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RKA10GM - Olá, meu amigo ou minha amiga, tudo bem com você? Seja muito bem-vindo ou bem-vinda a mais uma aula de Ciências da Natureza. Nesta aula, vamos conversar sobre a tricomoníase. O Trichomonas vaginalis é responsável por uma infecção sexualmente transmissível conhecida como tricomoníase. E como vamos falar daqui a pouco, os sintomas ocorrem principalmente em mulheres, na vagina. Uma coisa que temos que destacar é que essa IST não é causada por uma bactéria, mas sim, por um protozoário, que é uma forma mais avançada de microorganismo do que uma bactéria. E esse protozoário, especificamente, é um parasita que vive comendo as células que ele mesmo destrói. Então esse protozoário usa os fragmentos das células que ele come para sua própria nutrição. Normalmente, ele tem a forma de uma pera. Vou desenhar a forma de uma pera. Esse é o corpo dele, o corpo celular. Esses Trichomonas têm uma célula para eles, então este é o corpo no formato de uma pera que tem uma célula, e eles se movem por causa dessas cadeias de proteínas, esses chicotes que eles têm, que são chamados de flagelos. Finalmente, uma das coisas que podemos ver, se observarmos através de um microscópio, é o núcleo. Então isto é o núcleo. Como a tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível, temos que considerar o modo de transmissão ou como comumente é transmitida de uma pessoa para outra. E como o próprio nome sugere, isso é feito através do sexo vaginal, o que torna essa infecção um tanto quanto interessante, justamente pelo fato desse protozoário não poder sobreviver em outro lugar. Ou seja, ele só pode viver dentro do trato urogenital. Isso significa que ele pode viver dentro de mulheres no trato vaginal ou na uretra, assim como também pode viver em homens. Mas a coisa complicada sobre isso é que os homens raramente têm sintomas, são assintomáticos. Isso significa que eles são portadores dessa infecção, mas pelo fato de serem assintomáticos, podem transmitir essa IST para mulheres sem nem perceber. Vamos dar uma olhada nesta mulher em uma visão sagital, que é quando cortamos uma imagem ao meio, dos pés à cabeça, aqui no meio das pernas, então podemos ver a bexiga que leva à uretra. Aqui está a uretra e aqui está vagina. Aqui está a vagina. No topo do trato vaginal está o colo do útero. Essa parte, cujo nome não vou colocar na nossa conversa, porque não vamos falar muito sobre isso, é o ânus, que leva ao reto e ao resto do trato gastrointestinal. Se uma mulher está infectada com o Trichomonas, este vai se espalhar pela vagina e pelas paredes dela. E podemos dar uma olhada nisto em uma escala um pouco maior. Aqui estão as paredes vaginais, e estamos levando até o colo do útero. Vamos dizer que o Trichomonas está subindo. Eu o desenhei na cor verde. Ele fica preso aqui e vai utilizar um tipo de mecanismo para causar estresse na membrana celular. Com o tempo, ele vai fazer com que a célula morra, produzindo fragmentos das células que estão espalhadas no trato vaginal, e esses fragmentos serão comidos pelo parasita. O sistema imunológico vai reconhecer isso, sem dúvida, e em respostas ao Trichomonas, vai enviar glóbulos brancos para combatê-lo e liberar toxinas. Vai tentar, inclusive, engoli-lo e comê-lo para impedi-lo de matar as células do corpo. Como resultado disso, teremos uma inflamação. Inflamação significa mais morte celular, a morte de células que foram afetadas pelo Trichomonas. Além disso, também teremos febre e outras respostas sistêmicas, tais como uma irritação. Se temos glóbulos brancos combatendo os Trichomonas dentro da uretra, podemos ter uretrite, que vai causar muita dor ao urinar, e que é chamado de disúria. Ou seja, sentiremos muita dor ao urinar. E o mesmo ocorre com a vagina, bem como com o colo do útero, já que é possível ter tanto vaginite quanto cervicite. A irritação desses dois locais fará com que o sexo seja algo bem doloroso, causando uma dispareunia, que é um sexo bem doloroso. Enquanto a batalha continua, haverá mais células mortas, glóbulos brancos mortos, protozoários mortos, tudo isso caindo através do trato vaginal, produzindo uma descarga espumante e verde, que tem um cheiro característico bem ruim, é muito mal cheiroso. Com o tempo, essa inflamação pode causar alguns efeitos muito ruins também. Nas mulheres, especialmente aquelas que estão grávidas, ocorre uma irritação crônica ou uma irritação a longo prazo, que pode fazer o bebê chegar antes do tempo que deveria. Ou seja, levará a um parto prematuro. Além disso, a inflamação a longo prazo pode causar irregularidades na formação de células ou divisão celular no colo do útero que, com o tempo, pode acabar produzindo um câncer cervical. Como as mulheres tendem a ter sintomas, conseguimos fazer o tratamento com uma certa antecedência. Mas nos homens existe uma preocupação maior, porque são coisas assintomáticas. Sendo assim, uma das coisas que se pode obter com uma inflamação crônica é o câncer de próstata. Por isso é muito importante tratar o paciente sintomático, bem como seu parceiro sexual assintomático. Mas antes de falar sobre isso, vamos tentar responder uma pergunta: como podemos diagnosticar a tricomoníase? Existem dois testes principais que podemos fazer. O primeiro é chamado de montagem molhada, porque é realmente o que parece, já que vamos utilizar um cotonete no trato vaginal. Deixe-me desenhar o cotonete. E vamos passá-lo no trato vaginal. Assim, teremos uma amostra de células, além de muco, e esperamos ter alguns protozoários também. Então colocamos em uma lâmina de vidro, aí pegamos essa amostra e damos uma olhada através de um microscópio. E é isso que vamos ver. Teremos algumas células escamosas, são células epiteliais vaginais escamosas, bem como estes dois caras. Esta é a visão microscópica desses Trichomonas. Podemos ver que tem o núcleo, o corpo em formato de uma pera e os flagelos, que estão presentes aqui. O segundo teste que podemos fazer é uma cultura, que é apenas deixar os Trichomonas crescerem em uma placa de Petri. Temos aqui a nossa placa, esfreguei a nossa amostra que está neste cotonete e vamos deixar crescer por cerca de cinco dias. Então o que veremos são colônias de Trichomonas, que estão crescendo nessa placa. Agora que já diagnosticamos a tricomoníase, como podemos tratá-la? Vamos utilizar antibióticos e podemos, inclusive, usar essa cultura para determinar a quais antibióticos os Trichomonas são sensíveis. Vamos dizer que colocamos o antibiótico número 1 aqui embaixo e o antibiótico número 2 aqui em cima. Com o tempo, vamos ver que o antibiótico 2 não foi muito útil, ainda tínhamos esses Trichomonas crescendo aqui. Já um pouco mais abaixo, o outro antibiótico criou um espaço onde nenhum Trichomonas pôde crescer. É dessa forma que, utilizando a nossa cultura, podemos determinar a quais antibióticos os Trichomonas são sensíveis. Ou seja, utilizando a nossa cultura, podemos determinar a sensibilidade. Uma outra coisa importante sobre o tratamento de pacientes infectados com tricomoníase é que o seu parceiro sexual deve ser tratado também. Porque lembre-se: se o parceiro era do sexo masculino, este pode não ter nenhum sintoma, mas corre o risco de desenvolver doenças no futuro. E se todos nós quiséssemos evitar a tricomoníase? O que poderíamos fazer? Como alcançamos a prevenção? O truque aqui é o mesmo para a grande maioria das ISTs: bloquear a transmissão. E fazemos isso limitando a quantidade de contato direto durante esses modos de transmissão. Nesse caso específico, durante o sexo vaginal. E como podemos fazer isso? Usando preservativo. O uso de preservativos pode reduzir, e muito, a taxa de transmissão do Trichomonas, principalmente quando estamos falando de um portador assintomático para um paciente suscetível. Como o Trichomonas vaginalis só pode viver dentro do trato urogenital humano, se tratássemos todo mundo que está carregando esse parasita, poderíamos erradicar a doença do planeta. É isso aí, meu amigo ou minha amiga. Mais uma vez, quero deixar um grande abraço, e até a próxima aula!