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Neste vídeo quero falar sobre a neuroplasticidade Neuroplasticidade é como o sistema nervoso se altera em resposta a uma experiência porque o sistema nervoso não é estático como uma pedra Ele está em constante modificação Por exemplo quando formamos novas memórias ou aprendemos coisas novas. Temos pouco conhecimento de como isso ocorre. A nível das células do sistema nervoso sabemos poucas coisas da neuroplasticidade Podemos definir o termo em referência às mudanças que ocorrem nas sinapses e ou em outras partes dos neurônios que afetam como a informação é processada e transmitida no sistema nervoso. Neuroplasticidade segue nas duas direções A força da informação que passa em uma determinada parte do sistema nervoso pode aumentar, e chamamos de POTENCIAÇÃO. Ou ainda, a força da informação que passa nas partes do sistema nervoso pode diminuir, e chamamos de DEPRESSÃO. A palavra depressão neste contexto não deve ser confundida com a depressão emocional da psiquiatria. Aqui é a diminuição da resposta celular das demais células do sistema nervoso VS potenciação da resposta celular. A quantidade de neuroplasticidade é maior no desenvolvimento do sistema nervoso e depois vai diminuindo, mas ainda ocorre por toda a vida. Aumenta transitoriamente após lesão ao sistema nervoso. Partes dos neurônios e as cadeias de neurônios que são usadas ficam mais fortes e significa que cada ação potencial terá um efeito maior na célula-alvo, o que chamamos de potenciação Partes dos neurônios e as cadeias de neurônios que são usadas raramente ficam fracas, que é a depressão Neuroplasticidade pode ocorrer na sinapse e chamamos de neuroplasticidade sináptica NEUROPLASTICIDADE SINÁPTICA. Ou neuroplasticidade pode ocorrer ao nível da célula toda onde ocorre todas as sinapses entre um neurônio e a célula-alvo. Chamamos de neuroplasticidade estrutural Vejamos alguns exemplos das alterações conhecidas que ocorrem com a neuroplasticidade. Primeiro, na neuroplasticidade sináptica veja uma sinapse individual com bastante atividade e veja uma outra sinapse com pouca atividade. Em verde é o terminal axônico de neurônios diferentes Em azul claro é o alvo na membrana celular e podemos ver a quantidade correspondente de atividade do terminal axônico com o qual faz a sinapse. Nesta sinapse vemos um monte de atividade Desenharei uma pequena linha para o tempo e vários riscos para o potencial de ação. Aqui são os potenciais de ação Um monte de potencial de ação está passando por este axônio. O terminal axônico libera frequentemente neurotransmissores na fenda sináptica estimulando frequentemente a célula alvo com os neurotransmissores que se ligam aos receptores na membrana da célula-alvo, na membrana pós-sináptica. Muitas mudanças ocorrem na sinapse individual na neuroplasticidade sináptica que é a potenciação e significa que cada potencial de ação individual começará a deflagrar uma resposta maior na célula-alvo. Uma mudança que pode ocorrer é que a cada potencial de ação que chega no terminal axônico mais neurotransmissor pode ser liberado na sinapse, de forma que uma resposta maior será vista na célula-alvo porque mais naurotransmissor é liberado pelo axônio terminal em cada potencial de ação vindo do axônio. Ou a mudança pode ocorrer na membrana pós-sináptica Pode haver um aumento no número de receptores neurotransmissores na membrana pós-sináptica ou mudanças no tipo de receptores neurotransmissores ou as respostas que ocorrem através dos mensageiros secundários de forma que para qualquer quantidade de neurotransmissor que for liberado do terminal axônico por um potencial de ação, uma resposta maior é vista na célula-alvo porque é muito mais sensível ao neurotransmissor que está sendo liberado. Mesmo que essas alterações do terminal axônico liberando mais neurotransmissor ou a membrana pós-sináptica tornando mais responsiva, veremos um aumento da resposta na célula-alvo por potencial de ação que chega no terminal axônico. Isso é a potenciação sináptica. Há várias pesquisas em andamento para saber como essas alterações ocorrem. Parece que há comunicação em ambas as direções tanto do terminal axônico para a membrana pós-sináptica como no sentido contrário. Todos os processos para que isso ocorra não foram definidos ainda. Agora vamos considerar o oposto. Vamos ver a depressão sináptica Desenharei uma pequena linha representando o tempo. Digamos que temos muito poucos potenciais de ação, apenas potenciais de ação ocasionais. São esses traços aqui. Não há muita atividade. Não há muitos potenciais de ação alcançando o terminal axônico. Basicamente a resposta oposta que pode acontecer com a potenciação sináptica com depressão sináptica, podemos ver que a quantidade de neurotransmissor liberado do terminal axônico diminui por potencial de ação. Para cada potencial de ação, menos transmissor é liberado na fenda sináptica. Portanto, haverá menos resposta na célula-alvo e, ou podemos ver que os receptores de neurotransmissor podem diminuir em número Talvez temos mais receptores de neurotransmissor no início, e alguns deles vão embora. Temos um número menor de receptores ou de alterações no receptores ou menos receptores respondentes, ou alterações nos mensageiros secundários, de forma que a célula alvo não responda a uma determinada quantidade de neurotransmissor. Mesmo com essas alterações, veremos menos resposta na célula-alvo para um potencial de ação chegando no terminal axônico. Além dessas alterações ao nível da sinapse individual com neuroplasticidade sináptica, podemos ver alterações também no número total de sinapses entre o neurônio e sua célula-alvo, o que chamamos de neuroplasticidade estrutural. Por exemplo, vamos considerar um par de correntes de neurônio. Desenharei um par de corrente para cada um desses exemplos, a potenciação e a depressão. Eles começam bem similares. Ambos têm a mesma quantidade de ramificações dendríticas e o comprimento dos dendritos e praticamente o mesmo. Aqui está um dendrito. Temos em torno do mesmo número de terminais axônicos saindo e formando sinapses entre este neurônio e este outro neurônio que é célula-alvo nesta situação. Vou desenhar um pequeno axônio e o neurônio-alvo. Se esses dois neurônios dispararem juntos frequentemente se este neurônio dispara muitos potenciais de ação e este neurônio dispara muitos potenciais de ação em resposta ao estímulo desse neurônio, podemos ver um aumento no número de sinapses entre esses dois. Podemos ver pelos dendritos. O dendritos ficam mais longos ou com mais ramificações, formando uma árvore dendrítica mais complexa. Podemos ver no neurônio pré-sináptico começam a brotar mais ramificações e terminais axônicos, formando mais conexões sinápticas com essa árvore dendrítica. Com essa potenciação estrutural, ambos os neurônios estão brotando mais ramificações ou terminais axônicos ou brotando mais ramificações dendríticas. Vou escrever aqui as "brotações". É como as plantas com novos brotos quando chega a primavera. O oposto pode ocorrer aqui. Se não há muito potenciais de ação sendo disparados por este neurônio ou este por este neurônio e particularmente se eles não estão disparando potencial de ação juntos, podemos ver o oposto onde na verdade começa a perder comprimento dos dendritos, ou perdendo ramificações dendríticas. A árvore dendrítica se torna mais curta e simples pode perder os terminais axônicos podemos simplificar os terminais axônicos que saem do axônio. Se este neurônio não está disparando com frequência podemos perder esse neurônio. Ele pode sumir mesmo. Este tipo de depressão estrutural onde há de fato perda de neurônios ou de partes porque eles não estão muito ativos, chamamos de podagem. Como nas plantas, quando podamos partes da planta para ter menos galhos ou ramos. É a mesma ideia. Tanto a potenciação como a depressão pode acontecer num amplo espectro de tempo. Dividimos em alterações de curto prazo, na ordem de segundos a minutos, ou em alterações de longo prazo, que pode ser meses, anos ou mesmo décadas. Neuroplasticidade sináptica pode contribuir tanto para potenciação ou depressão de prazo curto ou longo. As alterações estruturais tendem a ocorrer mais com a potenciação ou depressão de longo prazo. Imagine que mudando a força do fluxo da informação através das sinapses individuais ou entre as células, pela mudança no número total de sinapses que existem que neuroplasticidade pode ter um papel muito importante no desenvolvimento do sistema nervoso conforme vai se conectando nele mesmo baseado na experiencia que o sistema nervoso está recebendo durante seu período de formação. Isso também tem um papel muito importante na memória, aprendizado e recuperação de lesão ao sistema nervoso quando está tentando se conectar de volta após a lesão. Essas são algumas coisas que sabemos sobre a neuroplasticidade. Há muitas coisas que não sabemos ainda. Há muita pesquisa em andamento para tentar entender como todo esse processo ocorre e como eles contribuem com todas essas funções surpreendentes que modifica o sistema nervoso no decorrer do tempo. Tradução: Patrícia Kawase Revisão: Liliana Kawase Gonçalves