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As vacinas e o mito do autismo - parte 1

Transcrição de vídeo

Nos últimos 20, 30 anos temos observado um aumento nos casos de autismo. Vou rapidamente mostrar num gráfico o que eu quero dizer. Aqui são as taxas de autismo ao longo do tempo e a curva está subindo Dizem que a principal causa é o conhecimento Os pais estão mais conscientes sobre o autismo é um tema bem mais comum atualmente as pessoas conversam mais com os médicos sobre a suspeita, até se ter o diagnóstico embora seja uma das causas do aumento, outros motivos estão sendo pesquisados Em 1998 um grupo de médicos pesquisadores fizeram um estudo chamado de estudo Wakefield que é o nome do autor principal Dr. Wakefield, um médico cirurgião da Inglaterra, O total era de 13 autores nesse estudo. O estudo foi realizado no Reino Unido e eles selecionaram 12 crianças e elas foram ao hospital para procedimentos de rotina. As crianças foram recrutadas e descobriram que elas tinham algum tipo de problema ou atraso de desenvolvimento O problema mais comum de desenvolvimento entre essas crianças era o autismo. Muitas delas com diagnóstico de autismo Vou desenhar o que eles fizeram Isso é a cabeça de uma das crianças Ele questionava se havia algum sintoma, quando os sintomas começaram, tudo para traçar o histórico médico. Muitas famílias reportaram se lembrar dos sintomas de autismo que estou colorindo de cinza alguns pais comentaram que suspeitaram de alguma relação com a vacina, especialmente com a vacina MMR para sarampo, caxumba e rubéola, na mesma época em que os sintomas começaram. Temos uma relação entre a vacina e autismo baseada nos depoimentos dos pais Mas o foco do estudo era o intestino. Como cirurgião, o médico queria examinar o intestino das crianças na biopsia intestinal, em que se retira um pedaço de tecido intestinal, muitos apresentaram inflamação. Esse foi o principal achado da pesquisa: inflamação. Ele propôs algo sério, que a vacina causava esta inflamação E pensou ainda que existiria alguma proteína misteriosa, talvez essa aqui em azul, ingerida na alimentação que agora consegue alcançar o intestino por causa da inflamação e assim afetar o cérebro em desenvolvimento. Esta foi a proposta de relação entre a vacina e autismo. Quando o estudo Wakefield foi publicado em 1998 uma balbúrdia foi criada entre muitos pais e familiares que há anos buscavam uma explicação para o autismo de seus filhos Finalmente as pessoas puderam eleger a vacina como causa do autismo Contudo, essa ideia tinha alguns problemas O primeiro problema é que alguns pacientes já tinham sintomas de autismo antes de apresentarem os sintomas de inflamação intestinal. Vejam bem: se o sintoma de autismo aparece antes do sintoma intestinal então essa teoria não serve pois ela é baseada na ideia de que a inflamação do intestino ocorreria primeiro. Isso é um grande questionamento sobre a veracidade dessa teoria. Uma outra dúvida é a respeito da proteína misteriosa. Ela nunca foi identificada por Wakefield tampouco ninguém a identificou nesses últimos 15 anos. Não se descobriu a proteína misteriosa da proposição de Wakefield. E isso é um outro grande questionamento Mesmo assim vários estudos tiveram início Algumas pessoas diziam que havia relação entre as vacinas e o autismo. Vamos investigar. Um grupo foi montado para o estudo dos índices da vacina MMR. Qual o percentual da população realmente tomou a vacina MMR. Imagine que se a relação da vacina como causa do autismo for verdadeira Obviamente o aumento da taxa de vacinação explicaria o aumento nos casos de autismo Na verdade eles pesquisaram em poucos lugares Primeiramente no Reino Unido, onde o estudo começou e no período de 6 anos de estudo descobriu-se que na verdade a taxa de vacinação MMR ficou estável. Não aumentou Isso é constrangedor quando se pensa na vacina como causa do autismo Eles pesquisaram novamente, desta vez com dados norte-americanos num período de 15 anos. Em 15 anos de estudo foi o mesmo: taxas de vacina estáveis e aumento nos casos de autismo. Um outro estudo foi feito no Canadá, onde, de surpresa a taxa de vacinação havia diminuído um pouco Em 12 anos as taxas diminuíram mas a taxa de autismo aumentou São dados de natureza populacional, mas já refutam a ideia de a vacina causar autismo Mas as pessoas não ficaram satisfeitas elas queriam pesquisas específicas sobre a proposição do Dr. Wakefield Um outro estudo foi feito no Reino Unido que observou 473 crianças autistas. Lembre-se que o estudo inicial envolveu 12 crianças agora são centenas de crianças com autismo Eles querem saber se há nessas 473 crianças alguma ligação entre a vacina e qualquer tipo de inflamação intestinal E a resposta foi um ressonante não. Não parece haver nenhuma relação entre crianças autistas, vacina MMR e a inflamação intestinal. Isso foi arrebatador para a teoria de Wakefields, mas tem a segunda parte que é a relação entre a inflamação intestinal e qualquer tipo de autismo. Um outro estudo no Reino Unido com 262 crianças autistas descobriu que não há nenhuma relação entre inflamação intestinal e autismo. Então os 2 componentes importantes da teoria de Wakefield não têm fundamento. Vou excluir essa proteína misteriosa porque ninguém achou nada até hoje. Mesmo assim alguns insistiam na relação entre a vacina e autismo alegando que talvez o mecanismo não estivesse certo. Uma nova pesquisa foi feita, aqui em roxo, supondo existir um outro tipo de mecanismo Outros estudos foram feitos no Reino Unido especialmente para vacina MMR e autismo, observando 71 crianças autistas e não se descobriu nenhuma relação. Esse estudo foi refeito em outra condição mas tentando responder a mesma questão da relação entre vacina e autismo. Desta vez na Finlândia e entre 309 crianças autistas e não se descobriu nenhuma relação. Lembre que a relação inicial era sobre 12 crianças e agora temos centenas de crianças nos EUA e outros países, todos com os mesmos resultados de que basicamente não há relação a entre vacina e autismo. As pessoas começaram a duvidar do primeiro estudo com as 12 crianças Mas questionavam se poderia existir algum outro elo no estudo de Wakefield, apesar de todas as evidências. Por fim, um grupo finlandês realizou um estudo com resultados mais conclusivos. Eles monitoraram muitas crianças, 1,8 milhões de crianças vacinadas e monitoradas ao longo do tempo para observar o desenvolvimento de autismo. Isso daria a resposta definitiva à suposta relação. As crianças foram monitoradas e não houve nenhum caso de autismo ligado à vacinação Em todos casos de vacinação, nenhum resultou em autismo. A partir daí as pessoas desacreditaram no estudo de Wakefield e de qualquer outro que relacionasse a vacina e o autismo, mas fica a dúvida de como o estudo Wakefield chegou àqueles resultados Faremos uma pausa. Até o próximo vídeo. Legenda: Liliana Kawase Gonçalves