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Rei Menkaure (Miquerinos) e rainha

Rei Miquerinos e rainha, 2490–2472 a.C., grauvaque, 142,2 x 57,1 x 55,2 cm (Museu de Belas Artes, Boston), foto: tutincommon (CC BY-NC 2.0)
Beleza serena etérea, poder real natural, e evidência de virtuosismo artístico raramente foram capturados simultaneamente tão bem quanto nesta surpreendente estátua, quase em tamanho real, do faraó Miquerinos e uma rainha. Suave como seda, a superfície de pedra negra meticulosamente acabada captura os ideais físicos da época e cria uma sensação de eternidade e de imortalidade ainda hoje.
Sem dúvida, as estruturas mais emblemáticas do Egito Antigo são as enormes e enigmáticas Grandes Pirâmides, que se erguem sobre uma plataforma natural de pedra, agora conhecida como a planície de Gizé, no limite sudoeste da Cairo moderna. As três principais pirâmides de Gizé foram construídas durante o apogeu do período conhecido como Império Antigo e serviram como locais de sepultamento, memoriais e lugares de culto a uma série de governantes falecidos - a maior pertencendo ao faraó Quéops, a do meio a seu filho Quéfren e a menor das três ao neto de Quéops, Miquerinos.
Planície de Gizé, foto: kairoinfo4u (CC BY-NC-SA 2.0)
Cabeça e tronco (detalhe), Quéfren entronizado, de Gizé, Egito. c. 2520-2494 a.C., diorito. 167 cm de altura (Museu Egípcio, Cairo)
As Pirâmides não são estruturas isoladas. As de Gizé compõem apenas uma parte de um complexo muito maior que inclui um templo na base da própria pirâmide, longos passadiços e corredores, pequenas pirâmides complementares e um segundo templo (conhecido como um templo do vale) a certa distância da pirâmide. Estes Templos dos Vales eram usados para perpetuar o culto aos faraós falecidos e foram locais ativos de culto por centenas de anos (algumas vezes muito mais) após a morte do faraó. Imagens do rei eram colocadas nestes templos para servir como um objeto de adoração—muitas destas imagens foram encontradas nestes contextos, incluindo a magnífica estátua de Quéfren sentado, agora no Museu Egípcio no Cairo
Em 10 de janeiro de 1910, escavadores sob direção de George Reisner, chefe da união entre Universidade de Harvard e o Museu de Belas Artes de Boston, a Expedição ao Egito, encontraram uma surpreendente coleção de estátuas no Templo do Vale conectado à Pirâmide de Miquerinos. A pirâmide de Miquerinos tinha sido explorada nos anos 1830 (utilizando nada menos que dinamite). Seu sarcófago esculpido em granito foi removido (e depois perdido no mar). Enquanto o Templo da Pirâmide na base estava em uma condição apenas medíocre, o Templo do Vale estava. felizmente, basicamente ignorado.
George Reisner e Georg Steindorff no Acampamento Harvard, olhando para o leste em direção às pirâmides de Quéops e Quéfren, em 1935, foto de Albert Morton Lythgoe (arquivos de Gizé)
Reisner tinha escavado na planície de Gizé por muitos anos até então; sua equipe já tinha explorado o cemitério da elite no oeste da Grande Pirâmide de Quéops antes de voltar sua atenção ao complexo de Miquerinos, em particular ao quase intocado Templo do Vale.
Quatro tríades de grauvaque, templo do vale de Miquerinos, compartimentos S, corredor III 4, foto: 1908 (arquivos de Gizé). Veja uma das tríades no Museu de Belas Artes de Boston.
Miquerinos ladeado por Hathor (esquerda) e a deusa do nomo (Museu Egípicio, Cairo).
No extremo sudoeste da estrutura, a equipe descobriu um esconderijo magnífico de estátuas esculpidas em uma pedra escura lisa chamada grauvaque ou xisto. Eram muitas estátuas de tríades, cada uma mostrando três figuras, o rei, a sumamente importante deusa Hathor e a personificação de um nomo (uma designação geográfica, similar à ideia moderna de região, distrito ou condado). Hathor era cultuada nos complexos dos templos das pirâmides junto com o supremo deus do sol Rá e o deus Hórus, que era representado pelo rei vivo. O nome da deusa é na verdade ‘Hwt-hor’, que significa “A Casa de Hórus“, e ela estava relacionada à esposa do rei vivo. Hathor era também uma feroz protetora que escoltava seu pai, Rá; como um "Olho de Rá" (o título atribuído a um grupo de deusas perigosas), ela podia incorporar o calor intenso do Sol e usar este fogo ardente para destruir seus inimigos.
Eram quatro tríades completas, uma incompleta e pelo menos uma outra em fragmentos.  O significado preciso dessas tríades é incerto. Reisner acreditava que existia uma para cada nomo do Egito antigo, significando que haveria originalmente mais de trinta delas. Estudos mais recentes, no entanto, sugerem que havia originalmente oito tríades, cada uma relacionada com um local maior associado ao culto a Hathor. A proeminência de Hathor nas tríades (ela na verdade toma a posição central em uma das esculturas) e sua singular importância para o reinado empresta peso a esta teoria.
Além das tríades, a equipe de Reisner também revelou a extraordinária estátua díade de Miquerinos e uma rainha que é surpreendentemente singular.
Cabeças e torsos (detalhe), Rei Miquerinos e rainha, 2490-2472 a.C., grauvaque, 142 x 57 x 55 cm (Museu de Belas Artes de Boston), foto: 1910 (Arquivos de Gizé)
As duas figuras postam-se lado-a-lado em uma base quadrada simples e são sustentadas por um pilar traseiro compartilhado. Ambas olham para a frente, embora a cabeça de Miquerinos esteja visivelmente virada para sua direita — provavelmente esta imagem estava originalmente posicionada em um nicho arquitetônico, fazendo-a parecer estar emergindo da estrutura. O corpo juvenil, de ombros largos, do rei é coberto apenas por um kilt plissado e curto, conhecido como um shendjet, e sua cabeça sustenta a principal insígnia faraônica do icônico cocar listrado de nemes (tão conhecido da máscara de Tutancâmon) e uma barba real artificial. Em seus punhos cerrados, estendidos em ambos os lados, Miquerinos segura rolos rituais de tecido. Seu corpo está ereto, forte e eternamente jovem, sem sinais de idade. Suas características faciais são notavelmente individualizadas com olhos proeminentes, um nariz carnudo, bochechas redondas e boca cheia, com lábio inferior saliente.
Cabeças (detalhe), Rei Miquerinos e rainha, 2490-2472 a.C., grauvaque, 142 x 57 x 55 cm (Museu de Belas Artes, Boston), foto: 1910 (Arquivos de Gizé)
A rainha de Miquerinos fornece a perfeita contrapartida feminina à sua jovem virilidade masculina. Sensualmente modelada com um corpo belamente proporcional, enfatizado por um traje justo, ela expressa o beleza feminina madura ideal. Há um senso particular em ambas as faces. Nem Miquerinos nem sua rainha são retratados na forma puramente idealizada que era regra para imagens reais. Ao contrário, através da sobreposição da formalidade real vemos a representação de uma pessoa viva cumprindo o papel de faraó e as características pessoais de um indivíduo particular na representação de sua rainha.
Miquerinos e sua rainha seguem em frente com seus pés esquerdos — isso é totalmente esperado para o rei, pois homens na escultura Egípcia quase sempre agem assim, mas é incomum para uma mulher, já que elas eram geralmente retratadas com os pés juntos. Ambos olham para além do presente e para a eternidade atemporal, por mais que sua fisionomia transcendental não mostre emoção alguma.
A díade não foi concluída — a área ao redor das pernas não recebeu um polimento final e não há nenhuma inscrição. No entanto, apesar de seu estado incompleto, a imagem foi erguida no templo e estava brilhantemente pintada — havia traços de vermelho em volta das orelhas e boca do faraó e amarelo no rosto de sua rainha. A presença de tinta sobre a suave estátua em grauvaque de um faraó falecido, a qual foi originalmente erguida no pátio de seu templo memorial, traz uma interessante indicação — de que a tinta deve ter sido destinada a, com o tempo, revelar o imortal, negro:
Miquerinos / "Osíris"  (para mais informações sobre as associações simbólicas de materiais Egípcios, veja Introdução à Artes Egípcia—Materiais).
Incomum para a imagem de um faraó, o rei não possui uma serpente protetora (conhecida como uraeus) empoleirada em sua testa. Esta ausência notável sugere que o nemes (adorno de cabeça) do rei e a peruca da rainha estavam originalmente cobertos com metais preciosos e que a serpente deve ter sido parte daquele complemento.
Baseado na comparação com outras imagens, não há dúvida de que esta escultura mostra o faraó Miquerinos, mas a identidade da rainha é outro caso. Ela é claramente uma mulher da realeza. Tem quase a mesma altura do rei e, dos dois, ela é quem está inteiramente de frente. De fato, pode ser que esta díade esteja mais focada na rainha como figura central do que em Miquerinos. A proeminência da mulher real — de mesma altura e de frente — em adição ao gesto protetivo que ela estende sugere que, mais do que uma das esposas de Miquerinos, esta é, na verdade, uma rainha-mãe. A função da escultura de qualquer forma era afirmar o renascimento do faraó na Vida Após a Morte.
Ensaio da Dra. Amy Calvert.
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