4 apenas se refere a um tipo de proteína que está presa às suas membranas celulares. É como gostamos de identificá-los, por essa proteína em suas membranas. E a razão pela qual coloquei esta contagem no eixo vertical do nosso gráfico é porque esta contagem é muito importante na progressão da infecção pelo HIV para a AIDS. Porque, como você já deve ter suspeitado, acontece que o HIV adora infectar essas células CD4 do nosso sistema imunológico. E por que isso é tão ruim? Essas células CD4, também chamadas de células "T" auxiliares, desempenham um papel fundamental na sinalização de outras células imunológicas para vir e destruir cada partícula infecciosa que o nosso corpo descobre, como as bactérias da garganta, ou o vírus da gripe, ou mesmo o vírus do HIV para esse assunto. Essas células CD4 são meio que centrais quando estamos falando do sistema imunológico. Elas são uma espécie de pequenos amplificadores do sistema imunológico. Como o HIV gosta de infectar e matar essas células, isso vai perturbar completamente o funcionamento do nosso sistema imunológico, infelizmente tornando-o essencialmente inútil. Vamos dizer que você adquiriu o HIV, seja na corrente sanguínea ou nos tecidos, talvez através de relações sexuais desprotegidas com um parceiro infectado. Esse é o meio mais comum de adquirir o HIV, pelo menos em adultos. E o que acontece após esse processo? É interessante falar que o vírus entra rapidamente nos seus glóbulos brancos, que são essas células "T" auxiliares, as células CD4 de que falamos. Mas o vírus também entra em alguns glóbulos brancos, como os seus macrófagos, e assim por diante. De dentro de um glóbulo branco esse vírus pode fazer duas coisas: A primeira é que ele meio que pode "roubar" o maquinário de sua célula, por isso consegue inserir o seu material genético no DNA de sua própria célula. A partir daí começa a fazer muitas e muitas cópias de si mesmo, muitas novas partículas de HIV. Na verdade, isso é muito importante, então, vamos colocar no nosso gráfico. Digamos que temos uma carga viral aqui em outro eixo "y". A carga viral se refere à quantidade de HIV em sua corrente sanguínea. Podemos ver que, depois da nossa infecção primária, a carga viral começa a aumentar. Ela faz isso "sequestrando" novas células "T" auxiliares. Assim, teremos novas partículas de HIV sendo produzidas e, com isso, teremos um aumento muito grande da carga viral. Você vai perceber que a carga viral está começando a subir em torno da marca de duas a três semanas, isso porque leva um pouco de tempo para a produção do vírus HIV começar dentro dos nossos corpos. É claro, existe uma grande preocupação aqui, porque quanto maior o número de HIV na corrente sanguínea, maior será o número de células CD4 que são infectadas, que são sequestradas. Mas o maior problema aqui é a causa número 2. A infecção pelo HIV de suas células CD4 desencadeia uma sequência de autodestruição dentro dessas células. Então, você acaba perdendo essas células CD4. E, pior ainda, essa sequência de autodestruição não destrói apenas as células infectadas. Até as células imunes que estão próximas às infectadas são destruídas nesse processo, isso porque elas estão tentando entrar nessa área para ajudar. Não vou entrar nesse mecanismo neste vídeo, mas você acaba perdendo muito mais células imunológicas do que apenas as que estão infectadas. E é por isso que, nesta parte, você vê uma grande queda, estamos perdendo muitas células "T". Enquanto isso a nossa carga viral de HIV está subindo, e causando mais e mais infecções de nossas células. A outra coisa que quero apontar é que você pode ver um aumento maciço na carga viral, e essa queda maciça também nos níveis de CD4. Essa enorme carga viral significa que, nesse período de tempo, no início da infecção, é quando alguém com HIV tem o maior risco de transmitir para uma outra pessoa. A única coisa, digamos, boa que acontece aqui é que, talvez depois de um mês ou mais, o seu sistema imunológico consegue controlar um pouco mais o vírus e começa a produzir anticorpos para o HIV. Estes são anticorpos contra o HIV. Então, eles começam a lutar contra o vírus até um certo ponto. Esse processo é chamado de seroconversão, que é quando você faz anticorpos para algo. Estamos tentando seroconverter para o HIV. Agora os anticorpos começam a trabalhar para ajudar a destruir as partículas virais. É por isso que vemos essa diminuição aqui na carga viral na corrente sanguínea, porque o nosso sistema imunológico está começando a controlar os níveis virais, pelo menos em um certo grau. Isso também dá às nossas células CD4 uma chance de se recuperar, pelo menos até certo ponto, porque há menos vírus ao redor tentando infectá-las. Você deve estar fazendo uma pergunta agora: como é que você vai se sentir ao longo desse processo, ou seja, com essa batalha massiva acontecendo dentro do seu corpo? Você vai se sentir mal, provavelmente vai sentir como se estivesse tendo a pior gripe que já teve. Cerca de um mês ou mais na seroconversão, você vai começar a lutar contra a infecção. Como resultado, a maioria das pessoas fica com sintomas semelhantes aos da gripe, coisas como dor de cabeça e febre, dor de garganta, dores musculares, dores articulares. Algumas pessoas ficam com as glândulas inchadas, ou com uma espécie de cansaço e mal estar. Algumas pessoas têm erupções cutâneas, outras têm feridas abertas na boca. Esses são alguns dos sintomas mais comuns de uma infecção aguda pelo HIV. E essa doença semelhante à gripe que algumas pessoas experimentam é chamada de síndrome do HIV aguda. A razão para muitos desses sintomas aparecerem é porque, quando as células do sistema imunológico ficam realmente ativas, ou quando elas morrem, os dois estão acontecendo aqui, elas tendem a liberar esses pequenos sinais químicos que causam inflamação. E isso está acontecendo por todo o seu corpo, então, é por isso que muitos desses sintomas aparecem aqui. Vamos voltar ao nosso gráfico. O sistema imunológico não pode matar completamente o HIV, mesmo tendo anticorpos agora. E isso ocorre porque: a) A taxa de vírus que está sendo eliminado pelo sistema imunológico é mais ou menos parecida com a taxa de novas partículas virais que estão sendo produzidas, e b) Porque o vírus meio que adotou residência em alguns reservatórios realmente difíceis de alcançar em nosso corpo. Por exemplo, dentro do cérebro, dentro de nossa medula óssea e dentro do nosso trato genital. Por causa dessas duas razões, essas curvas meio que tendem a se estabilizar em algum momento. Eles atingem um ponto de ajuste, um ponto em que o nosso sistema imunológico está matando o HIV a uma taxa bastante semelhante à que o HIV está se replicando. Então, as curvas começam a se aproximar um pouco mais e se estabilizar em um ponto. Esse período é o início da segunda fase da infecção pelo HIV, que é chamado de período de latência, ou HIV crônico e essa infecção aguda é a fase 1. Nesse período de latência, não costumamos ver qualquer sinal de doença por HIV. A pessoa é, muitas vezes, assintomática. Eles ainda são infecciosos, mas há poucos ou nenhum sintoma durante essa fase. Sem tratamento, essa fase dura, em média, cerca de 10 anos. Eu disse que as curvas se estabilizam, não é? O problema é que o HIV está realmente se replicando, matando novas células imunológicas apenas um pouquinho a mais do que os nossos CD4 estão se recuperando. Durante esse longo período de tempo, nessa fase 2, caso não haja tratamento, o HIV começará a sobrecarregar o nosso sistema imunológico, e aí começamos a ver os sintomas novamente. Coisas como febre, dores musculares ou glândulas inchadas, algo muito semelhante à infecção aguda, novamente vão aparecer pelas mesmas razões de antes. Muitas pessoas, nessa fase da doença, têm perda significativa de peso. O HIV faz com que você use muito mais energia do que o habitual, e também pede que você absorva nutrientes de sua comida, assim como normalmente faria. É por isso e outras razões que vemos alguma perda de peso bem significativa. Em algum momento, se as nossas células CD4 chegarem a um número criticamente baixo, teremos como resultado um sistema imunológico disfuncional. E isso é a AIDS. É um estado no qual não temos sistema imunológico. Ao chegar nesse ponto, certos fungos, bactérias ou vírus que nunca teriam chance contra um sistema imunológico minimamente eficaz começam a infectar essa pessoa. E nos referimos a essas infecções específicas como doenças que definem a AIDS, porque sabemos que, se alguém tiver uma dessas doenças, elas simplesmente não possuem um sistema imunológico funcionando. Isso realmente não aconteceria ou, pelo menos, não seria algo comum. Então, há uma alta suspeita de que essa pessoa tenha AIDS. E não apenas uma infecção pelo HIV, ou seja, essa pessoa não tem apenas uma infecção pelo HIV se tiver algumas dessas doenças definidoras de AIDS. Dois exemplos de doenças que definem a AIDS são duas pneumonias fúngicas: uma chamada de pneumonia pneumocística e uma de pneumonia criptocócica. Essas são duas doenças comuns que definem a AIDS. E lembrando que você não tem esses dois tipos de infecções quando o seu sistema imunológico funciona minimamente bem. Dois critérios que têm que ser cumpridos antes que possamos dizer que alguém tem AIDS são os seguintes: ou eles têm quantidades extremamente baixas de células CD4 em seu sangue, se eles têm menos de 200 células CD4 por microlitro de sangue, lembrando que a contagem normal de CD4 nessa quantidade de sangue deve ser algo em torno de 1000 a 1100 células CD4. Ou ainda, independentemente da contagem de CD4, se eles têm alguma doença que define a AIDS, como um desses exemplos que falei. Sendo assim, podemos dizer que eles desenvolveram AIDS. Como você deve ter suspeitado, o impacto esmagador e as complicações de infecções graves que você tem por causa da deficiência imunológica na AIDS podem acabar resultando na morte de uma pessoa. Da infecção pelo HIV até um número incrivelmente alto de partículas virais e baixa quantidade de células CD4 na corrente sanguínea, teremos o desenvolvimento de um sistema imunológico não funcional, algo que chamamos de AIDS, e isso faz com que uma pessoa tenha uma infecção esmagadora por todo tipo de patógeno infeccioso, o que vai acabar resultando na morte de uma pessoa. Espero que você tenha compreendido um pouco sobre o que é HIV e AIDS. Quero aproveitar o momento e deixar para você um grande abraço, e falar que nos vemos na próxima aula!